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Capital

"Pedreiro Assassino" diz que matou vítima e jogou em poço por causa de R$ 18 mil

Cleber de Souza Carvalho foi ouvido nesta 5ª na Delegacia de Homicídios, onde correm 7 inquéritos contra assassino em série

Por Marta Ferreira | 04/06/2020 16:27
Cleber de Souza Carvalho deixa a casa onde matou aposentado e jogou corpo em poço, no dia 16 de maio. (Foto: Kísie Ainoã)
Cleber de Souza Carvalho deixa a casa onde matou aposentado e jogou corpo em poço, no dia 16 de maio. (Foto: Kísie Ainoã)

O pedreiro Cleber de Souza Carvalho, 43 anos, foi ouvido nesta quinta-feira (4) pela Polícia Civil, como parte das investigações dos sete assassinatos e ocultação de cadáver confessados por ele quando foi preso, em 15 de maio, pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar. Dessa vez, o interrogatório foi no inquérito sobre o crime que vitimou o aposentado Timóteo Pontes Romã, 62 anos, encontrado morto no dia 16 de maio, em poço desativado de cerca de 10 metros, nos fundos da casa onde vivia, na Rua Netuno, Vila Planalto, em Campo Grande.

Preso desde 15 de maio, o “Pedreiro Assassinato” assumiu, segundo a polícia, 7 assassinatos. Para cada um, foi aberto inquérito em separado e, portanto, haverá um depoimento na DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), responsável pelos trabalhos.

Cleber, segundo a reportagem apurou,  fez confissão formal nesta manhã e alegou ter "saído de si" durante discussão por dívida da vítima tinha com ele, no valor de R$ 18 mil, que já perdurava há pelo menos cinco anos, afirmou.

De acordo com a história contatada pelo “Pedreiro Assassino”, conheciam Timóteo de longa data, em torno de 20 anos. Pessoas próximas ouvidas, porém, relataram diferente. Disseram ser estranhos um para o outro.

O que diz o pedreiro- A versão dada pelo criminoso nesta manhã na DEH  é de um diálogo, dia antes do crime, no qual Cleber afirma ter feito cobrança do pagamento do valor emprestado com juros de agiota ao aposentado.

Nessa conversa, segundo o investigado, Timóteo prometeu pagar em breve e até chamou o pedreiro para um serviço na calçada da residência dele, no dia 3 de maio.

Na data, afirmou o serial killer, ele chegou no lugar e não havia material para trabalhar. Disse ter aproveitado para cobrar novamente a dívida e, diante de resposta negativa, acabou ficando muito irritado, matado a vítima a pauladas de cabo de picareta. Depois, jogou o corpo num poço desativado.

Na sequência, fugiu.  Antes recolheu documentos do lugar, os quais disse ter queimado.

A polícia considera essa versão tão frágil. Para a investigação, Cleber comete os crimes para ficar com bens das vítimas. A apuração mostra, inclusive, que ele já tinha oferecido o imóvel de Timóteo para um conhecido morar.

Mortes confessadas pelo "Pedreiro Assassino" ocorreram todos na mesma região de Campo Grande. (Arte: Thiago Mendes)
Mortes confessadas pelo "Pedreiro Assassino" ocorreram todos na mesma região de Campo Grande. (Arte: Thiago Mendes)

Mortes em série – O homicídio ocorreu no dia seguinte ao do comerciante José Leonel Ferreira dos Santos, 61 anos, em 2 de maio. Foi a descoberta dessa morte, no dia 7 de maio, a responsável pela polícia chegar até o “Pedreiro Assassino”.

Nesta data, familiares de José Leonel estranharam a ausência dele, inclusive nos WhatsApp, foram até a residência dele, na Vila Nasser, onde também havia um pequeno mercado na parte da frente. Encontraram a esposa de Cleber, Roselaine Tavares Gonçalves, 40 anos, e  a filha dele, Yasmim Natasha Gonçalves, de 19 anos.

Foram as duas, segundo divulgado pela polícia, que confessaram o crime e indicaram onde estava enterrado o corpo do comerciante. Cleber foi preso uma semana depois, por policiais militares do Batalhão de Choque, na casa de parentes no Jardim Presidente.

Isso ocorreu no dia 15, de madrugada. Ao longo do dia e até o sábado, 16, o serial killer confessou aos policiais militares e civis outras seis mortes e ajudou a localizar os restos mortais, em terrenos e quintais de residência nos quais tinha interesse. São áreas, conforme revelou o Campo Grande News, disputadas na Justiça, sobre as quais os moradores, apesar de viverem há bastante tempo, não têm título de propriedade.