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Capital

Na surdina, comércio burla decreto abrindo portinha em plena 14

Durante meia hora, pelo menos 15 pessoas passaram pelo local e houve até aglomeração

Por Lucia Morel | 03/04/2020 15:28
Com porta entreaberta, loja atendia diversos clientes tanto pelo lado de fora quanto por dentro. (Foto: Direto das Ruas)
Com porta entreaberta, loja atendia diversos clientes tanto pelo lado de fora quanto por dentro. (Foto: Direto das Ruas)

Loja de variedades na rua 14 de Julho está funcionando à revelia de decreto municipal que impede a abertura do comércio como forma de enfrentamento ao novo coronavírus. O Campo Grande News recebeu informações e constatou a veracidade.

Com uma das portas entreabertas, atendente da loja recebia pedido das pessoas que passavam em frente ao local, e depois de um tempo, voltava com a mercadoria solicitada. Em outros casos, os clientes entravam e saíam de lá com sacolas.

Num período de meia hora, ao menos 15 pessoas pararam ou entraram na loja buscando produtos dos mais diversos, como carregadores de celular ou fones de ouvido. Ao que parece, houve informação de que o espaço estaria atendendo dessa forma, já que muitas pessoas foram até lá.

Mulher entra no local para comprar mercadorias. (Foto: Direto das Ruas)
Mulher entra no local para comprar mercadorias. (Foto: Direto das Ruas)

Localizada na 14 entre a avenida Afonso Pena e a rua 15 de Novembro, o estabelecimento é conhecido por vender produtos dos mais diversos, desde eletrônicos e variedades em geral. Os proprietários do local são orientais e segundo relato, usavam máscaras para atender os clientes.

Reportagem também parou no local e perguntou o preço de um carregador portátil. O atendente, de sotaque oriental, passou os valores e as especificações do produto e só não realizou a venda porque a equipe saiu do local e disse que voltaria depois para pegar o carregador.

Clientes saem de dentro da loja com sacolas de compras. (Foto: Direto das Ruas)
Clientes saem de dentro da loja com sacolas de compras. (Foto: Direto das Ruas)

Decreto que impede o funcionamento foi publicado em 19 de março e previa que apenas estabelecimentos de serviços considerados essenciais, funcionassem: farmácias, supermercados, conveniência, lojas de venda de alimentação para animais, distribuidores de gás, lojas de venda de água mineral, padarias, restaurantes e lanchonetes e postos de combustível.

 ABERTURA GRADUAL – O mesmo decreto que está sendo desrespeitado pela loja Mega Variedades, previa que o funcionamento voltaria ao normal na próxima segunda-feira, 6 de abril. No entanto, entendimento entre prefeitira e Associação Comercial, definiu a abertura gradual dos estabelecimentos.

Isso significa que alguns comércios poderão abrir dia 6, outros dia 8 e outros ainda, apenas em 13 de março. Por enquanto, conforme divulgou o secretário de meio ambiente e desenvolvimento urbano, Luís Eduardo Costa, só os varejistas receberam aval positivo e começam as atividades a partir da segunda-feira.

Para essa definição, a ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) junto à Prefeitura, estabeleceu 5 diferentes critérios que valem, cada um deles, 1 ponto. Será liberado para reabrir primeiro, os setores com maior pontuação de 0 a 5.

Assim, as lojas de roupa, por exemplo, atingiram entre 4 e 5 pontos e reabrem dia 6.  Estética e concessionárias ficaram entre 2 e 3, com possibilidade de abertura a partir de 8 de abril. Já as academias, shoppings e universidades classificaram-se entre 0 e 1.

Ficaram para a última data de retomada, a partir do dia 13 de abril, estabelecimentos que nem sequer alcançaram pontuação, conforme explicou o secretário e economista da ACICG, Roberto Oshiro.

TOQUE DE RECOLHER – Mesmo os estabelecimentos que podem funcionar, precisam seguir os critérios municipais, atendendo o toque de recolher. De ontem para hoje, por exemplo, operação da Guarda Municipal e Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano ), para cumprimento do decreto municipal que determina o toque de recolher das 22h às 5h, fechou 59 comércios, notificou seis estabelecimentos e abordou 145 pessoas.