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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

25/02/2016 07:25

Morre na Santa Casa "indiozinho" que passou por cirurgia no coração

Natalia Yahn
Edemar, com o sorriso no rosto que sempre o acompanhava. (Foto: Marcos Ermínio)Edemar, com o sorriso no rosto que sempre o acompanhava. (Foto: Marcos Ermínio)

O “indiozinho” Edemar Gonçalves da Silva, 4 anos, morreu hoje (25) – a 0h20 –, no CTI (Centro de Terapia Intensiva) Pediátrico da Santa Casa de Campo Grande, onde se recuperava da cirurgia cardíaca que foi submetido há dois dias.

O procedimento para corrigir uma anomalia congênita no coração foi realizado na terça-feira (23), e durou aproximadamente 4 horas. Em seguida, Edemar foi encaminhado para o CTI, onde deveria se recuperar e ser acompanhado por 72 horas – período de maior risco após a cirurgia –, porém ele não resistiu e morreu no início da madrugada desta quinta-feira (25).

O menino esperava desde dezembro de 2014 pelo procedimento, que era considerado de grande risco. No fim da tarde de ontem (24), os rins de Edemar paralisaram, o que agravou o estado de saúde dele. A Santa Casa chegou a informar que o falecimento aconteceu às 5 horas, porém a informação foi corrigida, pois o falecimento aconteceu a 0h20.

A Santa Casa ainda não divulgou onde e quando irá acontecer o velório e o sepultamento do "indiozinho", mas provavelmente o corpo do garoto será levado para a Aldeia Jaguapiru, em Dourados – a 230 quilômetros de Campo Grande –, onde vive o tio materno e a irmã que cuidavam de Edemar.

O hospital informou que por conta da gravidade do caso de Edemar, a cirurgia chegou a ser marcada e cancelada pelo menos três vezes. O centro cirúrgico e o leito da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que ele iria usar foram reservados nas ocasiões, mas todas as vezes a equipe médica responsável cancelou o procedimento, após exames clínicos do garoto mostrem problemas que poderiam atrapalhar a cirurgia. Entre os itens estabelecidos como critério estavam a capacidade de oxigenação e cicatrização do paciente.

Na semana passada ele teve um exame pré-cirúrgico adiado pela Santa Casa, após apresentar alterações em um hemograma. A análise sanguínea foi realizada no dia 15 de fevereiro, quando também estava marcado o ecocardiograma – um exame de ultrassom que avalia o funcionamento do coração. Porém o procedimento cardíaco foi adiado pelos médicos, isso porque o exame de sangue mostrou que Edemar tem déficit de vitaminas no organismo.

No dia 4 de fevereiro, o “indiozinho” realizou um procedimento pré-operatório conhecido como embolização – técnica que o preparou para a cirurgia. Ele precisou ficar internado no CTI (Centro de Terapia Intensiva), por 24 horas e só retornou para o quarto, onde mora desde outubro de 2015, no dia 5.

Espera – Edemar esperava desde dezembro de 2014 pela cirurgia e desde então já passou por dois hospitais em Mato Grosso do Sul. No HU (Hospital Universitário) de Dourados, a 230 quilômetros da Capital, ele ficou internado por mais de 10 meses. E atualmente aguardava na Santa Casa de Campo Grande, para onde foi transferido em outubro de 2015.

O menino nasceu no dia 23 de dezembro de 2011, no Hospital Regional de Amambai. Entre os dias 10 e 12 de dezembro de 2012 ficou internado no HU (Hospital Universitário) de Dourados. Depois disso, só existe um registro de alta da Santa Casa de Campo Grande, do dia 7 de janeiro de 2013.

Somente no dia 4 de dezembro de 2014 o garotinho retornou para o HU de Dourados, levado pela irmã Jaqueline Lopes, 23 anos – que atualmente o acompanha (a mãe teria sido assassinada pelo pai de Edemar). O hospital informou que o menino foi internado com pneumonia. Na Santa Casa de Campo Grande ele só deu entrada dez meses depois, de acordo com a cardiopediatra que atende o menino, Cláudia Piovesan Farias, por conta do quadro de saúde delicado.

Doença – Edemar tinha um grave problema no coração, conhecido como anomalia de Ebstein. Ele nasceu com a doença rara que provoca insuficiência cardíaca por conta de uma má formação.

O problema no coração não impedia que a criança vivesse fora do hospital, ele poderia aguardar a cirurgia em casa. Porém, a “internação social” na Santa Casa é o único meio encontrado para garantir que ele receba o tratamento necessário. Ele recebeu o diagnóstico da doença também na Santa Casa de Campo Grande. Na época os pais foram informados sobre a gravidade do caso, mas não permitiram que o filho fosse submetido aos procedimentos.

O pai de Edemar, Roberto Gomes da Silva, registrou em uma carta – provavelmente escrita em 2013 – o desejo de que o menino não fosse submetido à cirurgia cardíaca. O documento está guardado junto com outras documentações do garoto, na Casai (Casa de Apoio à Saúde do Índio), na Capital.

A coordenadora da Casai, Eliete Domingues Rios Maggioni, foi até agora a única pessoa – entre representantes indígenas – que conhece e acompanha o caso de Edemar. O Campo Grande News procurou informações sobre ele junto à Funai (Fundação Nacional do Índio), Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), na Capital, em Dourados e também na sede dos órgãos (Funai e Sesai) em Brasília (DF), mas nenhum local tinha conhecimento da situação do “indiozinho”, como foi apelidado Edemar por funcionários da Santa Casa.



Descansa, meu curumim... Você foi um guerreirinho! Vou guardar esse belo sorriso na memória; essa vai ser a lembrança que vou ter de vc. Que Nhanderú te receba de braços abertos e olhe por sua família.
 
Guaraci Mendes em 25/02/2016 09:17:08
Meus sentimentos a todo o corpo clínico que cuidou desse menino e garantiu que ele pudesse ter uma chance de sobreviver. Parabéns a todos que cuidaram dele com amor e zelo, que o Senhor Jesus conforte o coração daqueles que direta ou indiretamente cuidavam e compartilhavam amor a esse "indiozinho".
 
Juliana Cabrera em 25/02/2016 08:04:19
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