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Moradores do Bela Vista reagem à verticalização e querem barrar novos prédios

Uma das obras previstas é a construção de um condomínio de 27 andares onde funcionava antigo Lions Clube

Por Izabela Cavalcanti | 12/06/2026 14:09
Moradores do Bela Vista reagem à verticalização e querem barrar novos prédios
Fachada de onde funcionava o Lions Clube, no Jardim Bela Vista (Foto: Izabela Cavalcanti)

A expansão do Bairro Jardim Bela Vista, com a previsão da construção de prédios residenciais, ganhou reação dos moradores. A região é conhecida pelas residências de alto padrão, além de concentrar diversas clínicas médicas.

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Moradores do Jardim Bela Vista, em Campo Grande, resistem à expansão vertical do bairro, onde dois prédios já foram aprovados, incluindo um de 27 andares no antigo terreno do Lions Clube. A Associação dos Proprietários convocou assembleia para 22 de junho para debater as obras e avaliar ação judicial, alegando que a infraestrutura local, com ruas estreitas e sem planejamento, não suporta o adensamento populacional.

A Associação dos Proprietários de Imóveis dos Bairros Itanhangá Park e Bela Vista marcou assembleia geral extraordinária para o dia 22 de junho, com o objetivo de debater as construções e decidir sobre entrar na Justiça contra os novos projetos de verticalização.

Atualmente estão previstos, pelo menos, dois grandes edifícios na região, que hoje é quase 100% horizontal, apenas com casas. Um dos locais no alvo é o prédio do antigo Lions Clube Campo Grande Sul, na rua José Pereira, onde deve ocorrer a construção de um prédio de 27 andares. O terreno ocupa todo o quarteirão, com uma área total de 2.589,21 m².

O presidente de associação dos moradores, o advogado Gervásio Alves, pontuou alguns problemas que as obras podem provocar para o bairro. Segundo ele, outra construção também está prevista na Rua Cayova.

“Depois que houve mudança numa legislação municipal, as construtoras começaram a enxergar o Bela Vista como um dos lugares a construir prédios. As construções aumentam a poluição sonora, poluição de dejetos, que o bairro não tem estruturado para isso, vai aumentar fluxo de carro. As ruas são estreitas, já tem adensamento humano suficiente, não tem vazios no bairro, não tem estrutura local para suportar prédios, ocorrerá inquietação da saúde e do bem-estar da população local”, pontuou.

Moradores do Bela Vista reagem à verticalização e querem barrar novos prédios
Estacionamento do clube sendo utilizado por escola próxima (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Ele também citou outras questões, além das construções. “Vamos discutir uma construção no bairro no modo geral. Nós criamos uma associação para resolver os problemas do bairro, cai energia todo dia, ruas esburacadas, as ruas do bairro são as piores e o IPTU mais caro é lá. Segurança pública tem porque todos os moradores têm guarda particular”, completou.

Ainda de acordo com ele, as conversas não têm tido resultados. “Nós já temos dois prédios aprovados para serem construídos no bairro. Essas conversas têm sido em vão, e vamos tentar discutir judicialmente a construção de prédios no local”, finalizou.

A reportagem ligou para dois números do Lions disponíveis na internet, mas não conseguiu contato. A possibilidade de novas construções verticais tem gerado preocupação entre moradores que temem mudanças na rotina.

Moradores do Bela Vista reagem à verticalização e querem barrar novos prédios
Vitória dando entrevista ao Campo Grande News (Foto: Izabela Cavalcanti)

A advogada Vitória Junqueira, de 32 anos, acompanha de perto as discussões sobre o tema. Moradora do bairro por cerca de dez anos, ela retornou à região no ano passado, quando instalou seu escritório no local.

“O bairro continua o mesmo, tranquilo e com predominância de residências e pequenos comércios. Em essência, o temor dos moradores é justificado, porque já é um bairro cheio e vai se tornar muito mais cheio e inviável. Somos um bairro pequeno, com ruas estreitas que não foram planejadas para suportar esse tanto de pessoas”, pontuou.

Ainda de acordo com ela, a preocupação com as construções começou a ser debatida no grupo de moradores no WhatsApp.

“Há preocupação de que a região já esteja um pouco caótica e se torne inviável permanecer no bairro. O Bela Vista e o Itanhangá Park são bairros horizontais, então a maioria dos moradores vive em casas; a partir do momento em que se constrói um prédio basicamente no meio, isso acaba com a privacidade”, destacou.

Em entrevista ao Campo   Grande News em 2025, o presidente do Lions Clube, Francisco Azambuja, informou que o terreno estava em negociação e que era prevista uma construção de um salão de 500 m² e mais alguns apartamentos como renda para o clube. Hoje ele não foi encontrado para falar sobre a reação dos moradores.

A Prefeitura de Campo Grande informou que os projetos ainda devem seguir uma série de exigências previstas na legislação municipal. Segundo o município, a liberação desse tipo de empreendimento passa por análise técnica antes da autorização, com avaliação de regras de uso e ocupação do solo, acessibilidade, impacto no entorno e compatibilidade com o Plano Diretor da cidade.

A administração municipal também afirmou que caberá aos órgãos responsáveis fiscalizar se as construções respeitam o que foi aprovado em projeto. Isso inclui, por exemplo, parâmetros como recuos, altura permitida, vagas, acessos, circulação de pedestres e condições de acessibilidade. Conforme a prefeitura, as autorizações não são concedidas de forma automática e só avançam após estudo técnico da área onde os empreendimentos serão instalados.

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