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Juiz vê premeditação e condena dupla por assassinato de padre a marretadas

Leanderson Júnior confessou ser o responsável pelo crime e foi sentenciado a 22 anos em regime fechado

Por Ana Paula Chuva e Helio de Freitas, de Dourados | 28/07/2026 09:47
Juiz vê premeditação e condena dupla por assassinato de padre a marretadas
João Victor (à esquerda) e Leanderson (à direita), ambos foram condenados pelo crime (Foto: Arquivo)

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou Leanderson Oliveira Júnior e João Victor Martins Vieira pela morte do padre Alexsandro da Silva Lima. O crime aconteceu em novembro de 2025, em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. A sentença foi assinada pelo juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 2ª Vara Criminal.

RESUMO

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou Leanderson Oliveira Júnior a 22 anos de reclusão pela morte do padre Alexsandro da Silva Lima, ocorrida em novembro de 2025 em Dourados. João Victor Martins Vieira recebeu pena de quatro anos por participação nos crimes subsequentes. O juiz rejeitou a tese de legítima defesa e reconheceu premeditação, baseando-se em mensagens encontradas no celular do principal réu.

No documento, o magistrado reconhece que o principal acusado, Leanderson, praticou latrocínio - roubo seguido de morte - e ainda ocultou o cadáver, fraudou a cena do crime e corrompeu adolescentes para a prática dos delitos. Já João Victor foi condenado por furto qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescentes.

Leanderson acabou condenado a 22 anos de reclusão, além de seis meses de detenção e 40 dias-multa, em regime fechado. João Victor recebeu pena de quatro anos de reclusão, seis meses de detenção e 40 dias-multa, em regime inicial aberto. O alvará de soltura foi expedido.

Segundo a sentença, no dia 14 de novembro de 2025, Leanderson foi até a residência oficial da Igreja Católica, onde o padre morava, para subtrair bens e o veículo da vítima. Durante a ação, atingiu Alexsandro com golpes de marreta na cabeça e, posteriormente, com facadas no pescoço, provocando sua morte. Em seguida, fugiu com o Jeep Renegade pertencente à Mitra Diocesana de Dourados.

No dia seguinte, já acompanhado de João Victor e duas adolescentes, o grupo retornou ao imóvel, limpou o sangue da residência para dificultar a investigação, furtou diversos objetos domésticos e transportou o corpo da vítima até um matagal, onde o cadáver foi abandonado.

Os utensílios levados da casa foram encontrados posteriormente na residência de João Victor.

Juiz vê premeditação e condena dupla por assassinato de padre a marretadas
Corpo da vítima foi encontrado enrolado em tapete ao lado de mata (Foto: Leandro Holsbach)

Premeditação 

Na sentença, o magistrado destacou que as provas demonstraram que o crime foi planejado. Um dos principais elementos considerados foi uma mensagem extraída do celular de Leanderson, enviada antes do homicídio ao adolescente que o acompanhava.

Na conversa, o acusado escreveu: "Em vamo fazer o bagulho primeiro ai nós pega o dinheiro ou nós já mata logo de uma vez quando chegar lá?", evidenciando, conforme o juiz, que a intenção de matar e roubar existia antes mesmo do encontro com a vítima.

Por esse motivo,  Cassavara rejeitou a versão apresentada por Leanderson de que teria reagido após uma suposta tentativa de abuso sexual por parte do padre. Para a Justiça, essa alegação ficou isolada e “não encontrou respaldo nas demais provas reunidas durante o processo”.

Também foi afastada a tese de João Victor de que teria participado dos fatos apenas por medo do corréu. O juiz observou que houve diversos momentos em que o jovem poderia ter abandonado a empreitada criminosa ou acionado as autoridades, mas optou por permanecer auxiliando na ocultação do cadáver, na limpeza da residência e no furto dos objetos.

Crueldade

Na dosimetria, o juiz considerou grave a forma como o crime foi cometido. A sentença destaca que a morte ocorreu com golpes de marreta e faca dentro da residência da vítima, que era sacerdote e morava em imóvel pertencente à Igreja Católica, circunstâncias agravadas pela premeditação comprovada durante o processo. Esses fatores elevaram a pena-base aplicada a Leanderson.

Apesar de ambos os réus terem confessado parte dos fatos e serem menores de 21 anos à época do crime, o magistrado entendeu que as atenuantes não alteravam significativamente a responsabilização pelos delitos reconhecidos na sentença.

Juiz vê premeditação e condena dupla por assassinato de padre a marretadas
Perito nesta manhã na casa onde padre foi assassinado (Foto: Leandro Holsbach)

Caso

Responsável pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Douradina, o padre Alexsandro foi encontrado morto na tarde de 15 de novembro do ano passado, na região do Distrito Industrial, em Dourados. A vítima estava desaparecida desde a noite anterior.

A vítima morava no Jardim Vival dos Ipês, mas não era vista desde a noite de ontem. A polícia foi avisada sobre o sumiço após o celular do padre ser encontrado no bairro Jardim Canaã I.

Equipes continuaram em diligências até que, durante a madrugada, encontraram o carro do padre, um Jeep Renegade preto, com dois homens. Os policiais do SIG (Setor de Investigações Gerais) abordaram o veículo e a dupla confessou o crime.

A vítima tinha marcas de facadas no pescoço e ferimentos na cabeça provocados por golpes de martelo. O padre foi morto na casa onde morava. O corpo estava enrolado em um tapete ao lado de uma área de mata.

Juiz vê premeditação e condena dupla por assassinato de padre a marretadas
Alexsandro era pároco em Douradina e sumiu na noite de sexta-feira (Foto: Direto das Ruas)


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