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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

15/04/2015 09:13

Para conter invasão, Emha dá ultimato e leva desespero a 70 famílias

Alan Diógenes
Casas fechadas estão com mato alto e sendo depredadas por vândalos. (Foto: Alcides Neto)Casas fechadas estão com mato alto e sendo depredadas por vândalos. (Foto: Alcides Neto)
Invasores se revoltaram após Emha os notificar e pedir para sair das casas. (Foto: Alcides Neto)Invasores se revoltaram após Emha os notificar e pedir para sair das casas. (Foto: Alcides Neto)

Cerca de 70 famílias invadiram casas no Residencial José Maksoud, em Campo Grande, nestes últimos dias. Para conter a invasão dos moradores vindos de uma favela no Bairro Moreninha IV, a Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande) os notificou na segunda-feira (13) para deixarem as residências em 24 horas.

Apesar do ultimato que previa a desocupação com a ajuda da polícia e da Guarda Municipal, as famílias permaneceram no local, por que alegam não terem para onde ir. “Tenho uma mulher grávida, seis filhos e uma neta de 2 anos, sem ter onde morar. A gente tava passando necessidades na favela, sendo que aqui as casas estão fechadas. Não estou me negando a pagar, só quero que eles regularizem minha situação”, explicou um dos invasores Wilson Luiz Correa, 40 anos.

A dona de casa Ana Lupe, 21, disse que a Emha esteve no local pedindo que as famílias se retirassem em 24h ou teriam que pagar uma multa de 4 salários mínimos. “Fiquei sabendo que o pessoal estava invadindo e resolvi invadir. Não tenho condições de pagar aluguel, quanto mais para pagar essa multa que disseram que vão dar”, comentou.

A invasora Jacker Barros Ortiz, 31, falou que as casas no Residencial José Maksoud estavam fechadas, com mato alto no quintal, e sendo depredadas por vândalos. “Se estamos aqui é por que precisamos, ninguém vai invadir casa dos outros sem precisar. Até parece que eu morando eu barraco de lona vou desperdiçar a chance de morar em casa de material. O pior é que os funcionários da Emha foram mal educados e disseram que foi algum político que pediu para a gente invadir, tudo mentira”, mencionou.

A dona de casa Thais Alessandro Arce afirmou que alguns inscritos na Emha que ganharam casa, não precisavam do benefício e acabaram vendendo o imóvel. “Tem gente que tem carrão na garagem morando aqui. Outros passaram a casa para frente. Agora a gente não consegue pagar R$ 800 de aluguel, tem que ficar esperando as coisas caírem do céu”, salientou.

O carpinteiro Valdinei de Souza Santos, 35, passou por uma situação diferente. “Morava no Colibri II perto do córrego e a prefeitura nos tirou de lá para construir uma avenida, mas iria indenizar. Até agora essa indenização não saiu e os barracos foram derrubados. Alegaram ainda que estávamos em área de risco. Não tinha onde ficar e acabei vindo para cá”, justificou.

Wilson não tem condições de pagar aluguel com 6 filhos e esposa grávida. (Foto: Alcides Neto)Wilson não tem condições de pagar aluguel com 6 filhos e esposa grávida. (Foto: Alcides Neto)
Jacker disse que Emha se equivocou ao dizer que políticos pediram para famílias invadirem. (Foto: Alcides Neto)Jacker disse que Emha se equivocou ao dizer que políticos pediram para famílias invadirem. (Foto: Alcides Neto)

A agente de saúde Erika Nunes, 30, que tem a situação regularizada, não concorda como a Emha faz a distribuição das casas. “Ao invés deles entregarem tudo de uma vez, estão entregando as casas por etapas e isso leva tempo. É por isso que o pessoal está invadindo, quem precisa não ficar esperando”, finalizou.

A Emha informou que já está em fase de estudo para inabilitar a participação de invasores nos próximos programas habitacionais de interesse social, caso estes se recusem a desocupar as moradias invadidas. Ressaltou ainda que é evidente a atuação política configurada através dessas invasões com o objetivo de desestabilizar a gestão da agência.

Para o diretor-presidente, Enéas José de Carvalho Netto, a invasão causa danos ao patrimônio público e prejudica aqueles que já foram selecionados através do trabalho técnico social e que aguardam o andamento do processo por conta de pendências com documentação.

"Não vamos deixar os genuínos proprietários das casas do José Maksoud à mercê de um público que está com o claro intuito de promover a desordem no local. Já foram identificadas pessoas que estão utilizando as unidades habitacionais construídas com recursos financeiros do Programa Minha Casa, Minha Vida para comercialização de drogas e entorpecentes. A Polícia Militar já identificou casos em que determinados invasores estão utilizando as casas como esconderijo para motocicletas furtadas. Há também um número altíssimo de ligações irregulares de água e luz no local e todos os beneficiários que foram atendidos pelo programa pedem a saída imediata dos invasores", pontuou Enéas Netto.

Contudo, a Emha disse que atua como parceira no sentido de notificar os invasores para que desocupem os imóveis que já possuem beneficiários selecionados pela equipe técnica social da Agência. No momento, a agência não possui projetos habitacionais para os invasores.

Famílias invasoras moravam em barracos construídos em favela no Moreninhas IV. (Foto: Alcides Neto)Famílias invasoras moravam em barracos construídos em favela no Moreninhas IV. (Foto: Alcides Neto)


É muito fácil ganhar bolsa família e outros benefícios que o governo dá pra cada filho que nasce, quero ver trabalhar de sol a sol estudar e ter que bancar o próprio sustento. Não tem condições, não tenha filhos! se planeje, use camisinha e anticoncepcional! Invadir casa alheia é fácil! fazer filho é fácil! Furar fila é fácil! essas pessoas que invadiram a casa dos outros é capaz de fazer qualquer outro tipo de delito!

Inciso XI do Artigo 5 da Constituição Federal de 1988:
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
 
Indignada em 15/04/2015 14:11:29
Tá bom, sou casado, e também não tenho condições de pagar aluguel, estou morando de favor numa casa...e não é por isso que invado casas, também. Esse pessoal, tem energia pra fazer uma renca de filhos, mas e pra arrumar um bom trabalho?! Usa essa situação de quem tem filhos e netos pra criar, pra comover quem? Se as pessoas estão na fila da espera da Emha é porque todos precisam, mas ninguem sai invadindo. Cada um tem a sua hora.
 
Danilo em 15/04/2015 11:57:27
Me desculpem os invasores, mas roubar casa de pobre é sacanagem, invadam os casarões abandonados da Afonso Pena e do Jardim dos Estados, roubar pobre é muita pilantrice, não tem condições de sair mas tava fora da casa faz menos de um mes, agora o coitado do cidadão honesto que tá na fila da Ehma há mais de 5 anos e iria receber uma casinha nova onde ninguem nunca tinha morado, alem de receber a casa atrasada, a casa já foi habitada, provavelmente as paredes internas já estão sujas, já fizeram buracos, enfim, vão receber uma casa usada, sei que uma casa é uma casa mas a espectativa que eles ficam para receber a casa novinha já foi pro brejo, agora é rezar pra receber a casa pelo menos.
 
Max em 15/04/2015 10:06:04
"Invasores se revoltaram após Emha os notificar e pedir para sair das casas"?! Revoltados com o que? Quando invadiram, sabiam que estavam em situação irregular. Infelizmente, não há casas para todos, mas ao alegar: "Não estou me negando a pagar, só quero que eles regularizem minha situação", este senhor se esquece que há outras famílias, em situações as vezes piores que a dele, que estão na fila aguardando a vez. Ao invadirem, tentam burlar o sistema e furar fila. E, gente, me desculpe o excesso de sinceridade, mas SEIS filhos sem ter condições mínimas de pagar sequer um aluguel de casa popular?! Agora a responsabilidade por isso é do Estado?
 
Ari em 15/04/2015 10:01:39
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