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Capital

Prefeitura diz ter R$ 38 milhões para obras emergenciais na Ernesto Geisel

No início do mês, o Campo Grande News mostrou que a falta de estrutura, aliada a imprudência dos condutores, fazem da Avenida Ernesto Geisel a 2ª mais violenta de Campo Grande

Por Luana Rodrigues | 10/01/2017 14:16
Avenida tem erosões que já tomam conta das vias. (Foto: Adriano Fernandes)
Avenida tem erosões que já tomam conta das vias. (Foto: Adriano Fernandes)

O perigo das erosões pode estar chegando ao fim em alguns trechos da Avenida Ernesto Geisel. A prefeitura informou que tem R$ 38 milhões para obras de contenção das erosões e recapeamento na avenida às margens do Rio Anhanduí, em Campo Grande.

Em decisão dada em dezembro, o TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) estipulou prazo de 90 dias para que a prefeitura comece obras emergenciais.

"Este dinheiro será suficiente para executar o projeto no trecho mais crítico, entre a Rua Santa Adélia (em frente do Shopping Norte Sul) até a Avenida Manoel Costa", informou a prefeitura nesta terça-feira (10).

Ainda de acordo com a equipe de Marquinhos Trad (PSD), em um primeiro momento não será possível fazer obras até a Avenida Campestre, no Aero Rancho, "porque a Prefeitura precisaria de quase R$ 30 milhões de contrapartida", informou. O Executivo Municipal ainda não estipulou prazo para início dos trabalhos.

Decisão - A decisão é do juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, Marcelo Ivo de Oliveira, e atende um pedido feito pelo MPE (Ministério Público Estadual), em novembro de 2016. Ainda de acordo com a decisão, caso descumpra a ordem, o município receberá multa diária de R$2 mil.

De acordo com o documento, o município tem o prazo de 90 dias para dar início às obras nos trechos denominados lotes 1 – que compreende a Rua Santa Adélia até a Rua da Abolição -, 2 – trecho da Rua da Abolição até a Rua Bom Sucesso - e 3 – subtrecho da Rua Bom Sucesso até a Rua Aquário.

Os trechos são considerados mais críticos, conforme avaliação do MPE, e precisam de um muro de contenção com alças, escavação para remoção do sedimentos que estão depositados no leito do rio, bem como compactação da pavimentação asfáltica atingida pela erosão.

2ª mais violenta – No início deste mês, o Campo Grande News mostrou que a falta de estrutura em uma das principais avenidas da cidade, aliado a imprudência dos condutores, fazem da Avenida Ernesto Geisel uma das mais violentas de Campo Grande.

Além do desmoronamento de partes da avenida e os problemas com enchente, sem que haja medidas de contenção, são mais de sete quilômetros de vias esburacadas, as margens do rio Anhanduí e sem guard rail.

Em 2016, a Ernesto Geisel foi a segunda com maior número de acidentes em Campo Grande, com 254 ocorrências de janeiro até dezembro. Em pelo menos três deles, cinco pessoas morreram.
Além da preocupação quanto a um trânsito inseguro quem vive por lá, também se queixava de um projeto milionário de revitalização que nunca saiu do papel.

“Se ela fosse revitalizada, tivesse as pistas recapeadas ou até aumentadas, com instalação de mais redutores, talvez os motoristas controlassem mais ao volante e por consequência os acidentes talvez diminuíssem”, conta o empresário Tauri Florencio Hoffman da Silva, de 52 anos.

Avenida tem erosões que já tomam conta das vias. (Foto: Adriano Fernandes)
Avenida tem erosões que já tomam conta das vias. (Foto: Adriano Fernandes)

Problemas – Além da buraqueira, que aumenta o risco de acidentes quando os condutores desviam das crateras, o rio Anhanduí ainda recebe muito do esgoto e lixo que é produzido na cidade. O curso d’água também cobra seu “espaço” natural com erosões, que ao poucos invadem as pistas em diversos pontos.

A mais grave fica em frente ao Shopping Norte Sul Plaza, onde a prefeitura improvisou com postes de madeira a sinalização que indica o desvio de uma cratera que começou a ceder o asfalto.

Mas ao fim da avenida, as manilhas no fundo de dois buracos com pelo menos três metros de altura, ao lado do viaduto da Avenida Graciliano Ramos, são reflexos das erosões formadas depois que tubulação de escoamento de água da chuva se rompeu.

Projeto - O projeto que prevê a revitalização da avenida teve seis anos de planejamento foi licitado e até iniciado em 2012, ao custo de R$ 68 milhões, ainda na gestão do ex-prefeito Nelsinho Trad, mas foi interrompido no ano seguinte, já que após a posse do prefeito cassado, Alcides Bernal (PP), a construtora que deveria realizar a obra acabou sendo desligada do projeto.

Desde então foram muitas as promessas de retomada, sendo que a última ordem de licitação foi lançada em março de 2015, sobre a administração de Gilmar Olarte e com a promessa de ser dividida em seis etapas.

A obra contemplaria além da canalização e a revitalização das margens do rio, o recapeamento da avenida Ernesto Geisel numa extensão de 7,5 quilômetros, no trecho entre a rua Santa Adélia (em frente do shopping Norte Sul Plaza) até a avenida Campestre, no bairro Aero Rancho.

Seriam implantadas seis praças de convívio; pista de caminhada e 8,5 quilômetros de pista de ciclovia, além de defensas metálicas em pontos de risco para queda de veículos no rio.

No leito do rio Anhanduí iriam se construídos muros laterais com placas de concreto e sistema gabião para a drenagem da água e a urbanização com grama das margens. Para evitar erosão e manter o leito estabilizado, seriam instalados travessões a cada 20 metros.

No entanto o projeto emperrou novamente e quando retornou ao cargo de prefeito, Bernal prometeu novamente destravar as obras até janeiro de 2016. Antes disso duas empresas que foram vencedoras dos primeiros processos licitatórios desistiram da obra e em seguida a prefeitura revogou a licitação em julho daquele mesmo ano de 2015.

- Matéria editada às 15h32, para acréscimo de informações.

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