Santa Casa Saúde vai à Justiça reaver R$ 3,5 milhões em impostos
Decisão aponta cálculo irregular em tributo pago por operadora de plano desde 2015
A Santa Casa Saúde venceu uma disputa tributária contra o Município de Campo Grande e pode reaver mais de R$ 3,5 milhões em ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) pago a mais. O processo, que se arrasta desde 2020 e chegou a quase 4 mil páginas, está agora na fase de cálculo do valor que deve ser devolvido.
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A Santa Casa Saúde venceu disputa tributária contra Campo Grande e pode recuperar mais de R$ 3,5 milhões em ISSQN cobrado indevidamente. A Justiça reconheceu que o município tributava toda a receita da operadora, incluindo valores repassados a médicos e clínicas credenciadas. O processo está na fase de cálculo do valor a ser devolvido, que pode chegar a R$ 3.553.980,08.
Mesmo assim, essa ação foi movida pela Operadora de Planos Privados de Saúde Santa Casa Saúde Ltda., e não pela Associação Beneficente Santa Casa, o hospital. Esse detalhe é importante para evitar confusões. O caso trata do plano de saúde ligado à marca Santa Casa, registrado na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), e não de repasses do SUS (Sistema Único de Saúde), atendimento hospitalar ou dívida assistencial.
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A discussão começou porque a operadora alegou que a prefeitura cobrava ISS sobre toda a receita recebida com as mensalidades dos usuários. Segundo a tese da empresa, o imposto incidia também sobre valores que apenas passavam pelo caixa do plano e depois eram repassados a médicos, clínicas, laboratórios e hospitais credenciados.
A Justiça acolheu parte da tese. A sentença declarou ilegal a base de cálculo usada pelo Município e limitou a cobrança do imposto à comissão recebida pela operadora. Em termos simples, o entendimento foi o seguinte: se o dinheiro não ficou com a Santa Casa Saúde, mas foi repassado a prestadores de serviço, ele não poderia entrar integralmente na conta do ISS da operadora.
Com isso, Campo Grande foi condenado a devolver o imposto pago a mais desde 23 de abril de 2015. O processo, então, saiu da fase de discutir se havia cobrança indevida e entrou na etapa dos cálculos.
Em decisão publicada no mês passado, o juiz Claudio Muller Pareja analisou divergências apresentadas pelas partes sobre os cálculos feitos pela Contadoria Judicial. A Santa Casa Saúde questionou documentos apresentados pelo Município e também a forma de aplicação da taxa Selic, usada para atualização do valor. Os dois argumentos foram rejeitados.
Pelos cálculos da Contadoria Judicial, o ISS devido seria de R$ 1.237.972,67, enquanto o valor efetivamente pago chegou a R$ 4.791.952,75. A diferença apontada como valor a recuperar ficou em R$ 3.553.980,08. A diferença entre o cálculo apresentado pela parte e o cálculo judicial foi pequena, de R$ 31,32.
Antes disso, o próprio Município já havia apontado como incontroverso o valor de R$ 3.427.094,27, ao alegar excesso de execução. Ou seja, mesmo na conta da prefeitura, havia uma parcela que não estava mais em discussão.
A decisão mais recente não significa, por si só, que o dinheiro já tenha sido liberado à Santa Casa Saúde. O que ela mostra é que a cobrança considerada irregular já foi reconhecida judicialmente e que o processo está concentrado na definição final do valor a ser restituído.
Tese central do caso é comum em disputas tributárias envolvendo planos de saúde. A operadora recebe a mensalidade do usuário, mas parte desse dinheiro é usada para pagar a rede credenciada. A briga é saber se o imposto municipal deve incidir sobre tudo o que entra no caixa ou apenas sobre a parcela que fica com a operadora como taxa de administração.
No caso da Santa Casa Saúde, a Justiça entendeu que a base usada pelo Município foi maior do que deveria. Agora, resta definir quanto a prefeitura terá de devolver, com correção. O Campo Grande News questionou a gestão municipal sobre essa situação e ainda não houve um posicionamento oficial sobre esse processo judicial.
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