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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

02/03/2015 17:03

Prefeitura faz limpeza de cemitérios, mas cenário ainda é de abandono

Flávia Lima
Muro quebrado no Santo Amaro facilita invasão. Mato toma conta de túmulos que ficam no fundo do terreno. (Foto:Marcos Ermínio)Muro quebrado no Santo Amaro facilita invasão. Mato toma conta de túmulos que ficam no fundo do terreno. (Foto:Marcos Ermínio)

A sujeira e o mato alto continuam sendo motivo de reclamações da população que frequenta os cemitérios públicos de Campo Grande. A situação mais grave foi constatada no cemitério Santo Amaro. No local, apesar de uma equipe da Seinthra (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) realizar serviços de capinagem e limpeza, é possível constatar a situação geral de abandono do cemitério.

Segundo um funcionário da administração, que preferiu não se identificar, a equipe da Seinthra começou a limpeza há pelo menos duas semanas, porém, como o número de funcionários é pequeno, o serviço deve demorar para ser concluído.

O responsável pela administração do cemitério espera agilidade, já que, de acordo com ele, as pessoas que tem familiares sepultados no local reclamam com frequência da manutenção. Quanto ao muro que está deteriorado, o administrador ressalta que o conserto também será feito aos poucos.

Até o momento, os serviços de manutenção ainda não atingiram 50% do cemitério, que tem 27,03 hectares. Os túmulos localizados nas quadras próximas a entrada já estão livres do mato, mas a situação é bem diferente nas sepulturas que ficam no fundo do terreno. Nessa área, é quase impossível identificar os túmulos, cobertos pelo matagal. Restos de construção, lixo e pedaços de jazigos quebrados se misturam ao cenário de abandono.

Com uma equipe de menos de 20 pessoas, segundo o administrador do cemitério, os trabalhos devem perdurar até o próximo mês. O problema é que, mesmo após a conclusão do serviço, o cemitério continuará com um aspecto de abandono, pois vários túmulos estão depredados, sem contar a própria sede da administração que necessita de pinturas e reparos. Os banheiros utilizados pela população estão sujos e sem condição de serem usados.

Somado a todos esses problemas, outra dificuldade para quem costuma visitar os túmulos é o calçamento (ou a falta dele), em todo o cemitério. As vias entre as quadras estão com o asfalto totalmente quebrado, provocando acidentes. Uma das vítimas foi a sogra do aposentado José Severino da Silva, que a cada dois meses vai ao local fazer a manutenção do túmulo de sua mãe. Ele conta que em uma das ocasiões foi acompanhado pela sogra, que acabou caindo devido aos buracos das vias.

Hermínia Afonso revela que limpeza no Santo Amaro não era feita desde o final de 2014. (Foto:Marcos Ermínio)Hermínia Afonso revela que limpeza no Santo Amaro não era feita desde o final de 2014. (Foto:Marcos Ermínio)
O aposentado José Severino da Silva acredita que a falta de limpeza ajuda no descaso da própria população. (Foto:Marcos Ermínio)O aposentado José Severino da Silva acredita que a falta de limpeza ajuda no descaso da própria população. (Foto:Marcos Ermínio)

Ele ressalta que a situação do Santo Amaro estava pior no ano passado e que apesar do atual serviço de manutenção, o cemitério precisaria de uma reforma geral. “Muita gente não se preocupa em manter as sepulturas dos familiares porque vê a sujeira do local e fica desanimado”, diz.

Vizinha do cemitério, a cuidadora de idosos Hermínia Afonso, também acusa a prefeitura de ter abandonado a manutenção do Santo Amaro desde o final de 2014. Ela também diz que a falta de calçamento é o problema mais grave. “Meu irmão que era cadeirante não pode ir ao sepultamento do próprio tio porque não há vias de acesso para deficientes”, protesta.

A falta de manutenção não se restringe ao interior do cemitério. Antes mesmo de chegar ao local já é possível verificar o abandono pela situação do muro que cerca o terreno. Em toda sua extensão há pontos quebrados em dois trechos que margeiam a rua Fernando Noronha, ele desabou. Placas de aço galvanizado foram colocadas de improviso, mas devido a ação do tempo também já não apresentam qualquer segurança, facilitando a invasão no local.

Já no cemitério São Sebastião, conhecido como Cruzeiro, que atualmente conta com 32.766 sepulturas e é o maior cemitério público da Capital, o cenário de sujeira começou a ser amenizado também há duas semanas. De acordo com uma funcionária da administração, a equipe da prefeitura no local não passa de dez pessoas, mas 50% do terreno já foi limpo, no entanto, o abandonado acumulado de vários anos exige uma reforma completa no local.

Prova disso é a casa da administração, que está totalmente deteriorada, obrigando os funcionários a transferir o serviço para uma sala na capela que funciona ao lado do cemitério. As ruas entre as quadras ainda são de terra, porém, os túmulos estão em melhores condições. Na manhã desta segunda-feira (2), funcionários realizavam serviço de capinagem, mas os troncos, galhos e folhagens espalhados no chão contrastavam com a limpeza que estava sendo feita. A remoção do entulho deve ser feita após a conclusão do serviço.

Licitação

Apesar de um aviso de licitação ser publicado no dia 9 de dezembro do ano passado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande), informando a contratação de empresa para limpar os cemitérios públicos, a prefeitura, através da Seinthra ainda é a responsável pela manutenção dos três cemitérios públicos da Capital.

Procurada pela reportagem do Campo Grande News, a assessoria da Seinthra não retornou para explicar o que ocorreu com a licitação e se de fato ela foi validada. Também não foi informado se há projeto de uma reforma geral nos cemitérios para melhorar a infraestrutura oferecida à população.

Funcionários da prefeitura tiram o mato em volta dos túmulos do Cruzeiro. (Foto:Marcos Ermínio) Funcionários da prefeitura tiram o mato em volta dos túmulos do Cruzeiro. (Foto:Marcos Ermínio)
Sede da administração do cemitério Cruzeiro necessita de reforma geral. (Foto Marcos Ermínio)Sede da administração do cemitério Cruzeiro necessita de reforma geral. (Foto Marcos Ermínio)


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