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Capital

Pacientes saem da fila de transplante com córneas e rins de mulher de 70 anos

Apesar de menos comum, doação de órgãos por pessoas acima de 60 anos é possível após análise das condições dos órgãos

Por Lucia Morel | 19/09/2020 12:48
Equipe da Santa Casa realizando uma captação de órgãos. (Foto: Assessoria Santa Casa)
Equipe da Santa Casa realizando uma captação de órgãos. (Foto: Assessoria Santa Casa)

Idosa de 70 anos que teve morte cerebral ontem, vai ajudar a melhorar a vida de pelo menos duas pessoas. Com rins e córneas em boas condições, a Santa Casa de Campo Grande fez a captação com autorização da família. A mulher morava em Terenos e teve um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico.

A doação de órgãos por idosos chama atenção por se tratarem de pessoas que poderiam estar debilitadas. Mas com a análise adequada e efetiva percepção da condição do organismo, é possível liberá-lo para quem precise.

Segundo o coordenador da OPO (Organização de Procura de Órgãos) da Santa Casa, enfermeiro Rodrigo Gomes, a doação precisa ser comemorada, porque geralmente, o mais difícil é convencer a família do falecido sobre a importância da doação e, neste caso, houve muita sensibilidade.

“Essa família nos chamou atenção pelo fato de entenderem bem a situação desde o início. Nós temos que agradecer pela atitude tão altruísta e por compreenderem que, através deste gesto, outros pacientes poderão ter uma melhora na sua qualidade de vida”, disse.

Ele comentou ainda que esta não é a primeira vez que há captação de órgãos em idosos no hospital e que tal prática tem sido bem comum em todo mundo, principalmente devido à longevidade. "Muitas vezes, um jovem de 30 ou 40 anos não tem a mesma qualidade de vida de um idoso e acaba não sendo doador de órgãos", avalia.

A Santa Casa informou que devido a não compatibilidade de receptores em Mato Grosso do Sul, os rins foram encaminhados para o Rio Grande do Sul, em voo comercial.

Já as córneas ficaram no Banco de Olhos da Santa Casa para serem analisadas e, posteriormente, implantadas em pacientes que demandam à urgência e emergência do pronto-socorro para tratamentos ou procedimentos cirúrgicos.

De janeiro de 2020 até o último dia 9 de setembro, o hospital registrou quatro captações de coração, um pulmão, 14 fígados, 37 rins e 101 córneas, sendo que houve 73 mortes encefálicas no hospital.

Desse total, 43 pacientes estavam aptos à doação, mas somente 22 deles tiveram os órgãos e tecidos captados, ou seja, quase metade das famílias acolhidas não autorizaram a doação.

Matéria editada às 15h49 para acréscimo de informações do coordenador da OPO.

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