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Comportamento

Brechós se unem e editorial levanta bandeira contra assédio na folia

As proprietárias das lojas que fazem parte do Coletivo de Brechós posaram com roupas da folia e reforçaram que "não é não".

Por Alana Portela | 18/02/2020 06:52
Mulheres do Coletivo de Brechós posaram com recados nas mãos. (Foto: Divulgação)
Mulheres do Coletivo de Brechós posaram com recados nas mãos. (Foto: Divulgação)

Com a aproximação do Carnaval 2020 os brechós de Campo Grande se uniram e criaram um editorial contra o assédio e a violência contra a mulher. Seis proprietárias das lojas que fazem parte do Coletivo de Brechós, posaram para um ensaio fotográfico com looks e recados, especialmente, para os marmanjos.

Nas fotos elas aparecem segurando plaquinhas com frases: “Se te digo não, é não!”, “Meu nome não é PSIU”, “Minhas roupas não determinam meu consentimento”, etc. As fotos reafirmam que "Não é Não", e incentiva que qualquer abuso deve ser denunciado. A intenção é conscientizar as mulheres a tomarem cuidado e encorajá-las durante a folia deste ano.

Patrícia Araújo da Silva foi uma das modelos que posou para o ensaio e integra o Coletivo de Brechós. Ela afirma que a roupa não define a moral da mulher. “Cada um se veste ou se fantasia do que quiser, é carnaval, mas isso não dá o direito nem a liberdade para sermos abusadas”, destaca.

Com a plaquinha "Meu nome não é PSIU", a modelo pede respeito.  (Foto: Divulgação)
Com a plaquinha "Meu nome não é PSIU", a modelo pede respeito. (Foto: Divulgação)
Na plaquinha o recado é que as roupas não determinam o consentimento. (Divulgação)
Na plaquinha o recado é que as roupas não determinam o consentimento. (Divulgação)

Uma das organizadoras do ensaio, Priscilla de Oliveira compartilha do pensamento e relata que fica revoltada por saber que em 2020 ainda existe assédio. Para ela, esta época do ano, as mulheres só querem se divertir em paz. “E ainda assim tem que passar por essa situação. Campanhas como essa são importantes para reafirmar que pouca roupa não dá a nada”.

Giovana Fernandes Ribeiro também entra nessa discussão e diz que é preciso mostrar que a culpa não é da roupa ou lugar e menos ainda da eventualidade em que se encontra. “Que as mulheres nunca se calem diante de uma situação de assédio, que os corpos são delas e também é delas o direito de ter respeito sobre ele”, frisa.

Nathalia Oliveira também foi fotografada e comenta que é importante discutir o assédio tanto no Carnaval, quanto fora da época. “Muitos que fazem piadinhas achando isso normal, acabam nos constrangendo, e infelizmente não são apenas piadinhas ou um assovio, vai além e não podemos deixar isso acontecer”, diz. “Nós, mulheres temos direito de curtir, de ir e vir em segurança”, completa.

Neste Carnaval é bom reforçar que Não é Não. (Foto: Divulgação)
Neste Carnaval é bom reforçar que Não é Não. (Foto: Divulgação)

Já para Kemilly Eduarda Maia Pereira, campanhas contra o assédio incentivam as mulheres a terem coragem de expor as situações que enfrentam na rua. “Vão estar conscientes de que é uma violência, e tendo uma referência de que existem outras que já passaram por isso, terão mais coragem em denunciar”, destaca.

Para a campanha, elas pesquisaram o número de violência e descobriram que a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, porém, apenas 7,5% denunciam o agressor. Conforme os dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, 98% das mulheres afirmam terem sofrido cantadas pelas ruas do país no mesmo período do ano passado.

Desde 2019, importunação sexual foi classificada como crime, segundo a Lei 13718/2018. Então, é hora de curtir a folia consciente e não ter medo de denunciar se for preciso.

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