Mensagem sem resposta marcou o início do pior dia da família de Miriam
Ela morreu em acidente provocado por militar bêbado, mas não querem que sua história se resuma a isso
Na família de Miriam Rosa Matos, havia um ritual que se repetia todos os dias. Logo cedo, uma das irmãs enviava uma mensagem de "bom dia". Quando não era Rosemeire Belarmino de Matos, de 48 anos, era Miriam quem fazia questão de iniciar a conversa. Na manhã de 20 de junho, porém, a mensagem nunca chegou.
RESUMO
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A família de Miriam Rosa Matos, de 44 anos, morta em acidente de trânsito causado pelo militar do Exército Victor Vicentin Rocha, em Campo Grande, fala pela primeira vez sobre a tragédia. A irmã Rosemeire relata a dor da perda e pede que Miriam seja lembrada como mulher batalhadora. O acusado responde por homicídio doloso e embriaguez ao volante, e a família aguarda decisão sobre habeas corpus que pede revogação da prisão preventiva.
Horas depois, preocupada com o silêncio incomum, Rose ligou para o celular da irmã. Quem atendeu foi um policial militar. Do outro lado da linha, veio a confirmação da notícia que mudaria para sempre a rotina da família: Miriam, de 44 anos, havia morrido em um acidente de trânsito provocado pelo militar do Exército Victor Vicentin Rocha, em Campo Grande.
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Quase um mês depois da tragédia, a família decidiu falar pela primeira vez. Ainda tentando conviver com o luto, os parentes dizem esperar que Miriam seja lembrada por quem foi, uma mulher batalhadora, que deixou Mato Grosso há cerca de 20 anos para buscar oportunidades em Campo Grande, e não apenas pela forma como morreu.
"Tá difícil, viu? Muito difícil. Minha mãe... a gente começa a conversar com ela e já saem as lágrimas. Aí eu corto o assunto. Foi arrancado um pedaço da gente", resume Rose.
Natural de Mato Grosso, Miriam morava em Campo Grande desde o início da vida adulta. Segundo a irmã, ela decidiu deixar a cidade natal porque enxergava na Capital uma oportunidade de trabalhar, estudar e construir um futuro melhor.
"Ela era uma pessoa muito tranquila, muito gente boa, incrível. Ela foi procurar uma vida melhor. Estudou, se formou e ainda estava estudando", conta.
Além de buscar crescimento profissional, Miriam ajudava a mãe e fazia questão de manter a família unida, mesmo morando a centenas de quilômetros de distância.
Rose vive em Rondonópolis (MT), enquanto a mãe mora em Planalto da Serra (MT). Sempre que saía de férias, Miriam percorria o caminho para visitar todos. "Como eu moro no caminho, ela sempre passava um dia comigo. Depois ia para a casa da nossa mãe e, na volta, fazia a mesma coisa."
A rotina também era mantida pelo celular. "Todos os dias tinha um bom dia. Quando não era eu, era ela quem mandava."
Por isso, o silêncio daquela manhã chamou atenção. "Naquele sábado ela não respondeu. Eu já estava para ligar quando meu irmão me telefonou dizendo que uma prima tinha avisado sobre um acidente."
Sem conseguir esperar, Rose ligou para o celular da irmã. "Quem atendeu foi um policial. Quando ele começou a enrolar, eu já não consegui falar mais nada. Meu marido pegou o telefone e pediu que falasse a verdade. Depois disso, eu nem lembro de mais nada."
Segundo a família, Miriam havia acabado de sair do trabalho e seguia para casa quando foi atingida pela caminhonete conduzida por Victor. "Ela estava voltando para casa para descansar. É muito difícil pensar nisso. Ela saiu da nossa cidade para construir uma vida melhor e aconteceu uma coisa dessas."
A ausência também é sentida pelos oito sobrinhos, que, segundo Rose, tinham uma relação muito próxima com a tia. "Os sobrinhos eram tratados como filhos. Está fazendo muita, muita falta."
A irmã faz questão de dizer que a história de Miriam não pode ser resumida ao acidente que tirou sua vida.
Ela correu atrás dos sonhos dela. Era uma pessoa batalhadora, maravilhosa. É assim que queremos que ela seja lembrada."

Processo avança - Enquanto tenta lidar com o luto, a família acompanha o andamento do processo criminal. Segundo o advogado Tallis Lara, que representa os familiares, a Justiça recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul contra Victor Vicentin Rocha pelos crimes de homicídio doloso e embriaguez ao volante.
A pedido da família, o Judiciário também autorizou a habilitação dos parentes como assistentes de acusação, permitindo que acompanhem mais de perto a ação penal.
Nesta semana, foi juntado aos autos o laudo necroscópico, que concluiu que Miriam morreu em decorrência de politraumatismo causado por ação contundente provocada pelo impacto da colisão.
"A família espera que o acusado permaneça preso. Não entende como alguém mata uma pessoa inocente e pode responder ao processo em liberdade", afirma Tallis.
A defesa do militar impetrou habeas corpus pedindo a revogação da prisão preventiva, mas, segundo o advogado, a Procuradoria de Justiça já se manifestou pela manutenção da prisão.
Agora, a expectativa da família é acompanhar cada etapa do processo até o julgamento. "O que a família busca é Justiça por Miriam", conclui o advogado.
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