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Sabor

Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego

Tudo começou na cozinha de casa, sem CNPJ ou rótulos, apenas tacho, colher de pau e receita de família

Por Natália Olliver | 28/02/2026 07:21
Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
Carla Simone começou a produzir para ajudar marido e hoje tem a própria fábrica (Foto: Senar)

Tudo começou na cozinha de casa. Sem rótulo, sem CNPJ e sem estratégia de mercado. Apenas tacho, colher de pau e receita de família. Carla Simone de Amorim Borges Rodrigues, de 53 anos, decidiu fazer doces em 2020 para ajudar o marido nas despesas da fazenda herdada da família. O resultado foi além do esperado, ela conquistou a própria fábrica de doces caseiros e alcançou sucesso de vendas com um sabor inusitado: queijo com limão galego.

RESUMO

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Carla Simone de Amorim Borges Rodrigues, 53 anos, transformou uma produção caseira de doces em uma fábrica de sucesso em Mato Grosso do Sul. Iniciada em 2020 para complementar a renda familiar, a empreendedora inovou ao criar uma receita exclusiva de queijo com limão galego, que se tornou seu produto mais vendido. A empresa, que começou sem rótulo ou CNPJ, hoje produz cerca de 3 mil potes mensais, comercializados em todo o Brasil. Com um catálogo que inclui mais de 20 variedades de doces tradicionais, geleias e cristalizados, a Brazil Doces mantém vivas as receitas familiares, utilizando frutas da própria fazenda em sua produção.

A receita é especial e foi ensinada pela avó, em Goiás. Nascida no estado e criada em Mato Grosso do Sul, a empreendedora se considera mais sul-mato-grossense do que goiana.

“Elas faziam em copinhos para colocar o doce de leite dentro, mas quando comecei a produzir tive vontade de experimentar o queijo dentro do copinho de doce de limão. O limão que deu certo, depois de vários testes, foi o limão galego. Nunca vi isso em outro lugar, então acredito que posso dizer que a criação é minha”, comenta.

Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
Carla fazendo doce de limão galego para colocar no pote com queijo (Foto: Arquivo pessoal)

Ela começou pequena. Produzia em casa e as filhas vendiam os primeiros potes. Não havia marca estruturada. Era teste, tentativa e erro. A virada veio quando um técnico do Senar, (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), identificou o produto no comércio e procurou a produtora. O atendimento técnico teve início no fim de 2022 e começo de 2023.

“Eu fui criada na fazenda e meus avós, tanto paternos quanto maternos, tinham propriedade rural. Tive o privilégio de conhecer vários doces e aprender com minhas tias e com a minha sogra. Aprendi com meu avô a fazer doce de mamão com rapadura, o furrundum, que vendo muito até hoje".

Já com a bisavó aprendeu o doce de mamão com abacaxi. "Tenho muitas saudades dela. Ela fazia doce de cajá-mangam com banana para esperar os bisnetos. Meu avô tinha os tachos de melado. Lembro dele colocando o mamão com rapadura”, recorda.

Carla foi convidada para participar de uma feira em Lima, no Peru. Levou alguns dos doces que já produzia. A resposta foi positiva. “O pessoal amou". afirma.

Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
Carla e a chácara da família em Camapuã, interior de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo pessoal

O produto autoral virou carro-chefe. O doce de queijo com limão é o campeão de vendas. O pote de 690 gramas custa R$ 44, enquanto a versão menor sai por cerca de R$ 24. Além dele, também lideram as vendas o doce de leite, de mamão enroladinho,  de mamão com abacaxi e o doce de mangaba.

A produção reúne uma linha variada de sabores tradicionais e autorais. Entre os doces estão: doce de queijo; doce de leite com café; de leite com ameixa; de leite com goiaba; doce de mamão com rapadura; de mamão com leite; de figo e abacaxi em calda; doce de figo e pêssego em calda.

Doce de figo com abacaxi; doce de goiaba em pedaços; doce de goiaba pastoso; doce de pêssego; doce da casca de limão; doce de laranja da terra; doce de abóbora; doce de laranja champanhe; doce de figo; doce de araticum; doce de mangaba; e doce de abacaxi, também estão na lista.

A linha de geleias inclui o sabor de morango;  abóbora com coco; laranja; abacaxi; manga; manga com pimenta; manga com maracujá e pimenta; figo e figo com gengibre.

Já na linha de cristalizados, a produção conta com: doce de leite cristalizado; leite com goiabada;  goiaba; laranja; abóbora e doce de mamão.

Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
 Thairine Borges, uma das filhas, leva os doces da mãe para algumas feiras e eventos (Foto Ketlen Gomes)

Carla é formada em Direito e também assistente social. Trabalhou por 17 anos no setor público, mas decidiu que a vida no campo fazia mais sentido. Durante o período em que atuou na área, ouviu comentários que a desagradaram e contribuíram para a decisão de mudar de rumo.

“Outra questão foi para ficar junto do meu esposo. Já fazia muitos anos que eu estava longe dele para que minhas filhas pudessem se formar e estudar. Ele morava na fazenda e eu em Campo Grande, então estava ficando bem difícil. Quando minha filha mais nova, Beatriz, se formou em Odontologia, resolvi vir morar com ele, porque o objetivo sempre foi formar minhas filhas,” relata.

A mudança não foi simples. Foi bem difícil no começo. A fazenda gerava despesas altas. Foi aí que resolveu fazer os doces para ajudar. As frutas são da própria fazenda.

"Hoje produzo em torno de 3 mil vidros por mês e vendemos para o Brasil inteiro. Antes, minha sogra me ajudava, até 2025. Hoje, aos 94 anos, ela quase não vem mais, mas quando vem ainda ajuda”, conta.

Carla afirma que se sente realizada. Diz que é gratificante olhar para trás e perceber que tudo começou na cozinha de casa e que hoje tem uma fábrica legalizada, funcionando dentro das normas sanitárias.

Carla inova em doces caseiros com versão de queijo com limão-galego
Carla e a sogra fazendo doces na fábrica quando ela ainda ajudava na produção (Foto: Arquivo pessoal)

A filha, Thairine Borges, leva os doces da mãe para feiras e eventos.nas cidades. Ela afirma que ver a Brazi Doces crescer vai além da expansão de uma empresa. Para ela, é o resultado de uma vida inteira de dedicação dos pais.

“O percurso até aqui não foi simples. Foi construído com persistência, superando dificuldades que fariam muitos desistirem. Mas eles nunca deixaram de acreditar. Em cada desafio havia a esperança de que daria certo. Acima de tudo, o que nos manteve firmes foi a união da nossa família. Ver meus pais colhendo esse reconhecimento é a prova de que o trabalho feito com amor e integridade dá resultado”, afirma.

Ela acrescenta que cada doce produzido na agroindústria da família carrega essa trajetória de superação e o orgulho de quem nunca soltou as mãos. “Para nós, o sucesso não se mede apenas em potes vendidos, mas na gratidão de ver que a esperança e a união transformaram um sonho em realidade”, conclui.

Encomendas para a fábrica de Carla, Brazi - Brasilidade em doces, podem ser feitas pelo telefone (67) 9998-0125.

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