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Capital

Motorista acionava trava para estuprar passageiras

Motorista alegou "problemas na vida sexual" para justificar abusos

Por Dayene Paz e Viviane Oliveira | 14/06/2022 11:02
Adriano foi preso e ocupa uma das celas da Deam, de onde foi levado ao presídio. (Foto: Henrique Kawaminami)
Adriano foi preso e ocupa uma das celas da Deam, de onde foi levado ao presídio. (Foto: Henrique Kawaminami)

Adriano da Silva Vieira, de 38 anos, motorista de aplicativo indiciado por estupro, tentativa de estupro e importunação sexual de três passageiras em Campo Grande, usava o carro da esposa para trabalhar e acionava trava para crianças, mesmo sem ter filhos, para cometer os abusos. "Usava aquela trava para crianças na parte traseira, que só abre pelo lado de fora. A vítima não conseguia abrir o veículo, tentava escapar mas não conseguia", confirmou a delegada Ana Luiza Noriler, responsável pela investigação.

A constatação veio através de perícia no carro e também depoimento das vítimas, que corroboram com a investigação. "Isso nos causa um tanto de atenção, até porque como um motorista de carro de aplicativo, que entra e sai passageiros a todo momento, utilizava de trava de segurança. Não tem uma justificativa plausível", salientou. Para a polícia, ele planejava nos mínimos detalhes o ataque. "Afinal de contas, toda descida do passageiro ele se programava para a prática dos atos criminosos".

Nesta terça-feira (14), na sede da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), a delegada Ana Luiza recebeu à imprensa em coletiva e informou que relatará o inquérito ainda esta semana. Ela repassou outros detalhes do caso, afirmando que, por enquanto, não houve constatação de mais vítimas.

"Foram três, sendo que duas reconheceram ele. No entanto, a primeira vítima estava muito nervosa e fala que 'aquele homem não tinha rosto e parece que não tinha cabeça'".

A delegada afirmou que pediu ofícios para as empresas nas quais Adriano prestava serviço, a fim de ter robustez no inquérito para que a Justiça mantenha a prisão dele. As plataformas 99 Pop e Uber informaram que baniram Adriano assim que tiveram conhecimento dos casos.

Confessou os abusos - Em primeiro momento Adriano negou os fatos, no entanto, acabou confessando os abusos e alegou "problemas em relação à vida sexual", para justificar os crimes. "Queria se satisfazer com as passageiras", ponderou Noriler.

Sobre uma das empresas, que foi avisada pela vítima sobre a tentativa de estupro, a delegada afirmou que encaminhou ofício fazendo questionamentos. Em resposta, a empresa afirmou que teve conhecimento, pediu para que a vítima procurasse a polícia e que iria punir Adriano administrativamente.

Adriano pensava nos mínimos detalhes - Para praticar os abusos, Adriano tinha um modo de operar para levantar pouca desconfiança nas passageiras. "Chegava na casa da vítima, ele cancelava a corrida. A passageira ficava meio desconfiada, mas aceitava porque queria chegar logo ao destino", revela Noriler.

No trajeto, Adriano puxava conversa, tudo para saber sobre mais detalhes da vida da vítima. Depois, pedia para abastecer. "Perguntava se havia algum problema em abastecer e a passageira dizia que não. Então, procurava caminhos ermos, chegava a parar e por duas vezes usou pasta base. Ele passava para o banco de trás, se masturbava e mandava masturbar ele".

Adriano não era violento, mas de acordo com a delegada, fazia ameaças.

Entenda o caso - O motorista de aplicativo Adriano da Silva Vieira foi preso no dia 9 de junho, depois que tentou estuprar uma jovem na madrugada de domingo (6). A mulher pediu uma corrida na rodoviária da Capital, por volta das 4h30. A menina de 28 anos foi atacada, mas conseguiu fugir pela janela do carro.

Diante dos fatos, as diligências policiais levaram as autoridades a outra vítima de 27 anos, além da mulher de 54 que sofreu abuso quando ele rodava pela 99 Pop, somando até agora, três vítimas.

Mais um - Segundo a delegada, outro motorista de aplicativo é investigado pela Deam por abuso contra passageiras. "A gente ressalta que todo o caso deve ser informado à polícia. Se a vítima não puder vir a delegacia, entre em contato com o 180 (Central de Atendimento à Mulher). É importante denunciar", alerta.

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