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Campo Grande, Sábado, 20 de Abril de 2019

02/11/2018 14:27

Para quem mora longe, Finados é sacola na mão e almoço no cemitério

Enquanto uns estão chegando, o intervalo entre a manhã e tarde, para outros é o momento de achar uma sombra, tirar os sapatos dos pés

Danielle Valentim e Guilherme Henri
Eva trouxe água na sacola, mas deixou para se alimentar nas barraquinhas. (Foto: Guilherme Henri)Eva trouxe água na sacola, mas deixou para se alimentar nas barraquinhas. (Foto: Guilherme Henri)

Neste Dia de Finados, o cemitério Santo Amaro, o maior em número de sepulturas, recebeu visitantes até mesmo no horário de almoço, quando a temperatura medida pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) era de 35°C. Em meio ao entra e sai da multidão, há quem atravessou a cidade de ônibus e foi preparado com a água e a alimentação na sacolinha.

A peregrinação de um cemitério para outro já virou tradição entre muitas famílias. Por isso, o kit guarda-chuva, garrafinha de água e um pãozinho não faltam nas sacolas dos visitantes. Enquanto uns estão chegando, o intervalo entre a manhã e tarde, para outros é o momento de achar uma sombra, tirar os sapatos dos pés ou se alimentar nas barracas dos ambulantes.

Além da saudade e distância entre as residências e o cemitério, a dependência do transporte público é outra razão, apontada pelos visitantes, para que o passeio dure o dia todo.

Acompanhada da mãe, tia e primos, Thais saiu de casa no Bairro Tarumã, por volta das 7h. (Foto: Guilherme Henri)Acompanhada da mãe, tia e primos, Thais saiu de casa no Bairro Tarumã, por volta das 7h. (Foto: Guilherme Henri)

Há 15 anos, a família de Taís Lourenço, de 25 anos, faz o mesmo itinerário e se prepara para passar o dia todo no cemitério. Acompanhada da mãe, tia e primos, a jovem saiu de casa no Bairro Tarumã, por volta das 7h.

“Viemos preparados para passar o dia todo, agora escolhemos um açaí para se refrescar. Nesse momento, um ajuda o outro, e passamos o dia todo para matar a saudade”, disse.

É neste horário de almoço, o momento em que as famílias se reagrupam comem alguma coisa e chegam a tirar os sapatos para descansar. Entre os assuntos das conversas, as lembranças de quem já se foi.

A doméstica Eva Bueno, de 53 anos, aproveitou o intervalo para comer um pastel. Apoiada em uma mureta, contou à reportagem que faz o mesmo trajeto há oito anos, para matar a saudade e cuidar do túmulo de um sobrinho e do pai de sua filha. “Saí cedo de casa, no Bairro Aero Rancho, e enfrentei a baldeação de mais de uma hora”, disse.

Além de levar a água, Joana e a irmã levaram pãezinhos para economizar no almoço. (Foto: Guilherme Henri)Além de levar a água, Joana e a irmã levaram pãezinhos para economizar no almoço. (Foto: Guilherme Henri)

Eva trouxe água na sacola, mas deixou para se alimentar nas barraquinhas. Esse é o segundo cemitério visitado, o primeiro destino foi o do Cruzeiro, na região Norte da Capital. “Agora já estou bem cansada, mas escolhi aqui por último, porque já almoço e depois vou embora. Vou chegar em casa no meio da tarde”, disse.

Bem ao fundo do cemitério, sentada em um dos canteiro, a reportagem encontrou Joana Ferreira, de 59 anos, e a irmã. Aparentemente, cansadas, as irmãs saíram cedo de casa e repetem o roteiro há 15 anos.

Joana mora na Pioneira e a irmã na Vila Carlota, mas neste sábado chegaram cedo para passar o dia todo ao lado do túmulo dos familiares. Além de levar a água, as irmãs levaram pãezinhos para economizar no almoço.

“Depois de três ônibus chegamos no Cruzeiro e depois viemos para cá. Entre o Cruzeiro e o Santo Amaro visitamos pai, mãe e irmão. Depois das visitas devo chegar em casa no fim da tarde”, disse.

Em frente ao cemitério tem de tudo, do caldo de cana ao espetinho, além disso, alguns vendedores passaram oferecendo marmitas a R$ 6. A ideia é se alimentar com as opções dos ambulantes, até porque quanto mais leve a sacola, melhor, para peregrinar por cemitérios.

Entre os três cemitério públicos de Campo Grande, a expectativa da prefeitura é de 160 mil visitas. (Foto; Guilherme Henri)Entre os três cemitério públicos de Campo Grande, a expectativa da prefeitura é de 160 mil visitas. (Foto; Guilherme Henri)


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