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Capital

Mesmo sem casos no 1º dia, Delegacia da Mulher reforça que “não é não”

Delegada pediu que mulheres "liguem o alerta" diante de indícios de crime durante as festas

Por Jones Mário e Clayton Neves | 23/02/2020 11:17
Mensagens no Cordão Valu combateram machismo para sensibilizar quem curtiu Carnaval (Foto: Henrique Kawaminami)
Mensagens no Cordão Valu combateram machismo para sensibilizar quem curtiu Carnaval (Foto: Henrique Kawaminami)

A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de Campo Grande não registrou ocorrências de importunação sexual relacionados ao Carnaval no primeiro dia de folia, este sábado (22). A polícia mantém equipes de prontidão para atender casos de violência contra a mulher e dá orientações para que ninguém estrague a festa de ninguém.

Plantonista da Deam, Elaine Benicasa, disse que ainda é cedo para dizer que o Carnaval será tranquilo. “Ainda tem hoje (domingo), segunda, terça. Mas no primeiro dia não tivemos ocorrências”, falou.

Segundo ela, a polícia trabalha em regime diferenciado quando existem festas públicas programadas, ocasiões em que a aumenta a criminalidade. Neste sábado, oito equipes da Polícia Militar estavam de prontidão para atender a Deam.

Elaine pontua série de fatores que acredita ter contribuído para coibir crimes de importunação e de violência contra a mulher relacionados ao Carnaval.

Segundo delegada, oito equipes da PM estavam de prontidão para atender Deam (Foto: Paulo Francis)
Segundo delegada, oito equipes da PM estavam de prontidão para atender Deam (Foto: Paulo Francis)

“É efeito das recentes divulgações de casos de violência doméstica na mídia, que deixam o homem mais temeroso em praticar delitos, principalmente de importunação sexual”, disse.

“Embora a bebida tire a noção, a presença do público acaba intimidando os autores, que ficam receosos de que as vítimas gritem, chamem atenção. Ficam com medo até de ser agredidos”, continua.

A delegada destacou ainda que os discursos condenando atos de machismo antes e durante o Cordão Valu, um dos principais blocos de rua do Carnaval da Capital, colaboraram para sensibilizar os foliões.

“São parceiros super importantes na conscientização. Antigamente você não via isso, no início de Carnaval, alguém chamando atenção para esses fatos. E por ser no início da festa, as pessoas estão sóbrias, então elas refletem e isso evita muita coisa”.

Dicas - Elaine Benicasa aponta que não há como prever o comportamento dos homens ao redor, por isso, é importante que as mulheres se despertem para a qualquer indício de crime e levem os casos ao conhecimento da Deam.

“A mulher precisa ficar atenta a qualquer sinal, seja passar a mão, uma ofensa, um ato obsceno, contato físico, esfregão, olhares que constranjam. São atitudes para que a mulher ligue o alerta”, reforçou.

“Nessas situações é importante acionar a polícia. Esses lugares são bem policiados, com PM e Guarda, e caso ocorra algo, é importante que a mulher faça questão que o caso seja encaminhado à Deam, que tem toda a estrutura para atender”, seguiu.