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Multinacional assume área gigante de antiga empreiteira alvo da Lava Jato

SGS Industrial é credora da UTC, que adquiriu a Constran em 2010; dívida em 2017 era de R$ 19 milhões

Por Lucia Morel | 12/06/2026 08:11
Multinacional assume área gigante de antiga empreiteira alvo da Lava Jato
Placa da antiga Constran em imagem de novembro de 2011. (Foto: Google Maps)

Multinacional é a nova dona da área da antiga Constran em Campo Grande. A SGS Industrial, Instalações, Testes e Comissionamentos Ltda recebeu os terrenos da empreiteira alvo da Lava Jato, na Avenida Duque de Caxias, como pagamento em ação de recuperação judicial. Abandonado, o espaço de pouco mais de 2 hectares (20,7 mil m²) é alvo de frequentes queimadas e da presença de dezenas de usuários de drogas.

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A multinacional SGS Industrial, Instalações, Testes e Comissionamentos Ltda tornou-se a nova proprietária da área da antiga Constran, em Campo Grande, recebendo os terrenos como pagamento em ação de recuperação judicial da UTC Participações S.A. O espaço de 20,7 mil m², abandonado desde 2011 e alvo de queimadas e uso de drogas, foi avaliado em R$ 19 milhões em 2017. A Constran foi investigada pela Operação Lava Jato em 2014.

O Campo Grande News já mostrou essa realidade aqui e descobriu recentemente que o local, sem nenhuma atividade desde 2011, pelo menos, já está em trâmite cartorário para registro no nome da SGS. Em decisão no processo de recuperação judicial da UTC Participações S.A., que adquiriu a Constran em 2010, foi determinado que a multinacional registre a escritura pública de dação em pagamento relativa a cinco imóveis localizados na Capital.

Multinacional assume área gigante de antiga empreiteira alvo da Lava Jato

Das cinco matrículas, apenas uma não se refere ao terreno gigante da antiga Constran, mas a um imóvel na Avenida João Rosa Pires, no bairro Amambaí. Em julho de 2017, a dívida da UTC com a SGS era de R$ 19 milhões. O despacho que determina a escrituração é do juiz da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, Paulo Furtado de Oliveira Filho.

A Constran foi alvo da Operação Lava Jato em novembro de 2014, durante a deflagração da 7ª fase da operação, que foi batizada de "Juízo Final". Na época, a força-tarefa cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão contra executivos das maiores empreiteiras do país. A Constran já pertencia ao Grupo UTC, cujo presidente, Ricardo Ribeiro Pessoa, foi preso preventivamente sob a acusação de participar do cartel que fraudava licitações da Petrobras.

Multinacional assume área gigante de antiga empreiteira alvo da Lava Jato
Foto: Reprodução

Três anos depois a UTC abriu pedido de recuperação judicial, que foi deferido e tramita até hoje no Tribunal de Justiça de São Paulo. Das diversas credoras da empreiteira, a SGS é uma delas, e foi a que solicitou os terrenos na Capital como pagamento das dívidas da UTC.

Multinacional - Fundada em 1878, em Rouen, na França, por Henri Goldstuck, a empresa começou a inspecionar as cargas de grãos franceses nos portos. Em 1919 foi adotado o nome SGS, que significa,  em francês, Société Générale de Surveillance (Sociedade Geral de Vigilância, em tradução livre).

Na década de 70, a empresa começou a oferecer serviços de consultoria e recuperação ambiental para clientes do setor de petróleo e gás e 20 anos mais tarde, os negócios se expandiram para a China. Atualmente, a SGS atua em uma ampla variedade de setores industriais com 2,7 mil laboratórios e unidades comerciais em quase todos os países do mundo.

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Entrada lateral da área, na rua Teófilo Otoni, cercada por abandono e decadência. (Foto: Arquivo)

Aqui no Brasil, a multinacional atua desde 1938 e tem escritórios em 19 cidades, seis deles no Estado de São Paulo, além de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Pará, Goiás, Maranhão, Bahia, Paraná e Santa Catarina. Os serviços da SGS englobam certificações, inspeções, testes entre outros em diversas áreas.

A reportagem entrou em contato com a SGS por telefone e por e-mail, mas não houve retorno. O escritório que representa a multinacional no processo de recuperação judicial da UTC, o Donaire Advogados, também foi procurado, mas os questionamentos não foram respondidos.

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