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Capital

Por descontos, alunos de 4 universidades acionam OAB e Defensoria

Pedido de ajuda é assinado por 11 dirigentes estudantis da UCDB, Uniderp, Anhanguera e Unigran

Por Anahi Zurutuza | 28/05/2020 17:48
Entrada principal do campus da Uniderp em dia de Enem, cena que não será vista tão cedo (Foto: Fernanda Palheta/Arquivo)
Entrada principal do campus da Uniderp em dia de Enem, cena que não será vista tão cedo (Foto: Fernanda Palheta/Arquivo)

Representantes de acadêmicos de 4 universidades de Campo Grande entregaram à OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Mato Grosso do Sul) e à Defensoria Pública relatório com relatos e dados sobre o sistema de ensino adotado pelas instituições desde a chegada da pandemia a Mato Grosso do Sul. Os estudantes pleiteiam a interferência dos órgãos para negociar coletivamente descontos de 10% a 30% nas mensalidades enquanto durar o regime remoto de aulas.

No documento, assinado por 11 dirigentes estudantis da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Uniderp, Anhanguera e Unigran, há reclamações sobre a qualidade do ensino on-line. “Em algumas matérias os docentes se limitam a referenciar como material de apoio vídeos gravados por outros profissionais e retirados de outras plataformas virtuais, sendo que em alguns vídeos o formato não é de aula e o público alvo não foi eleito necessariamente como graduandos”.

Criticam ainda a dificuldade de acesso às plataformas digitais, o que, segundo os estudantes, “impossibilita a realização do estudo com base no regime remoto nos horários mais convenientes”, e ainda destacam que “alguns acadêmicos que não possuem condição financeira de arcar com as tecnologias”.

“Observamos assim que a opção eleita pelas faculdades privadas para dar continuidade no plano de ensino sem interrupção do calendário escolar, limitando-se a suspender as aulas presenciais com a instalação do ensino de Regime Remoto e a sua projeção sobre todas as matérias lecionadas nas faculdades da grade 2020, não tem garantido a prestação de serviço com qualidade equivalente ou semelhante àquela contratada inicialmente”.

Lembram que com o método, os campi conseguem fazer economia. “Gastos com a manutenção da estrutura acadêmica foram presumidamente reduzidos, como água, energia elétrica, limpeza, alimentação, logística, serviços específicos terceirizados, mão de obra específica para determinados serviços”.

No parecer, os acadêmicos ressaltam que, por outro lado, os gatos em casa aumentaram. “Houve a imperiosa necessidade dos acadêmicos, evidentemente dentro da capacidade financeira de cada um, adaptarem-se ao novo formato, notadamente com novos investimentos como planos de internet, inclusive instalação mecânica, e aquisição de aparelhos e ferramentas tecnológicas necessárias para o acesso ao sistema on-line, quer hardware, como notebooks, computadores, mouse, teclado, tablet, roteadores, entre outros, quer softwares, como sistemas operacionais e programas virtuais indispensáveis”.

Por isso, querem que as universidades negociem coletivamente das mensalidades e criem medidas para facilitar os pagamentos dos valores já devidos por quem não conseguiu manter os boletos em dia.

De acordo com Vitor Elizeu Lima Guilhem, presidente do Centro Acadêmico de Direito da Uniderp, os estudantes aguardam serem chamados pelos órgãos que procuraram para definir estratégias de negociação. Por enquanto, nenhuma outra medida foi tomada.

Universidades - Nesta semana, por meio das assessorias de imprensa, algumas universidades se manifestaram.

A UCDB informou que "segue acompanhando o desdobramento da pandemia e entende a dificuldade que muitas famílias estão passando", mas que "a Instituição atendeu todas as normativas do Ministério da Educação, Conselhos de Educação e outras instituições oficiais e, apesar do caso fortuito que estamos vivendo, a UCDB continua oferecendo temporariamente as aulas e atividades acadêmicas com interação de 100% entre os professores e os estudantes". Por fim, garantiu que "estão sendo realizadas negociações individuais com estudantes que comprovam dificuldades relacionadas ao pagamento de mensalidades".

Já a Uniderp disse que "suspendeu suas atividades presenciais para contribuir nas ações preventivas à propagação da covid-19". "Para manter a qualidade do conteúdo e garantir suporte total aos nossos alunos, as aulas estão sendo ministradas pelos professores de forma remota. Os docentes seguem utilizando a mesma estrutura das aulas presenciais e trabalhando em jornada integral para que não haja qualquer prejuízo ao currículo e calendário escolar".

A instituição não prevê redução nas mensalidades. "Uma vez que o valor cobrado mensalmente corresponde a uma parcela do custo total do ano ou semestre letivo em curso, entende-se que as mensalidades escolares não devem sofrer qualquer impacto