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Capital

Na fila do teste para covid-19, anticorpo é "sonho", mas medo da doença é maior

Teste positivo também não é sinal de que pode abandonar os cuidados, alertam especialistas

Por Aline dos Santos e Bruna Marques | 09/07/2020 12:35
Paulo Sergio teve contato com caso positivo e foi hoje ao drive-thru para fazer exame. (Foto: Kisie Ainoã)
Paulo Sergio teve contato com caso positivo e foi hoje ao drive-thru para fazer exame. (Foto: Kisie Ainoã)

Ter anticorpos para o novo coronavírus mora nos sonhos de muitos, mas a realidade é que quem aguarda na fila do drive thru para fazer teste torce mesmo é pelo resultado negativo, principalmente por não saber como o vírus vai ser comportar no organismo e o medo de contaminar os familiares.

“Se for pensar, a ideia de ter anticorpos é bom. Mas fico apreensivo, não sei como o corpo vai reagir. Minha expectativa é que dê negativo”, afirma o gerente de produção Paulo Sérgio, 34 anos.

Ele conta que tem sintomas como falta de paladar e dificuldades na respiração. O gerente também teve contato com um colega que testou positivo.

“Se fosse para dar positivo e criar anticorpos, seria o ideal. Mas o meu medo é o jeito que o organismo vai reagir. Minha preocupação é ter a doença, precisar de atendimento e não conseguir. Muita gente não tem condições de pagar médico particular”, afirma Juliana Mendes de Oliveira, 25 anos.

A paciente teve gripe há 25 dias e nesta quinta-feira passaria pelo teste rápido. “Minha preocupação é porque tive contato com a avó do meu marido”, afirma, lembrando que idosos são grupo de risco para a covid-19.

Juliana Mendes de Oliveira fez exame hoje e se preocupa com número de leitos em hospitais. (Foto: Kisie Ainoã)
Juliana Mendes de Oliveira fez exame hoje e se preocupa com número de leitos em hospitais. (Foto: Kisie Ainoã)

“Espero que dê negativo. Apresentei sintomas, mas pode ter sido por conta da mudança de tempo. Estou torcendo para que não seja nada. Mas como tenho contato com várias pessoas, atendo pacientes de diversas regiões, tenho que ter cuidado”, afirma a nutricionista Débora Soria, 33 anos.

“Tenho medo de dar positivo e contaminar a família”, diz o estudante Victor Zani de Oliveira, 28 anos. Na manhã de hoje, das 8h às 12h, serão aplicados 140 testes no drive-thru montado no Corpo de Bombeiros, na Rua 14 de Julho. Campo Grande tem 3.579 casos confirmados do novo coronavírus. O telefone para agendar exames no drive-thru do Corpo de Bombeiros é o (67) 3311-6262.

Drive-thru para testes do novo coronavírus fica na Rua 14 de Julho, esquina com a 26 de Agosto, Centrpo de Campo Grande. (Foto: Kisie Ainoã)
Drive-thru para testes do novo coronavírus fica na Rua 14 de Julho, esquina com a 26 de Agosto, Centrpo de Campo Grande. (Foto: Kisie Ainoã)

O Campo Grande News ouviu o infectologista Rodrigo Nascimento Coelho, do HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian, referência para o tratamento da covid-19, sobre as medidas a tomar em caso de resultado positivo.

Na linha de frente de uma unidade lotada, ele reforça o apelo para que o distanciamento social seja levado a sério. “Temos sobrecargas nos serviços e se continuar assim podemos entrar em colapso ainda nesse mês. É preciso tomar consciência”.

Campo Grande News: O que fazer quando o resultado do teste é IgG positivo?

Rodrigo Coelho: "Bate o desespero. Mas é uma resposta boa. O IgG positivo diz que você já foi infectado e fez uma manifestação imunológica, com a produção de anticorpos. Pode continuar trabalhando, mas seguindo medidas de proteção. Seria como estar “vacinado”, mas ainda não existe um estudo que ateste que ficou imunizado em definitivo."

Campo Grande News: E quando o teste rápido é IgM positivo?

Rodrigo Coelho: "O IgM é a fase aguda, mostra que você foi infectado há pouco tempo. Faz o isolamento por 14 dias por segurança. Mas a expectativa é que o vírus seja eliminado em até dez dias. O paciente deve ficar em casa mesmo se assintomático."

Campo Grande News: O que fazer quando o teste RT-PCR positivo ?

Rodrigo Coelho: "Quando o teste do algodão no nariz e garganta der positivo, fique em casa, em isolamento por 14 dias".