ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, SEGUNDA  19    CAMPO GRANDE 18º

Capital

PM diz que acidente que matou vigilante poderia ter sido evitado por segundos

Policial descreveu a destruição no local, durante audiência, e relatou que se surpreendeu com a cena

Por Clara Farias e Maurício Aguiar | 19/10/2026 15:13

O acidente que matou a vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, no Centro de Campo Grande, poderia ter sido evitado por uma diferença de poucos segundos, segundo afirmou um policial militar ouvido nesta segunda-feira (19), durante a primeira audiência de instrução e julgamento do caso. De acordo com o agente do Batalhão de Trânsito, Miriam não teve possibilidade de desviar ou fazer qualquer manobra para escapar da caminhonete Chevrolet S10 conduzida pelo militar do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, que avançou o sinal vermelho no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Em audiência realizada nesta segunda-feira (19), em Campo Grande, um policial militar afirmou que a vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, não teve chance de evitar a colisão que a matou em junho, na Rua Maracaju. Segundo ele, o militar do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, e o passageiro apresentavam sinais de embriaguez, e o bafômetro deu positivo. O motorista de um Virtus, atingido antes pela caminhonete, também depôs. O réu deve ser ouvido à tarde.

Lotado no Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, o policial relatou que se surpreendeu com a destruição encontrada no local. Segundo ele, havia destroços espalhados pela via, a parte dianteira da motocicleta foi arrancada pelo impacto e a caminhonete Chevrolet S10 atingiu a estrutura de uma clínica particular após a colisão.

“Eu estou habituado a atendimentos de trânsito, mas foi uma situação bem complexa no local”, afirmou durante a audiência.

Ao responder às perguntas da assistência de acusação, o policial explicou que Miriam trafegava pela faixa da esquerda e já estava em movimento quando foi atingida. Conforme o relato, um veículo que estava ao lado da motociclista começou a andar após a abertura do semáforo, mas a mulher acabou atingida pela caminhonete.

Para o policial, a vítima não poderia ter feito qualquer manobra para evitar o acidente. Ele acrescentou que a tragédia poderia ter sido evitada por uma diferença de poucos segundos.

Ainda segundo ele, o corpo da vítima ficou a mais de 20 metros do ponto de impacto. Já a caminhonete girou cerca de 180 graus e parou de ré, próximo à clínica. Para ele, a força da colisão indicava que o veículo trafegava acima da velocidade permitida, embora tenha ressaltado que não se lembrava da medição exata registrada no croqui da ocorrência.

PM diz que acidente que matou vigilante poderia ter sido evitado por segundos
Corpo de motociclista caído e caminhonete ao fundo (Foto: Osmar Veiga)

Embriaguez

Durante o depoimento, o policial afirmou que Victor e o passageiro da caminhonete apresentavam sinais de embriaguez. Entre os indícios observados estavam o odor de álcool e alterações no comportamento. Uma garrafa de bebida destilada também foi encontrada no interior da S10.

Segundo ele, Victor foi encaminhado para atendimento médico e, posteriormente, submetido ao teste do bafômetro na delegacia. O resultado foi positivo para ingestão de álcool. Conforme o relato, o militar aceitou realizar o teste.

Outro ponto abordado na audiência foi a colisão envolvendo a S10 e um Volkswagen Virtus antes do acidente fatal. De acordo com o policial, o motorista do outro carro relatou que foi atingido e tentou acompanhar a caminhonete para conversar com o condutor.

PM diz que acidente que matou vigilante poderia ter sido evitado por segundos
Garrafa de conhaque apreendida pelos perítos dentro da caminhonete conduzida por Victor Vicentin (Foto: Osmar Veiga)

O policial afirmou que, depois dessa primeira batida, Victor seguiu pela Rua Maracaju e avançou o sinal vermelho no cruzamento com a Rua Padre João Crippa, atingindo a motocicleta conduzida por Miriam. A dinâmica do acidente também foi abordada a partir de imagens de monitoramento.

O motorista do Virtus, que trabalha como motorista de aplicativo, contou em juízo que transportava uma passageira quando sentiu um forte impacto na lateral esquerda do carro, que atingiu a porta do lado do condutor e o para-choque dianteiro.

Ao perceber a batida, viu que a caminhonete já estava distante e passou a buzinar e acionar o farol alto para tentar fazer o motorista parar. Como não conseguiu mais visualizar o veículo, pediu à passageira que tentasse filmá-lo ou fotografá-lo. Pouco depois, ouviu o barulho da colisão entre a caminhonete e a motocicleta de Miriam. Ele ressaltou que não viu o momento do acidente fatal.

Ao chegar ao cruzamento, o motorista disse que ficou abalado com a cena. “Eu tremi todo ao ver a moça e o cara a fugir”, relatou. Em seguida, parou o carro e desceu. Segundo ele, havia várias pessoas no local e a caminhonete estava bastante destruída, mas não chegou a ver quem estava ao volante.

O motorista também negou ter ameaçado ou tentado interceptar a caminhonete. Segundo ele, apenas buzinou e acionou o farol alto para tentar fazer o condutor parar após atingir seu veículo.

Além do policial que atendeu à ocorrência e do motorista de aplicativo, também está sendo ouvido Luan Leandro Alves, amigo de Victor que estava com ele no momento do acidente. A previsão é que o réu seja ouvido ainda na tarde desta segunda-feira.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.