ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, SEXTA  02    CAMPO GRANDE 26º

Cidades

“Audácia”, diz Gaeco sobre banquinhas do bicho mantidas nas ruas pelos Razuk

Investigadores estiveram em Dourados em março deste ano, quando fotografaram o bicho em pleno funcionamento

Por Ângela Kempfer | 02/01/2026 06:59
 “Audácia”, diz Gaeco sobre banquinhas do bicho mantidas nas ruas pelos Razuk
Banca de apostas na calçada da Rua Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa (Foto: Gaeco/Reprodução)

A exemplo da família Name em Campo Grande, o clã Razuk manteve em operação as bancas do jogo do bicho pelas ruas em Dourados mesmo após ter sido alvo da Operação Successione por três vezes. Ao denunciar o patriarca Roberto Razuk, os filhos dele e outros integrantes de organização criminosa dedicada à exploração da loteria ilegal, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) classificou como “audácia” a manutenção dos pontos de aposta em funcionamento “em plena luz do dia”.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou a família Razuk por manter bancas de jogo do bicho em Dourados, mesmo após três operações policiais. O patriarca Roberto Razuk e seus filhos são acusados de liderar uma organização criminosa que opera a loteria ilegal em plena luz do dia. Segundo os promotores, a família mantém domínio absoluto na região, utilizando equipamentos eletrônicos modernos para registrar apostas. O grupo busca expandir suas operações para Campo Grande, diferentemente da família Name, que teve suas 87 bancas removidas em 2020 após a Operação Omertà.

“A organização criminosa liderada por Roberto Razuk e seus filhos continua explorando o jogo do bicho com domínio absoluto em Dourados e região, sem qualquer constrangimento, como se atividade lícita fosse, valendo-se de bancas espalhadas por diversos pontos estratégicos da cidade, onde podem ser anotadas as apostas, o que somente se consegue mediante intensa e sistêmica corrupção policial”, destacam os promotores Gerson Eduardo de Araujo, Tiago Di Giulio Freire, Antenor Ferreira de Rezende Neto e Moisés Casarotto na denúncia.

O documento revela que equipe do Gaeco esteve em Dourados em março deste ano, quando fotografou o bicho em pleno funcionamento “à moda antiga”, conversou com apontadores que indicaram Razuk como o “dono do jogo” e fez apostas para confirmar a atividade.

“Obviamente, as anotações de jogos se modernizaram, pois agora são feitas por equipamentos eletrônicos, facilitando o registro das chamadas pules”, constataram os promotores, que observam: “Mas uma coisa não mudou: a audácia da organização criminosa comandada pelos Razuk, a qual continua em 2025 a desenvolver suas atividades ilícitas sem o menor embaraço, às ‘portas abertas’, em plena luz do dia, a despeito da operação deflagrada com a prisão de importantes membros e da denúncia já oferecida”.

Para os investigadores, o conjunto probatório não deixa dúvidas de que os pontos pertencem a Roberto Razuk e seus filhos: o deputado estadual Roberto Razuk Filho (Neno Razuk), Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O próprio depoimento informal dos anotadores do jogo do bicho reforça essa conclusão. Segundo a denúncia, os cambistas são “unânimes em afirmar que o controle e domínio da atividade, naquela região, é da família ‘Razuk’”.

Por fim, a denúncia sustenta que o domínio consolidado em Dourados explica a estratégia atual da organização. “Tamanha é a predominância da família Razuk sobre a jogatina da cidade douradense”, diz o texto, que aponta que pai e filhos buscam agora monopolizar também o jogo do bicho em Campo Grande, movimento que está no centro das investigações que compõem a Operação Successione.

 “Audácia”, diz Gaeco sobre banquinhas do bicho mantidas nas ruas pelos Razuk
Apontador rcolhendo apostas na Avenida Joaquim Teixeira Alves, em Dourados (Foto: Gaeco/Reprodução)

Em 2020 – Era a manhã de uma quarta-feira e em cinco minutos, foi feita a retirada da primeira de 87 banquinhas usadas há décadas pela organização responsável por explorar o jogo do bicho em Campo Grande. Reflexo da Operação Omertà, também do Gaeco, o fim das estruturas que abrigavam os apontados do bicho nas ruas da Capital escancarou a derrocada da família Name, após a prisão de Jamil (o pai) e Jamil Name Filho, o Jamilzinho, em setembro de 2019.

A primeira cabine arrancada ficava na calçada da Avenida Mato Grosso, em frente ao condomínio Eudes Costa. Não havia ninguém no lugar. Foi preciso um guincho para a operação.

Em setembro de 2020, na fase "Black Cat" da Omertà, as bancas do jogo do bicho na Capital foram lacradas. Depois, uma lista de 107 endereços foi mandada para a prefeitura informando sobre irregularidades na ocupação de calçadas. No dia 25 de novembro, o município publicou edital exigindo a retirada pelos responsáveis.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.