Pela 6ª vez, USF Vila Carlota tem fios furtados e atendimentos cancelados
Crime ocorreu pela segunda vez somente nesta semana e afetou cerca de 200 pacientes nesta sexta-feira
A USF (Unidade de Saúde da Família) da Vila Carlota, em Campo Grande, foi alvo de furto de fios de energia pela sexta vez em menos de dois meses. Somente nesta semana, esta é a segunda ocorrência registrada no local.
RESUMO
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A USF da Vila Carlota, em Campo Grande, foi furtada pela sexta vez em menos de dois meses, com ladrões levando fios de energia e danificando o padrão elétrico. A unidade atende cerca de 200 pessoas por dia e abrange 11 bairros. Com a falta de energia, consultas são canceladas, prejudicando pacientes que aguardam até 60 dias por atendimento. Funcionários e comerciantes cobram segurança no local, que permanece sem vigilância.
Na terça-feira, a reportagem esteve na unidade após outro furto interromper o fornecimento de energia. Nesta sexta-feira, retornou ao endereço depois de receber a denúncia de que ladrões haviam invadido novamente o posto e levado a fiação elétrica. Quando a equipe chegou, agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) estavam no local.
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Na primeira visita, uma grade produzida por uma funcionária protegia o padrão de energia e dificultava o acesso aos fios. Nesta sexta-feira, até a estrutura havia sido furtada. O padrão também estava danificado, indicando que os criminosos tentaram levar o equipamento.
Na terça-feira, funcionários relataram que a energia havia sido restabelecida por volta das 15h. Após o novo furto, a equipe precisou abrir outro chamado junto à prefeitura e informou que registraria um novo boletim de ocorrência, repetindo os mesmos procedimentos realizados nos casos anteriores.
Segundo os funcionários, esta é a sexta vez, em menos de dois meses, que a unidade fica sem energia por causa do furto da fiação. O posto atende cerca de 200 pessoas por dia. Quando o fornecimento é interrompido, as consultas e os demais atendimentos precisam ser reagendados.
Conforme apurado pela reportagem, a unidade recebe moradores de cerca de 11 bairros e regiões da Capital. São atendidos pacientes de parte do Centro e dos bairros Jardim Paulista, Vila Progresso, Vilas Boas, Coopharadio, Rita Vieira, Morumbi, Albuquerque, Mansur, Vila Ieda e áreas adjacentes.
Paciente remarca consulta pela quarta vez - O paciente Welvio Antônio Paes, de 76 anos, procurou a unidade nesta sexta-feira para uma consulta. Segundo ele, esta é a quarta vez que precisa remarcar o atendimento por causa da falta de energia.
“Depois que a gente consulta aqui, é de um mês para o outro. Você não consegue uma consulta em 15 ou 20 dias. É mais ou menos uma média de 60 dias para conseguir”, afirmou.

Welvio disse que, mesmo após enfrentar a espera, os pacientes ainda correm o risco de chegar ao posto e encontrar o serviço interrompido.
“No fim das contas, acontecem essas tragédias. Roubam os fios e queimam os computadores. A gente perde a viagem. Você acorda cedo para conseguir lugar e, quando chega, não é atendido porque não tem luz. Ainda por cima, roubam o posto”, relatou.
Morador da região, ele cobra mais segurança para impedir novos crimes no local. “Poderiam colocar um guarda aqui durante a noite. Eu moro perto, mas tenho que acordar cedo, porque, senão, não consigo consultar”, disse.
Para o paciente, a sequência de furtos provoca revolta e prejudica principalmente quem já esperou semanas pelo atendimento.
“É uma barbaridade. É duro chegar aqui e não ser atendido, mesmo com a consulta marcada. Hoje tudo depende de computador e de tecnologia. Se não estiver funcionando, não tem atendimento”, afirmou.
Furto também prejudica comerciantes - Jennifer Fernanda Rojas, de 26 anos, vende salgados em frente à unidade há dois meses. Durante esse período, ela afirma ter acompanhado toda a sequência de furtos.
“É a sexta vez que cortam a fiação. Isso prejudica todo mundo, tanto a população quanto a equipe que trabalha lá dentro. Também me prejudica, porque dependo das vendas para ganhar o meu pão”, contou.
Segundo Jennifer, parte dos pacientes culpa os funcionários pela interrupção dos serviços, apesar de a equipe não ter autonomia para resolver o problema de segurança.
“Eles culpam principalmente os funcionários por não fazerem nada, mas os funcionários estão de mãos atadas. Dependem da prefeitura e não têm muito o que fazer. Um médico chegou a comprar uma câmera, por conta própria, para instalar hoje e tentar fazer alguma coisa. Só que a fiação foi furtada”, disse.
A comerciante também destacou que muitos pacientes precisam de consultas e exames e não têm facilidade para procurar atendimento em outros locais.

“A população precisa do serviço. Muitos têm problemas de saúde, precisam fazer exames e passar por consultas. Este é o local mais próximo para eles. Quando precisam procurar outras unidades, acabam aumentando a lotação e prejudicando ainda mais o atendimento”, afirmou.
Jennifer demonstrou preocupação com a possibilidade de um novo furto durante o fim de semana. Segundo ela, após as ocorrências, o fornecimento costuma ser restabelecido rapidamente por se tratar de uma unidade de saúde, mas o prédio permanece sem vigilância.
“Normalmente, a Energisa dá prioridade por causa da saúde e coloca a energia até o fim da tarde. Mas como fica durante o fim de semana, sem nenhum cuidado? Aqui não tem guarda, não tem nada, ninguém. O acesso fica mais fácil e não haverá funcionário no dia seguinte para avisar. Muitas vezes, chega segunda-feira e não tem mais fiação”, relatou.

Depois de acompanhar os casos ocorridos nos últimos dois meses, ela teme que o problema se repita novamente nos próximos dias.
“Eu já tenho experiência e sei como vai acontecer. Infelizmente, na segunda ou na terça-feira, vão roubar a fiação de novo, caso não façam alguma coisa”, concluiu.
O Campo Grande News solicitou posicionamento à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) sobre os furtos recorrentes na unidade, a suspensão dos atendimentos, a previsão de restabelecimento da energia e as medidas que serão adotadas para reforçar a segurança do local e aguarda retorno.
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