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Capital

Sequelas da covid transformaram a rotina de casal, agora unido na reabilitação

Otávio e Edna são alguns dos pacientes que vencem outra etapa, agora no pós-covid, em centro de reabilitação da prefeitura

Por Liniker Ribeiro | 24/02/2021 07:35
Gabriel ficou internado duas semanas e, mesmo depois de receber alta, continuou a apresentar falta de ar (Foto: Kísie Ainoã)
Gabriel ficou internado duas semanas e, mesmo depois de receber alta, continuou a apresentar falta de ar (Foto: Kísie Ainoã)

Onze meses se passaram desde o início da pandemia. Neste período, o “novo normal” mudou a rotina de pessoas no mundo todo, principalmente daquelas que, mesmo com cuidados redobrados, não conseguiram escapar do vírus causador da covid-19. Até mesmo após a “cura”, sequelas provocadas pela doença têm afetado grande parte das “vítimas” do novo coronavírus.

É o caso do ‘seo’ Otávio e da dona Edna dos Santos, de 70 e 64 anos. Marido e mulher precisaram ser internados, no fim do ano passado, após sintomas semelhantes à de uma gripe, febre, perda de olfato e paladar afetarem a vida de ambos. Primeiro ela, que no dia 1º de dezembro, começou a apresentar os primeiros sinais, sendo a internação inevitável seis dias depois.

“Não cheguei a ser intubada, mas anunciaram que estava para acontecer em boletim divulgado a minha família”, explica Edna. Foram 20 dias em leito hospitalar, tendo passado até mesmo o Natal longe da família. “Enquanto alguém estava festando, eu estava comendo comida sem sal, porque a pressão não baixava”, relembra.

Foram dias de luta até o dia da alta. Mas, apesar do alívio de deixar o hospital, marcas provocadas pela covid afetaram a saúde de Edna, que precisou buscar tratamento para o ‘pós-covid’. “Depois da alta eu continuei sentindo muito cansaço, não aguentava nem ir ao portão, e minha pressão não tinha controle, continuava alta, mesmo com a medicação que estou acostumada”, explica.

Otávio, ao fundo, e Edna, à frente, durante sessão em reabilitação (Foto: Kísie Ainoã)
Otávio, ao fundo, e Edna, à frente, durante sessão em reabilitação (Foto: Kísie Ainoã)

Inédito - Na rede básica de saúde, em Campo Grande, a paciente conseguiu ser atendida por programa inédito, no Brasil, que desde janeiro oferece reabilitação a pessoas que apresentam queixas respiratórias ou motoras, como fraqueza e falta de ar ao realizar pequenos ou médios esforços, após a covid.

Com isso, a dona de casa tem se empenhado em voltar ter qualidade de vida, com ajuda de fisioterapeutas, profissionais da educação física e psicólogos. “Hoje em dia estou bem melhor”, ressalta.

O marido, Otávio, também tem batalhado para combater as sequelas. “Sai do hospital sentindo muito cansaço, uma fadiga muito grande, dificuldade para quase tudo”, explica. Desde o mês passado, o casal tem frequentado sessões de fisioterapia e de atividades físicas disponibilizadas por equipe da UERD (Unidade Especializada em Reabilitação e Diagnóstico), na região da Vila Almeida. “Hoje estou bem, com mais vigor, menos cansado”, complementa.

Sessões ajudam pacientes a recuperar quadro respiratório e fortalecer músculos (Foto: Kísie Ainoã)
Sessões ajudam pacientes a recuperar quadro respiratório e fortalecer músculos (Foto: Kísie Ainoã)

Quem também enfrentou a internação foi Gabriel Vicente da Silva, de 40 anos.  Ele precisou procurar fisioterapia após duas semanas no Hospital Regional e apresentar falta de ar após a alta.

“Após a alta, continuei sentindo muita fadiga, cansaço, falta de ar e, de vez em quando, dor de cabeça”. O sintomas destacados retratam quadro delicado enquanto esteve internado. “Me senti muito debilitado, tinha medo do meu quadro se agravar e eu ser intubado, lutei contra isso”, relembra.

Nas sessões, o trabalhador de serviços gerais é atendido por fisioterapeutas e, na área da educação física, faz esteira para fortalecer a musculatura das pernas e exercícios para fortalecer a musculatura dos braços. “Minha respiração melhorou e sinto que não tenho mais a fadiga que eu tinha no começo”, destaca.

Reabilitação – De acordo com a fisioterapeuta Moema Amorim Teixeira, para conseguir atendimento, o paciente passa por uma avaliação com a equipe multidisciplinar e, a partir de então, é traçado o programa de tratamento do mesmo, podendo ser de frequência de duas a três vezes por semana.

“O paciente vai ter acesso à fisioterapia, reabilitação com profissional de educação física e psicologia. Estamos ainda, tentando incluir nutrição, para alguns paciente é necessário”, destaca.

Aparelhos de ginástica são utilizados em sessões de reabilitação (Foto: Kísie Ainoã)
Aparelhos de ginástica são utilizados em sessões de reabilitação (Foto: Kísie Ainoã)

O pedido de encaminhamento deve ser feito na unidade básica de saúde mais próxima pelo profissional médico, via sistema de regulação (Sisreg), acompanhado de atestado de liberação para realização de atividade física.

Para o professor Rafael Furlaneto Bernardinis, em pouco mais de um mês de atividades, pacientes já apresentam resultado satisfatório.

“Temos conseguido a melhora do quadro geral deles, principalmente na parte respiratória e fortalecimento muscular. No caso do Gabriel, por exemplo, o quadro de evolução dele tem sido muito bom. Quando chegou, não conseguia finalizar 10 minutos na esteira, hoje já anda 15 com elevação, para quem não conseguia andar direito é uma evolução muito grande”, comenta.

Além de ajudar com as sequelas provocadas pela covid, as sessões também têm contribuído para identificar outros aspectos que merecem atenção por parte dos pacientes. “O Gabriel tem uma lesão de ombro e temos tratado junto. Além da covid, o que mais a gente pode ajudar para melhorar a qualidade de vida, a gente ajuda. A ideia é tornar eles dependentes de novo”, finaliza.

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