ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, QUINTA  08    CAMPO GRANDE 32º

Capital

Moradores do Guanandi reclamam de construção de CAPS Infantojuvenil

Unidade será implantada na Avenida Manoel da Costa Lima, próxima ao CAPS Álcool e Drogas

Por Clara Farias e Geniffer Valeriano | 07/01/2026 13:39
Moradores do Guanandi reclamam de construção de CAPS Infantojuvenil
Centro de Atenção Psicossocial será construído na Avenida Manoel da Costa Lima (Foto: Geniffer Valeriano)

A construção de uma unidade do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Infantojuvenil em uma área do Bairro Guanandi tem gerado revolta entre moradores que utilizam o local como praça e espaço para atividades físicas. O investimento previsto é de R$ 3,2 milhões, e a unidade será implantada na Avenida Manoel da Costa Lima, ao lado do CAPS Álcool e Drogas e da UBS (Unidade Básica de Saúde) Dona Neta.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A construção de uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantojuvenil no Bairro Guanandi, em Campo Grande, tem gerado protestos entre moradores. Com investimento previsto de R$ 3,2 milhões, a obra será realizada em área utilizada como praça pela comunidade, que reivindica há 46 anos a oficialização do espaço de lazer. Os moradores organizaram um abaixo-assinado contra a instalação, temendo aumento na circulação de usuários de drogas e casos de furtos. O projeto prevê salas de atendimento, espaços de meditação, brinquedoteca e outras estruturas para atendimento infantojuvenil.

Moradores relatam que chegaram a organizar um abaixo-assinado na tentativa de impedir a obra. O principal receio é de que a instalação do centro aumente a circulação de usuários de drogas no bairro, provocando uma possível elevação nos casos de furtos. No documento encaminhado à Prefeitura, os moradores também afirmam que reivindicam há 46 anos a construção de uma praça pública no local.

Em um dos trechos do abaixo-assinado, a comunidade afirma que não foi consultada sobre a implantação da unidade. A empresária Daiane Ferreira, de 40 anos, questiona a escolha do endereço e a concentração de equipamentos públicos na mesma avenida. “Por que trazer outro CAPS para cá? A praça é o espaço de lazer da população. É um gasto de dinheiro público à toa”, afirmou.

Mesmo ciente de que a unidade atenderá crianças e adolescentes, Daiane avalia que a obra pode aumentar a sensação de insegurança no bairro. “Vai ter segurança suficiente para cuidar da unidade? Não entendo por que construir e gastar o dobro se é possível reformar o outro prédio. O ideal seria no Centro, que é de mais fácil acesso para os pais”, opinou.

Moradores do Guanandi reclamam de construção de CAPS Infantojuvenil
Ofício e abaixo-assinado encaminhado pelos moradores (Foto: Clara Farias)

A advogada Isa Mary Cacho, de 41 anos, também defende que os investimentos sejam direcionados à revitalização do espaço utilizado como praça. “Eu preferiria mil vezes que investissem na pracinha. Ao redor já existem vários CAPS. Antes o espaço era mais cuidado, mas nunca recebeu investimentos,” reclamou.

Já a dona de casa Maria Aparecida dos Santos, de 53 anos, contou que participou do abaixo-assinado por acreditar, inicialmente, que a obra seria uma ampliação do CAPS Álcool e Drogas. “Quando soube que é para atender crianças, fiquei mais tranquila. Aqui na região há muitos problemas com moradores em situação de rua, e isso assustou a gente”, relatou à reportagem.

Segundo Maria Aparecida, o espaço reivindicado pelos moradores não era amplamente utilizado. “Algumas pessoas iam lá para usar drogas, ficavam sentadas nos bancos em meio às árvores. Teve vez de eu passar e ver alguém dormindo ali, só isso”, contou. Para ela, a nova unidade pode ser positiva para o atendimento infantil.

Moradores do Guanandi reclamam de construção de CAPS Infantojuvenil
Maria Aparecida dos Santos participou de abaixo-assinado sem saber do que a construção se tratava (Foto: Geniffer Valeriano)

A autônoma Estela Oliveira, de 22 anos, também avalia a implantação como benéfica, embora lamente a perda do espaço de lazer. “Fico um pouco triste porque usava o local para caminhar com meu cachorro. Os moradores aqui são mais antigos, mais resistentes a mudanças, e não querem que mexam no bairro por enquanto”, comentou.

O projeto do novo CAPS Infantojuvenil prevê a construção de sete salas de atendimento individualizado, duas salas para atividades coletivas, espaços de meditação, acolhimento, emergência, enfermagem, farmácia e brinquedoteca. A estrutura também contará com áreas administrativas, almoxarifado, refeitório, dormitórios para pacientes e funcionários, salas de reunião, sanitários, área técnica e abrigo de resíduos.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.