Promessa de fundador fez de Santo Antônio padroeiro e deu feriado à Capital
Devoção nasceu durante a fundação da cidade, no século 19, mas dia de folga só foi oficializado em 2001

Seja católico ou não, todo morador de Campo Grande tem um motivo para conhecer a história de Santo Antônio. Além de dar nome à primeira povoação que originou a Capital, o santo português é o padroeiro da cidade e responsável pelo feriado municipal celebrado neste sábado, 13 de junho.
RESUMO
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Campo Grande celebra neste sábado, 13 de junho, o feriado municipal em homenagem a Santo Antônio, padroeiro da cidade. A devoção remonta a 1872, quando o fundador José Antônio Pereira fez uma promessa ao santo durante uma epidemia. Cumprida a promessa, ergueu uma capela que originou o Arraial de Santo Antônio de Campo Grande. O feriado foi oficializado pela Lei Municipal 3.901, de 2001.
Conhecido em todo o Brasil como o "santo casamenteiro", Santo Antônio de Pádua está ligado diretamente à fundação de Campo Grande. A devoção remonta ao século 19 e nasceu de uma promessa feita pelo fundador da cidade, José Antônio Pereira, durante a viagem que o trouxe ao sul do então Mato Grosso.
A história começa em 1872, quando José Antônio Pereira deixou Montes Claros (MG) em busca de terras para criação de gado e agricultura. Durante a jornada rumo ao Centro-Oeste, a comitiva precisou interromper a viagem por cerca de três meses em Santana de Paranaíba devido a uma epidemia descrita nos registros históricos como uma "febre maligna", possivelmente malária.
Segundo relatos preservados pela Igreja Católica, José Antônio, que possuía conhecimentos de farmácia e homeopatia, ajudou a tratar os moradores da região. Durante aquele período, fez a promessa de que se nenhum integrante de sua caravana morresse, construiria uma capela em homenagem a Santo Antônio de Pádua, de quem era devoto.
A promessa foi cumprida. Após chegar ao destino em segurança, ele ergueu uma pequena capela de pau a pique entre 1876 e 1877, próxima à confluência dos córregos Prosa e Segredo, local considerado o marco inicial da ocupação que deu origem a Campo Grande.
"Foi ali que José Antônio, devoto de Santo Antônio de Pádua, fizera um voto: se não perdesse um só dos seus, quando aqui chegasse, faria uma igreja para o seu santo amigo", registram documentos históricos da antiga matriz. A partir disso, o povoado passou a ser conhecido como Arraial de Santo Antônio de Campo Grande, nome que acompanhou o desenvolvimento da futura Capital sul-mato-grossense.
Da capela à catedral – A primeira capela foi inaugurada em março de 1878 pelo padre Julião Urquia, de Nioaque. Com o crescimento da cidade, novas construções foram substituindo o templo original.
Em 2 de abril de 1912, foi criada a primeira paróquia de Campo Grande. Anos depois, a antiga igreja deu lugar à Matriz de Santo Antônio. Em 1930, o prédio recebeu duas torres e passou a ser uma das principais referências urbanas da cidade.
Na década de 1970, a construção foi demolida por problemas estruturais. O atual templo começou a tomar forma nos anos seguintes e, em 1991, durante a visita do Papa João Paulo II a Campo Grande, foi elevado à condição de Catedral Metropolitana.
Hoje, a Catedral Nossa Senhora da Abadia e Santo Antônio, localizada na Travessa Lydia Baís, na região central da cidade, permanece como um dos principais símbolos religiosos da Capital.

Quem foi Santo Antônio? – Apesar de ser conhecido como Santo Antônio de Pádua, ele nasceu em Lisboa, Portugal, em 1195. Batizado como Fernando de Bulhões, ingressou ainda jovem na vida religiosa.
Posteriormente, entrou para a ordem franciscana, adotando o nome Antônio. Ficou conhecido pela capacidade de pregação, pelos relatos de milagres e pelo trabalho junto aos mais pobres.
Ele morreu em 13 de junho de 1231, na cidade italiana de Pádua, aos 36 anos. Menos de um ano depois, foi canonizado pelo papa Gregório IX, em um dos processos mais rápidos da história da Igreja Católica.
A fama de santo casamenteiro surgiu a partir de histórias que relatam a ajuda prestada por Antônio a jovens sem recursos financeiros para se casar. Na Europa medieval, o casamento dependia frequentemente do pagamento de dotes.
Segundo a tradição católica, Santo Antônio ajudava famílias pobres a reunir recursos para que seus filhos pudessem constituir família. Com o passar dos séculos, a devoção ganhou força no Brasil e transformou Santo Antônio no santo mais associado aos relacionamentos amorosos.
Outra tradição popular ligada ao santo é o bolo de Santo Antônio. A origem remonta a um milagre atribuído ao religioso, quando uma criança teria sido trazida de volta à vida após as orações da mãe. Como forma de agradecimento, a família passou a distribuir pão aos pobres. No Brasil, a tradição foi adaptada para os bolos distribuídos nas paróquias.
Em Campo Grande, a Catedral realiza há mais de duas décadas a distribuição do bolo de Santo Antônio. Todos os anos são colocadas centenas de alianças na massa, símbolo da esperança de quem busca um relacionamento ou deseja fortalecer a vida familiar.
Quando a data virou feriado? – Embora muita gente associe o dia 13 de junho apenas às celebrações religiosas, a data não é feriado nacional. A folga depende de leis municipais que reconhecem Santo Antônio como padroeiro local.
O feriado municipal foi oficializado pela Lei Municipal nº 3.901, promulgada em 28 de outubro de 2001 pelo então presidente da Câmara Municipal, Nelson Trad Filho (PSD). A legislação também instituiu o dia 13 de junho como o Dia do Padroeiro de Campo Grande.
Em Mato Grosso do Sul, além de Campo Grande, o município de Batayporã, a 311 quilômetros da Capital, também adota o feriado em homenagem ao santo português.
Já em 2019, a data foi incluída no Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul por meio da Lei Estadual nº 5.458, sancionada pelo então governador Reinaldo Azambuja (PL).

Pelo Brasil, a celebração de Santo Antônio também interrompe o expediente em diversas cidades. Em São Paulo, o feriado ocorre em Osasco (SP), Piracicaba (SP) e Americana (SP). No Rio de Janeiro, a data é comemorada com folga em Duque de Caxias (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Teresópolis (RJ) e Volta Redonda (RJ).
Em Minas Gerais, a tradição se mantém em Juiz de Fora (MG), Governador Valadares (MG), Campanha (MG) e Diamantina (MG). A lista inclui ainda Caravelas (BA), Alagoinhas (BA), Jequié (BA) e Ruy Barbosa (BA), na Bahia; Garanhuns (PE), em Pernambuco; Campo Maior (PI), no Piauí; Borba (AM), no Amazonas; Propriá (SE), em Sergipe; e Zé Doca (MA), no Maranhão.
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