Para desmistificar a hanseníase, saiba como são feitos o exame e o tratamento
Sesau promoveu ação para divulgar informações sobre a doença e simular teste rápido

Neste Janeiro Roxo, que é o mês de conscientização e combate à hanseníase, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande) realiza uma campanha para quebrar mitos sobre a transmissão, teste e tratamento da doença. Nesta sexta-feira (23), a pasta promoveu uma simulação e divulgou as informações mais importantes para quem suspeita ou teve diagnóstico positivo.
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A hanseníase, antiga lepra ou mal de Lázaro, é uma doença causada pelo bacilo de Hansen que se desenvolve lentamente. Em Campo Grande, a Sesau realiza campanha de conscientização durante o Janeiro Roxo, oferecendo exames clínicos e testes de sangue para familiares e pessoas que conviveram com pacientes infectados. O diagnóstico é realizado em postos de saúde, onde médicos e enfermeiros avaliam manchas e lesões na pele. O tratamento pode durar de 6 a 12 meses, dependendo da forma da doença, e não requer isolamento social. A transmissão ocorre por vias aéreas após contato próximo e prolongado.
Chamada de lepra ou mal de Lázaro no passado, a hanseníase é uma das enfermidades mais antigas que a humanidade conhece. Ela é provocada por uma bactéria conhecida como bacilo de Hansen e se desenvolve lentamente, podendo provocar atrofia muscular, mutilação e cegueira nos casos mais graves.
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Na Capital, o exame clínico e os testes de sangue são controlados e destinados exclusivamente a familiares ou quem conviveu no mesmo local que pessoas doentes por, pelo menos três meses. O período de contato em que geralmente ocorre a transmissão é de seis meses, mas pode ser inferior a isso, como explicou o técnico da Vigilância Epidemiológica da Hanseníase da Sesau, Michael Wilian da Costa.

"São indicados para contactantes de hanseníase que tiveram contato com caso novo que não esteja em tratamento, sendo ele nos últimos dois anos ou mais recentemente. A doença é transmitida pelas vias aéreas, é preciso ter contato próximo e prolongado com alguém. Não é apenas pelo toque, compartilhamento de toalhas e de utensílios podem gerar a transmissão também", ele descreve.
Como são o exame e o teste - Pessoas que tiveram contato com doentes podem procurar um posto de saúde e pedir para serem examinadas. Segundo explica Michael Wilian, ele é feito numa sala de triagem por um médico e um enfermeiro. É preciso despir-se para ser avaliado, já que os primeiros sintomas são manchas e lesões na pele, que podem estar em qualquer parte do corpo.
Se já houver sinais da hanseníase na pele, o teste de sangue não é necessário. Em caso negativo, o paciente é encaminhado para realizá-lo. É necessária apenas uma gota de sangue. A pessoa sente apenas uma "picadinha" em um dos dedos da mão. O resultado fica pronto em apenas 15 minutos.
Quando o resultado é positivo, é feito um acompanhamento, por mais que não haja qualquer sintoma de hanseníase. "O positivo quer dizer que ela teve contato com a bactéria, aí a gente vai fazer avaliações anuais durante cinco anos", afirma o técnico. O acompanhamento é importante para diagnosticar a doença antes que ela se desenvolva e evitar sequelas a longo prazo.
Tratamento - Estão disponíveis nas unidades de saúde dois tipos de tratamento diferentes com medicamentos. O primeiro deles é o paucibacilar, feito por seis meses nos casos da forma menos contagiosa da hanseníase. O outro é o multibacilar, feito por 12 meses para combater a forma mais contagiosa.
A recomendação é de acordo com a quantidade de manchas ou lesões. Acima de cinco lesões, a escolha geralmente é pelo multibacilar.
Hoje em dia não é mais necessário isolar o paciente da convivência familiar e social. Antigamente, isso era motivo de estigmatização e cercava a pessoa doente de preconceitos.
Confusão - Alguns sintomas da hanseníase são parecidos com os de outras doenças e pode haver uma confusão no início, alerta o representante da Vigilância.
Perda de força, diminuição da sensibilidade da pele, "caroços" e lesões pelo corpo são os mais comuns. "A hanseníase tem uma replicação lenta, por isso, não temos como saber ao certo o período de incubação. No início, ela é muito semelhante a outras doenças, o que pode confundir e dificultar o diagnóstico", finaliza.

