ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, SEXTA  23    CAMPO GRANDE 29º

Capital

Para desmistificar a hanseníase, saiba como são feitos o exame e o tratamento

Sesau promoveu ação para divulgar informações sobre a doença e simular teste rápido

Por Cassia Modena e Geniffer Valeriano | 23/01/2026 09:49
Para desmistificar a hanseníase, saiba como são feitos o exame e o tratamento
Com luvas, técnico simula cadastro e se prepara para fazer teste de hanseníase em voluntária (Foto: Marcos Maluf)

Neste Janeiro Roxo, que é o mês de conscientização e combate à hanseníase, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande) realiza uma campanha para quebrar mitos sobre a transmissão, teste e tratamento da doença. Nesta sexta-feira (23), a pasta promoveu uma simulação e divulgou as informações mais importantes para quem suspeita ou teve diagnóstico positivo.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A hanseníase, antiga lepra ou mal de Lázaro, é uma doença causada pelo bacilo de Hansen que se desenvolve lentamente. Em Campo Grande, a Sesau realiza campanha de conscientização durante o Janeiro Roxo, oferecendo exames clínicos e testes de sangue para familiares e pessoas que conviveram com pacientes infectados. O diagnóstico é realizado em postos de saúde, onde médicos e enfermeiros avaliam manchas e lesões na pele. O tratamento pode durar de 6 a 12 meses, dependendo da forma da doença, e não requer isolamento social. A transmissão ocorre por vias aéreas após contato próximo e prolongado.

Chamada de lepra ou mal de Lázaro no passado, a hanseníase é uma das enfermidades mais antigas que a humanidade conhece. Ela é provocada por uma bactéria conhecida como bacilo de Hansen e se desenvolve lentamente, podendo provocar atrofia muscular, mutilação e cegueira nos casos mais graves.

Na Capital, o exame clínico e os testes de sangue são controlados e destinados exclusivamente a familiares ou quem conviveu no mesmo local que pessoas doentes por, pelo menos três meses. O período de contato em que geralmente ocorre a transmissão é de seis meses, mas pode ser inferior a isso, como explicou o técnico da Vigilância Epidemiológica da Hanseníase da Sesau, Michael Wilian da Costa.

Para desmistificar a hanseníase, saiba como são feitos o exame e o tratamento
técnico da Vigilância Epidemiológica da Hanseníase da Sesau, Michael Wilian da Costa (Foto: Marcos Maluf)

"São indicados para contactantes de hanseníase que tiveram contato com caso novo que não esteja em tratamento, sendo ele nos últimos dois anos ou mais recentemente. A doença é transmitida pelas vias aéreas, é preciso ter contato próximo e prolongado com alguém. Não é apenas pelo toque, compartilhamento de toalhas e de utensílios podem gerar a transmissão também", ele descreve.

Como são o exame e o teste - Pessoas que tiveram contato com doentes podem procurar um posto de saúde e pedir para serem examinadas. Segundo explica Michael Wilian, ele é feito numa sala de triagem por um médico e um enfermeiro. É preciso despir-se para ser avaliado, já que os primeiros sintomas são manchas e lesões na pele, que podem estar em qualquer parte do corpo.

Se já houver sinais da hanseníase na pele, o teste de sangue não é necessário. Em caso negativo, o paciente é encaminhado para realizá-lo. É necessária apenas uma gota de sangue. A pessoa sente apenas uma "picadinha" em um dos dedos da mão. O resultado fica pronto em apenas 15 minutos.

Quando o resultado é positivo, é feito um acompanhamento, por mais que não haja qualquer sintoma de hanseníase. "O positivo quer dizer que ela teve contato com a bactéria, aí a gente vai fazer avaliações anuais durante cinco anos", afirma o técnico. O acompanhamento é importante para diagnosticar a doença antes que ela se desenvolva e evitar sequelas a longo prazo.

Tratamento - Estão disponíveis nas unidades de saúde dois tipos de tratamento diferentes com medicamentos. O primeiro deles é o paucibacilar, feito por seis meses nos casos da forma menos contagiosa da hanseníase. O outro é o multibacilar, feito por 12 meses para combater a forma mais contagiosa.

A recomendação é de acordo com a quantidade de manchas ou lesões. Acima de cinco lesões, a escolha geralmente é pelo multibacilar.

Hoje em dia não é mais necessário isolar o paciente da convivência familiar e social. Antigamente, isso era motivo de estigmatização e cercava a pessoa doente de preconceitos.

Confusão - Alguns sintomas da hanseníase são parecidos com os de outras doenças e pode haver uma confusão no início, alerta o representante da Vigilância.

Perda de força, diminuição da sensibilidade da pele, "caroços" e lesões pelo corpo são os mais comuns. "A hanseníase tem uma replicação lenta, por isso, não temos como saber ao certo o período de incubação. No início, ela é muito semelhante a outras doenças, o que pode confundir e dificultar o diagnóstico", finaliza.