Onça-pintada vira protagonista em jogo que se passa no Pantanal
Teaser do jogo supera 20 mil visualizações; game mostra biodiversidade pantaneira

Um jogo independente brasileiro coloca o jogador na pele de uma jovém onça-pintada vítima do tráfico de animais silvestres, no Pantanal. Em Yaguareté: The Game, a proposta é que o player viva os desafios da vida selvagem, ao mesmo tempo que entende o equilíbrio da natureza e desenvolver empatia pela biodiversidade pantaneira.
RESUMO
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Um jogo independente brasileiro coloca o jogador no papel de uma jovem onça-pintada vítima do tráfico de animais silvestres no Pantanal. "Yaguareté: The Game" propõe uma experiência imersiva sobre a vida selvagem e a biodiversidade pantaneira, com teaser que já ultrapassou 20 mil visualizações no YouTube. Para garantir autenticidade, os desenvolvedores realizaram pesquisa de campo no Pantanal em 2024, consultando especialistas e profissionais da conservação. O projeto, que inclui micrometragem, cartilha educativa e trilha sonora autoral, busca sensibilizar o público sobre a preservação ambiental através do entretenimento digital.
O teaser que mostra o jogo já ultrapassou 20 mil visualizações no YouTube.
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Para construir a narrativa e as mecânicas do game, os desenvolvedores, que são de Praia Grande (SP), viajaram ao Pantanal em 2024, o que deu mais veracidade em relação a figura da onça e foi um "grande investimento" para a história.
"A gente já tinha essa proposta de fazer sobre onça-pintada", disse a bióloga Ariane Salerno. "A gente assistiu um documentário que falava sobre o Pantanal em chamas, e eu falei: 'a gente pode escrever uma história aqui".
Durante a imersão na regiao de ela e o desenvolvedor do jogo, Lucas Febatis, conversaram com especialistas e profissionais da conservação, que hoje atuam como voluntários técnicos do projeto, entre eles representantes da SOS Pantanal e da Wildplace BR.
"O mais relevante dessa visita foi conectar-se com outras pessoas encantadas com o bioma e com quem trabalha ali no dia a dia, que testemunha o que não está nos livros, como o sr. Luiz Vicente, pantaneiro e etnoecólogo, que deu uma aula em um café da tarde na pousada em que nos hospedamos", disse ela.
A observação direta da fauna influenciou inclusive a jogabilidade, segundo eles. A mecânica de predação da onça, por exemplo, foi dividida em etapas inspiradas no comportamento real do animal — da preparação ao ataque, incluindo a possibilidade de falha.
“Ficamos no barco atentos a cada movimento da onça: todo o preparo, o foco, aquela sprint e, às vezes, a falha."
Para eles, a maior surpresa foi perceber que "conhecer o Pantanal ainda é um turismo internacional", devido a dificuldade de acesso. "Por isso é tão importante mostrar às pessoas as belezas que temos e sua importância. Se não sabem que existe, não se conectam."
Entretenimento com mensagem ambiental
Embora o jogo não seja apresentado como educativo diretamente, a preservação ambiental está no centro da experiência.
Os criadores explicam que a ideia é despertar sentimento e conexão. “A principal mensagem do jogo, além de ser muito massa ser uma onça-pintada no Pantanal, é a valorização da nossa biodiversidade e o respeito à vida selvagem.”
Eles acreditam que, ao viver a jornada da onça, o jogador desenvolve empatia não apenas pela protagonista, mas por todo o ecossistema.
Mercado de jogos
Em um mercado dominado por grandes produções internacionais, o estúdio aposta em criatividade e presença multiplataforma. O projeto nasceu com proposta transmídia: inclui micrometragem no YouTube, cartilha educativa, trilha sonora autoral viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, além de ações em eventos e escolas.
Parcerias também fortalecem a divulgação. A empresa Log Nature apoiou a participação do projeto em eventos de tecnologia aplicada à conservação da biodiversidade. No cenário gamer, a presença em coletivos como o 13 Bits permite que o público teste o jogo e contribua com opiniões.
Os criadores afirmam que a resposta tem sido positiva, inclusive entre pessoas que não costumam jogar videogame. Para eles, levar o Pantanal à cultura geek é uma forma de ampliar o debate ambiental.
Ainda segundo os criadroes, o projeto nasce em um momento de amadurecimento do mercado nacional de games. “O mercado de jogos no Brasil é emergente. Não nos colocamos como especialistas da indústria, mas acompanhamos o fortalecimento dos estúdios nacionais."
De acordo com eles, o setor começa a consolidar propriedades intelectuais próprias e a ganhar reconhecimento cultural. Esse movimento foi fortalecido por políticas públicas e programas de incentivo, que ampliaram a formação profissional e abriram espaço para novos estúdios.
Apesar do crescimento, os desafios ainda são muitos — um dos principais, segundo relatam, é a falta de serviços especializados voltados especificamente para o setor de jogos.
“No caso de Yaguareté, nosso maior desafio tem sido estruturar serviços especializados dentro da indústria criativa de jogos. Grandes publishers já possuem áreas consolidadas de marketing, distribuição e posicionamento estratégico. Porém, quando você é um um estúdio independente e busca, por exemplo, uma pessoa estrategista de marketing focada em jogos, percebemos uma lacuna."
Eles explicam que, muitas vezes, precisam assumir múltiplas funções dentro do próprio estúdio, acumulando tarefas administrativas, estratégicas e criativas. Programas como o Inovativa e o Crie Games, do Sebrae, foram fundamentais nesse processo.
"Esses programas nos transformaram de 'pessoas com o desejo de fazer um jogo' em pessoas efetivamente fazendo um jogo."
Para saber mais informações do jogo, é possível acessar o site, Instagram ou TikTok.



