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Capital

“Nossa gestão não é movida por pressão”, diz Marquinhos sobre comércio

Prefeito anunciou restrições na circulação e ocupação da cidade aos fins de semana, um tipo de “lockdown” de dois dias

Por Izabela Sanchez e Clayton Neves | 15/07/2020 11:52
O prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (15) (Foto: Marcos Maluf)
O prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (15) (Foto: Marcos Maluf)

Após anunciar novas medidas para achatar a curva da covid-19 na Capital, e dividir opiniões sobre a eficácia dessas regras, o prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) negou “agir sobre pressão” de setores interessados no funcionamento sem restrições, a exemplo da economia de lazer.

Marquinhos nega que as medidas anunciadas para um período de duas semanas tenham ocorrido sob pressão de segmentos econômicos e para atender aos pedidos dos setores. Em vídeo oficial da Prefeitura de Campo Grande, o prefeito anunciou determinações mais restritivas sobre a circulação de pessoas e funcionamento do comércio varejista.

As novas regras passam a valer a partir de sábado (18) e ficam em vigor até o dia 31. Incluem recuo no horário de funcionamento do comércio varejista, fiscalização mais incisiva e uma regra específica para os dois finais de semana, um tipo mais leve de “lockdown”.

A partir de segunda-feira (20) o comércio deve fechar as portas às 17h, uma hora mais cedo. Conforme o vídeo divulgado, também haverá menos tolerância com a desobediência às regras. Estabelecimentos que desrespeitarem as medidas impostas estarão sujeitos a serem lacrados por três dias e até a perderem o alvará que autoriza funcionamento.

O toque de recolher será mantido nas regras atuais, com início às 20h. A principal alteração, ainda assim, vai ocorrer ao longo de dois finais de semana.

O prefeito afirma que as novas medidas vão proibir qualquer atividade não essencial de funcionamento, ou seja, bares não podem abrir as portas nesse período, nos finais de semana. Infectologistas divergem a respeito e dizem, sobre o “mini lockdown”, que não há comprovação de eficácia.

“Gestor que age por pressão é melhor pegar as coisas e voltar para casa. O que damos é preferência à vida. Nossa gestão não é movida por pressão”, alegou o prefeito.

Marquinhos citou “grupo técnico” formado por diversos especialistas em alusão a todas as decisões e políticas em saúde ao longo da pandemia.

“Essas decisões foram tomadas por grupo técnico, o mesmo grupo técnico que faz com que hoje a cidade tenha a menor taxa de letalidade do país e que faz com que tenha o maior número de recuperados do país. Esse mesmo grupo técnico que faz com que hoje a cidade tenha a capacidade de 25% de leitos vazios”, citou ele.

De modo geral, tanto Prefeitura quanto governo do Estado correm contra o tempo para desafogar o Hospital Regional Rosa Pedrossian, a referência para as internações da covid, e têm anunciado a contratação de novos leitos de UTI.

O município já licitou 37 leitos na rede particular, distribuídos na Clínica Campo Grande, Proncor e El Kadri e para onde alguns pacientes que estavam no HR já foram levados no último final de semana

“Campo Grande é exemplo e só os filhos da casa não querem enxergar”, defendeu Marquinhos.

“Qualquer medida mais restritiva vai depender do grupo técnico. Todas as decisões são baseadas na ciência e na medicina. Não tomamos decisões isoladas”, disse o prefeito que emendou sobre a necessidade de “ganhar fôlego para que procurasse mais leitos”.

Marquinhos cita novas 38 vagas em hospitais “até o dia 31”. O prefeito também foi questionado sobre o rigor com uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual), a exemplo do Estado de São Paulo, onde não usar máscara gera multa.

Para ele, a medida não foi adotada porque “é preciso dar o direito à ampla defesa e ao contraditório”. “Na minha opinião vai ficar algo ineficaz dar a qualquer pessoa o poder de multar a outra porque não usa a máscara”, declarou.

"Campo Grande preferiu aconselhar porque todos são adultos e esperamos a colaboração", concluiu.