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Capital

Por dia, prefeitura recebe 23 ligações sobre pedidos de dinheiro em semáforos

Em 2020 e 2021, SAS fez 3 mil abordagens, mas maioria recusa emprego e prefere pedir esmola

Por Caroline Maldonado | 20/09/2021 12:36
Pedinte em cruzamento da Capital. (Foto: Arquivo/Kísie Ainoã)
Pedinte em cruzamento da Capital. (Foto: Arquivo/Kísie Ainoã)

Não se sabe se as pessoas ligam porque se irritam ou querem ajudar, mas a Prefeitura de Campo Grande recebe cerca de 23 ligações por dia, de gente que pede uma providência para pedintes, na Capital.

A equipe da Secretaria de Assistência Social atende essas ligações e vai atrás de cada caso, mas muitos não são novidade para a prefeitura. A maioria, segundo a SAS, recusa ajuda da assistência social e vagas de emprego, porque prefere pedir esmola.

Em 2020 e 2021, foram feitos 3.227 atendimentos com pessoas de rua. Desses, apenas 926 foram encaminhados ao mercado de trabalho, o que representa 28%. Isso não significa que essas pessoas aceitaram o emprego, porque ainda há casos de gente que vai até a entrevista com a empresa e depois desiste.

Titular da SAS, José Mário Antunes da Silva. (Foto: Marcos Maluf)
Titular da SAS, José Mário Antunes da Silva. (Foto: Marcos Maluf)

Do total, 2.036 atendimentos foram a estrangeiros, a maioria venezuelanos. Desses, 661 voltaram para a cidade em que têm família, ou seja, somente 32% deles.

Os venezuelanos são maioria e os que mais recusam ajuda, segundo o titular da SAS, José Mário Antunes da Silva. “Temos vagas para acolhimento com toda estrutura para atendê-los, com local de estadia e alimentação. Oferecemos passagem para que viajem para onde eles têm família ou emprego ou ainda oferecemos vagas de emprego aqui na cidade, mas eles recusam tudo isso. Até fogem da gente, quando a equipe vai abordar novamente”, conta o secretário.

As vagas de emprego são de todos os tipos. Tem para pessoas com e sem experiência, com ou sem faculdade e com deficiência, conforme o diretor-presidente da Funsat (Fundação Social do Trabalho), Luciano Silva Martins. “Já aconteceu de vir gente chorando por uma oportunidade de emprego qualquer, porque precisava muito e encaminhamos para uma vaga. Depois de fazer a entrevista, a pessoa desistiu, porque tinha que trabalhar aos sábados”, lamenta Luciano.

Alguns usam crianças e outros alegam ter deficiência para pedir esmolas, segundo levantamento da SAS.

Diretor-presidente da Funsat (Fundação Social do Trabalho), Luciano Silva Martins. (Foto: Marcos Maluf)
Diretor-presidente da Funsat (Fundação Social do Trabalho), Luciano Silva Martins. (Foto: Marcos Maluf)

“Nos casos dos que recusam ajuda, não temos como saber se são mesmo deficientes, mas o fato é que eles têm benefício social, por isso, é muito difícil aceitar um emprego”, comenta José Mário, ao lembrar que os que ganham BPC (Benefício de Prestação Continuada), perdem o valor se entrarem em algum emprego.

A política de benefício do governo federal existe para apoiar, com um salário mínimo mensal, idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de qualquer idade. “Eles, muitas vezes, preferem fazer um dinheiro extra por meio de esmolas”.

Hoje (20), a Funsat tem 330 vagas exclusivas para deficientes e outras 700 vagas aceitam os chamados PCD (Pessoas com Deficiência), conforme o titular da Funsat.

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