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Capital

Moradores de favela cercam prefeita e cobram casas prometidas em fevereiro

Projeto foi anunciado, mas segundo a prefeitura segue congelado por questões ambientais

Por Natália Olliver e Geniffer Valeriano | 16/11/2023 16:46
Prefeita cercada por moradores na Favela do Mandela (Foto: Juliano Almeida)
Prefeita cercada por moradores na Favela do Mandela (Foto: Juliano Almeida)

Moradores da comunidade conhecida como Mandela cercaram a prefeita, Adriane Lopes (PP), para cobrar o conjunto habitacional prometido em fevereiro e que não tem previsão de sair do papel. A chefe do Executivo esteve no local para conversar com as famílias, escoltada pela Guarda Civil Metropolitana. A visita aconteceu após incêndios que destruíram 80% da favela nesta quinta-feira (16). Em resposta, Adriane disse que o projeto está em fase de regulação ambiental e é um processo demorado.

‘É moroso e temos burocracias a serem respeitadas. Mas no momento do acidente vamos atender a todos que querem o acolhimento. Temos o serviços da prefeitura a toda comunidade. Ninguém vai ficar desatendido. Não tem como entrar em outra área ilegal, tirar de uma situação irregular e colocar em outra. Somos legalistas, precisamos obedecer a lei. Vamos garantir o direito de cada pessoas que está aqui”, disse.

Conforme a prefeita, moradores serão acolhidos no Cras (Centro de Referência da Assistência Social) Estrela do Sul, localizado na Av. Pref. Heráclito Diniz, e escolas da região norte de Campo Grande. Os que tiveram as casas atingidas pelo incêndio podem buscar ajuda e orientações no Cras. No local serão feitas distribuição de água e cestas básicas e inscrição no programa aluguel social.

A gestão também vai fornecer lonas, banheiros químicos e alimentação para aqueles que resolverem ficar no local. O Corpo de Bombeiros orientou moradores para que não habitem as residências que não foram atingidas, devido à intoxicação por fumaça.

Prefeita Adriane Lopes na favela do Mandela (Foto: Juliano Almeida)
Prefeita Adriane Lopes na favela do Mandela (Foto: Juliano Almeida)

Relembre - Em fevereiro, a favela foi prejudicada por fortes chuvas, que causaram o desmoronamento de casas e um alerta da prefeitura para que famílias deixassem o lugar, com a promessa que teriam um conjunto habitacional. Moradores se recusaram a sair.

A proposta da gestão municipal era de retirar o grupo de ocupantes em área de risco até que todos sejam transferidos para os residenciais Mandela I, II e III, que serão construídos, a cerca de 2 quilômetros em linha reta, no fundo do Nova Lima. O local foi atingido por incêndios em março desde ano. Na época, três barracos foram atingidos. Não é a primeira vez que a comunidade perde.

Lá, serão construídas 220 casas para receber as 186 famílias já cadastradas do Mandela e o excedente a outras pessoas na fila pela casa própria. A expectativa era de que a entrega dos conjuntos começasse em 2024.

Entretanto, até o momento, o imbróglio segue em ritmo lento, já que o lugar encolhido pela prefeitura tem que passar por supervisão ambiental, devido a estar próximo do Córrego Segredo. Enquanto a obra não inicia, a prefeitura prometeu auxílio financeiro de R$ 500 por 12 meses somente para as famílias residentes em área de risco.

Segundo incêndio na favela do Mandela, na tarde desta quinta (Foto: Juliano Almeirda)
Segundo incêndio na favela do Mandela, na tarde desta quinta (Foto: Juliano Almeirda)

Incêndio - Fogo atingiu a comunidade do Mandela na manhã desta quarta-feira (16), em Campo Grande, localizada na saída para Cuiabá. Equipes do Corpo de Bombeiros trabalharam para evitar que as chamas se espalhassem para o resto dos barracos que resistem no local. Em pânico, vizinhos fizeram uma corrente para ajudar a controlar as chamas e tentar apagá-las com baldes.

A fumaça preta pôde ser vista a quilômetros dali, desde a Rua Bahia. A causa do incêndio ainda não foi identificada, de acordo com o Corpo de Bombeiros, há hipótese de que o fogo tenha sido causado por ligações clandestinas de energia ou fogo intencional. O número de casas atingidas foi em média de 150, das 187 presentes. Ao todo, 186 famílias moram no local.

À tarde, o fogo voltou a atingir o lugar, mas foi controlado pelo Corpo de Bombeiros.

Corpo de bombeiros apaga resto de fogo no Mandela (Foto: Juliano Almeida)
Corpo de bombeiros apaga resto de fogo no Mandela (Foto: Juliano Almeida)

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