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Capital

Suspeito de comandar expansão de facção em MS é levado a presídio federal

Pedido foi formulado pela Agepen, por conta do histórico criminoso e de ligação com a facção TCP

Por Silvia Frias | 14/07/2026 10:19
Suspeito de comandar expansão de facção em MS é levado a presídio federal
Tiago Paixão durante julgamento em Campo Grande, em 2023 (Foto/Reprodução)

Apontado pelas autoridades de segurança pública como um dos líderes da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro) em Mato Grosso do Sul, Tiago Paixão Almeida, de 39 anos, o "Boy", foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, no último dia 11.

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Tiago Paixão Almeida, 39 anos, conhecido como "Boy" e apontado como líder da facção TCP em Mato Grosso do Sul, foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN) após autorização judicial. Com histórico criminal iniciado aos 15 anos, ele comandava esquema de tráfico no Jardim Tijuca e, mesmo preso, articulava atividades criminosas com apoio de servidores corrompidos, o que motivou seu isolamento em presídio federal de segurança máxima.

A remoção ocorreu após pedido emergencial da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), que alegou haver indícios robustos de que ele integra a facção de origem carioca e apontou histórico de tentativa de cooptação de agentes públicos, ameaças e escalada para ações violentas no Estado.

O pedido de inclusão no sistema penitenciário federal foi analisado em despacho de 2 de junho de 2026 pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande. Na ocasião, o magistrado determinou a abertura, em caráter de urgência, de um processo separado para tratar da transferência e deu prazo de 48 horas para a juntada dos documentos necessários. Depois disso, o caso deveria ser encaminhado ao sistema penitenciário federal, com posterior manifestação do MP (Ministério Público) e da defesa.

Antes disso, Tiago já havia sofrido regressão cautelar para o regime fechado em razão de supostos novos delitos. No mesmo processo, a Justiça também determinou que acusação e defesa se manifestassem sobre uma possível falta grave decorrente da prática de fato definido como crime doloso.

Segundo apuração da reportagem, a transferência foi realizada no dia 11.

Histórico - “Boy” acumula trajetória criminal que começou ainda na adolescência, aos 15 anos, com registros por furto e roubos com uso de arma de fogo na Capital. O primeiro crime de maior repercussão ocorreu em 7 de fevereiro de 2009, quando, aos 22 anos, Tiago assassinou o próprio primo, Cícero de Almeida, com disparos de revólver durante uma festa de 15, em Anastácio. Levado ao Tribunal do Júri em 2010, acabou condenado a 7 anos e 6 meses de reclusão.

Com o passar dos anos, Tiago consolidou-se como o "chefão" do tráfico no Jardim Tijuca. A organização sob seu comando vendia doses de cocaína embaladas em sacos plásticos pretos selados com vela ou isqueiro no formato de gotas, conhecidas como "carrapatinhos". A estrutura contava com gerentes para distribuir a droga bruta a preparadoras e utilizava adolescentes na revenda nos pontos de tráfico. Os lucros do esquema eram lavados por meio de empresas como oficinas, ferro-velho, revenda de veículos e imóveis de alto padrão, incluindo apartamentos de luxo em Florianópolis (SC).

A atuação de "Boy" levou a diversas operações policiais ao longo dos anos. Em dezembro de 2018, a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) o capturou durante a Operação Progresso e o condenou por tráfico e associação criminosa. Em junho de 2023, o Tribunal do Júri o julgou acusado de mandar executar um rival no "quadrilátero da morte" e duas tentativas de homicídio do Tijuca; o júri o absolveu do homicídio, mas ele permaneceu preso devido às condenações por tráfico.

Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na Operação Blindagem revelaram que, mesmo no sistema prisional, "Boy" continuava articulando a rede criminosa com o apoio de servidores públicos corrompidos para obter facilidades e informações privilegiadas, além de capitanear a expansão da facção TCP no Estado, o que culminou em seu isolamento em presídio federal.

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