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Capital

No "Dia D do lockdown", prefeito quer mostrar que pico da covid já passou

Segundo Marquinhos, o pico foi na semana passada e agora estamos "na semana de estabilização, que vai até segunda-feira"

Por Ângela Kempfer | 07/08/2020 09:51
Prefeitura durante ativação de leitos de UTI na semana passada, na Santa casa. (Foto: KIsie Inoã)
Prefeitura durante ativação de leitos de UTI na semana passada, na Santa casa. (Foto: KIsie Inoã)

O assunto roda nas padarias, supermercados e salões de beleza de Campo Grande desde que a Defensoria Pública resolveu acionar a Justiça, na tentativa de obrigar a prefeitura a fechar todas as atividades não essenciais. Personagem no foco desta disputa de abre e fecha, no “dia D” do lockdown o prefeito Marquinhos Trad diz estar “tranquilo”.

Ele começou a manhã em unidade de saúde do Bairro Nova Lima, para não quebrar a rotina, apesar da apreensão geral no comércio, que pressiona para que as portas sigam abertas. “Estou tranquilo, porque todos os dias a cidade tem a confirmação do bom trabalho das semanas anteriores”, afirma.

Na audiência marcada para 13h30 desta sexta-feira, Marquinhos levará números que, na avaliação da equipe da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) comprovam que, por enquanto, o pior já passou. “O pico foi na semana passada e agora estamos na semana de estabilização, que vai até segunda-feira. A partir daí, a tendência é de queda nos números”, garante o prefeito.

Na véspera do “embate” entre prefeitura e Defensoria Pública, a administração municipal sofreu um golpe. Boletim da Sesau de ontem, trouxe 16 mortes de uma só vez. O último recorde era de 6 óbitos em 1 dia. “Nunca vou esconder números da população. Mesmo que sejam desfavoráveis e em dias que antecedem decisões importantes. Tanto é que nossa nota nacional em transparência da Covid é 9,6”, comenta o prefeito.

Mas segundo ele, o que ocorreu na quinta-feira foi o repasse de resultados “represados” por demora na confirmação dos testes para covid-19. “Havia muita coisa parada, mas se você for ver, alguns óbitos são antigos e a confirmação só veio ontem. Na média, seguimos com 5, 6 óbitos”, justifica.

Com base em boletins da Secretária Estadual de Saúde, a semana acaba com média de 5,8 mortes em Campo Grande a cada 24 horas. Na semana passada, esse índice era maior, de 6.1 óbitos ao dia.

Outro dado central no debate é a taxa de ocupação de UTIs que, segundo o prefeito, no fim da tarde de ontem, horário do relatório mais recente, “estava em 82%”. “E recebemos mais 40 respiradores, 10 já foram entregues ao Hospital Regional e 30 vão ser colocados no El Kadri”.

Ele também irá apontar a origem das internações, já que no levantamento do município “1/4 dos pacientes vem de outras cidades. "Só ontem, recebemos 14 pessoas do interior”, diz.

Marquinhos segue para o encontro de hoje como se o momento fosse de balanço de fim de mandato, só que desta vez, com um oponente que, segundo ele, deveria unir a todos, a covid-19.

“As ações da prefeitura sempre foram com dados técnicos e fico feliz que essas instituição,  depois de 4 meses e meio, vieram palpitar. Cada um com um posicionamento. Defensoria quer lockdown, Ministério Público pede Lei Seca e Fiems quer que tudo continue aberto. Sei que todo mundo têm boas intenções, mas temos de trabalhar juntos”, reclama.

Confiante, Marquinhos pede à população: "Acreditem em mim. A gente está cuidando de vocês. Eu nunca fiz política com o assunto e, por mais que as pessoas não queiram divulgar os bons resultados, é nítido que estamos bem. Alguns reclamam, mas imagina se a nossa cidade tivesse uma taxa de letalidade como em outras capitais do pais? Imagine se a gente tivesse errado aqui? Nos acertamos mais dos que erramos e acertamos muito”.