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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

05/02/2016 15:14

Pais bancam reforma e alimentação dos filhos em creches municipais

Natalia Yahn
Funcionária faziam hoje (5) a limpeza do Ceinf Sônia Helena, no Jardim Panorama. Materiais foram adquiridos após vaquinha. (Foto: Pedro Peralta)Funcionária faziam hoje (5) a limpeza do Ceinf Sônia Helena, no Jardim Panorama. Materiais foram adquiridos após "vaquinha". (Foto: Pedro Peralta)

Pais e funcionárias de Ceinfs (Centro de Educação Infantil) de Campo Grande afirmam ser coagidos a enviar alimentos para garantir as refeições oferecidas às crianças nas unidades. O problema foi confirmado pela reportagem em pelo menos três creches em diferentes regiões da Capital, nos bairros Jardim Panorama, Vila Progresso e Estrela do Sul.

No Ceinf Sônia Helena, no Jardim Panorama, pais e funcionárias denunciam que a alimentação das crianças no local é obtida praticamente apenas com doações. Outro problema apontado é que os materiais utilizados para limpeza e reparos do prédio foram adquiridos pelas próprias funcionárias, que nesta sexta-feira (5) de manhã trabalhavam na manutenção do prédio. Com medo de retaliações, a servidora que denunciou o caso e alguns pais ouvidos pela reportagem pediram para não ser identificados.

Pela versão deles, desde o segundo semestre do ano passado a creche não recebe os itens necessários para preparar as refeições dos alunos e, por isso, a direção pede ajuda aos pais para garantir os lanches diários, além do almoço e da janta que devem ser oferecidos. “As professoras e a diretora pedem, mas muito discretamente só para alguns. Não é feito alarde. Os pais ajudam como podem”, disse o pai de um aluno do Ceinf.

As aulas no Ceinf, que tem entre 200 e 220 alunos, estão previstas para começar na próxima quinta-feira (11), porém até agora nenhum alimento foi entregue no local. “A Prefeitura deveria ter entregue os alimentos até hoje (5). Vamos começar as aulas sem nada para os alunos comerem”, disse uma funcionária.

No Ceinf Bom Pastor, no Estrela do Sul, uma funcionária afirmou que mesmo sem receber os alimentos da Prefeitura as mães podem enviar as crianças para as aulas a partir de quinta-feira (11). "Vamos dar um jeito", disse ela.

Outra situação é de que a própria direção da unidade no Jardim Panorama tem garantido o abastecimento de itens perecíveis – carne, legumes, verduras e leite. “A direção da creche é muito boa, se não fosse isso estava tudo perdido. A diretora é quem compra com o cartão de crédito dela carne e outras coisas para fazer a comida das crianças”, afirmou a mãe de uma aluna.

A diretora, identificada apenas como Cláudia, foi procurada e por telefone disse que não poderia falar sobre o assunto. “Se eu falar posso colocar meu emprego em risco”, afirmou.

A entrega dos alimentos também não foi realizada no Ceinf Santa Terezinha, na Vila Progresso. Uma funcionária confirmou que a direção estava esta manhã na Semed (Secretaria Municipal de Educação) para tentar resolver a situação. "Ainda não recebemos nenhum alimento. E a diretora vai ter que buscar o pouco que tem na Suali com o carro particular dela".

Pais e funcionária afirmam que falta alimentação no Ceinf, Aulas começam na quinta-feira (11). (Foto: Pedro Peralta)Pais e funcionária afirmam que falta alimentação no Ceinf, Aulas começam na quinta-feira (11). (Foto: Pedro Peralta)

A funcionária que denunciou toda a situação no Ceinf do Jardim Panorama afirma que a direção procurou a Suali (Superintendência de Abastecimento Alimentar), ligada a Semed, e recebeu a informação de que alguns alimentos estão disponíveis para retirada no local. O prédio da Suali fica a 15 quilômetros do Ceinf e não é feito o transporte dos itens para as creches. “Lá só tem arroz e feijão e ainda nos disseram que não tem transporte disponível. Para buscar só com o carro particular mesmo”.

A dona de casa Cláudia Rossini, 35 anos, tem um filho de 4 anos que estuda no Ceinf desde o ano passado. “Meu filho fica lá só a tarde e ele disse várias vezes pra mim que não tinha lanche e janta. Ele ficava sem comer nada. E eu já vi as professoras pedindo para as mães levarem o que pudessem, macarrão, farinha, qualquer coisa pra ajudar”.

Ela afirma que quando começou o problema da falta de alimento nos Ceinfs, a direção informou que havia apenas arroz disponível. “Eu vi várias vezes a diretora dizer que não tinha comida, e que só tinha conseguido arroz”, disse Cláudia.

A funcionária que denunciou o caso afirma que cada uma ajuda da forma que pode. “Fizemos uma vaquinha para poder comprar as coisas para reformar e arrumar tudo para o início do ano letivo. Não sei quanto arrecadamos, mas conseguimos trocar as cortinas. E a tinta para pintar as paredes nós trouxemos”, disse.

A Prefeitura foi procurada, mas até o fechamento desta reportagem não explicou a situação.

Auditoria - O levantamento do “Programa de Fiscalização dos Entes Federativos” da CGU (Controladoria-Geral da União) revelou falhas preocupantes no gerenciamento da merenda que alimenta alunos de escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino) e Ceinfs. Campo Grande tem 99 Ceinfs e 94 escolas, com um total de 150 mil alunos. A merenda deveria atender 200 dias letivos.

Os problemas vão do processo de compra à entrega dos produtos. Na fase de licitação, foi apontado restrição do caráter competitivo, especificações “exorbitantes” para embalagem dos produtos, inabilitação indevida de licitante, cotação de preço inelegível e sobrepreço de R$ 3.012.120,00.

Na entrega, as escolas recebem produtos diferentes do registrado na ata. Por exemplo, a compra é de polpa de tomate Quero, mas o produto entregue é da marca Olé. Os alimentos são entregues diretamente nos colégios, onde não é possível fazer o controle da quantidade.

A CGU ainda aponta descontrole no gerenciamento dos gêneros alimentícios. O resultado foi “muitos produtos vencidos, impróprios para o consumo”, no armazém da Suali (Superintendência de Alimentos). A lista tinha carne, feijão, margarina e temperos. No dia da fiscalização, havia quase uma tonelada de carne estragada no local. O prejuízo medido por conta de produtos estragados foi de R$ 16,5 mil.

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