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Direto das Ruas

Mesmo com plano de saúde, mãe de bebê com bronquiolite luta por leito de CTI

Ela procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, que pediu a transferência até quarta-feira (3)

Por Cassia Modena e Bruna Marques | 01/06/2026 13:45
Mesmo com plano de saúde, mãe de bebê com bronquiolite luta por leito de CTI
A pequena Aurora tem 5 meses e está com quadro preocupante de bronquiolite (Foto: Direto das Ruas)

Mãe de Aurora, de 5 meses, a nutricionista Danielle dos Santos Couto sofre com a demora para a transferência da filha para um leito de CTI (Centro de Terapia Intensiva). A bebê foi internada com bronquiolite no Prontomed da Santa Casa de Campo Grande na última sexta-feira (29) e até o início da tarde desta segunda-feira (1º) a vaga não havia sido liberada pelo Santa Casa Saúde, plano pago desde que a filha nasceu.

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Mãe denuncia demora na transferência da filha de 5 meses para CTI em Campo Grande. A bebê Aurora foi internada com bronquiolite no Prontomed da Santa Casa na sexta-feira (29), mas o plano de saúde Santa Casa Saúde não liberou a vaga. A Defensoria Pública foi acionada e o prazo para transferência é quarta-feira (3). A Santa Casa não se manifestou.

Segundo Danielle, os primeiros sintomas apareceram na terça-feira. Na madrugada de quarta-feira, ela levou a filha ao hospital. A médica que avaliou a bebê informou, conforme relato da mãe, que se tratava de um quadro viral. Naquele momento, Aurora apresentava tosse intensa, secreção, catarro e febre. A orientação foi manter a lavagem nasal em casa.

A situação piorou na sexta-feira, no fim do dia, quando a mãe percebeu que a menina estava com dificuldade para respirar. “Ela estava muito cansada, muito mesmo”, relatou Danielle.

Mãe e filha chegaram à unidade por volta das 18h e, segundo a nutricionista, aguardaram cerca de três horas por atendimento médico. Mesmo com o cansaço respiratório, Aurora teria recebido pulseira verde na classificação de risco.

Danielle afirma que a filha só foi atendida depois que ela e a irmã, Larissa, voltaram à sala de triagem para pedir ajuda. “Falamos: ‘Moça, olha como ela está’. Então a funcionária disse que pediria para a médica atendê-la”, contou.

Após a avaliação médica, foi constatado chiado no peito. O médico prescreveu uma medicação de resgate e solicitou raio-X. Enquanto aguardava o exame, Aurora piorou rapidamente. Segundo a mãe, a enfermeira percebeu o estado da bebê e decidiu priorizar o resgate.

“Durante o procedimento, a Aurora ficou roxa e desfaleceu. Ela estava no colo, e a equipe saiu correndo com ela para a ala vermelha. Colocaram oxigênio, e ela melhorou”, relatou Danielle. O episódio ocorreu na sexta-feira à noite.

No sábado, a bebê foi levada para a área laranja, mas voltou para a área vermelha após novo agravamento do quadro. Desde sábado de manhã, conforme a mãe, a família aguarda uma vaga no CTI infantil. Danielle disse que chegou a assinar os papéis que autorizam a internação no CTI no sábado de manhã (30), mas que, até então, a paciente seguia no mesmo local.

Ainda no sábado, no fim do dia, Aurora teve outra piora significativa e precisou ser colocada em alto fluxo. No domingo, também no fim do dia, passou a usar CPAP, equipamento de suporte respiratório que ajuda a manter as vias aéreas abertas. Segundo a mãe, a bebê está estável neste momento, mas segue com indicação prioritária para transferência.

“Disseram que vão remanejar, que não tem leito, mas vão liberar. Hoje, o médico me disse que a Aurora tem pontuação máxima para transferência e que a próxima vaga que surgir é dela”, relatou a mãe.

Falta de suporte - Danielle afirma que percorreu vários setores do hospital em busca de respostas. Segundo ela, procurou a recepção, abriu reclamação no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), buscou o NIR (Núcleo Interno de Regulação) e também conversou com a assistente social. A resposta, segundo a mãe, é sempre a mesma: não há vaga disponível.

“O plano de saúde não me deu nenhum tipo de assistência. Ninguém me entregou nenhum documento, e ninguém conseguiu me dar uma informação clara. Apenas dizem que não há vaga, ou um setor joga a responsabilidade para o outro”, afirmou.

A nutricionista também reclama da dificuldade para obter laudo e prontuário da filha. Ela diz que pediu o prontuário da bebê, mas foi informada de que o documento não poderia ser entregue no local onde Aurora está internada. Ao ligar para o setor indicado, recebeu a informação de que precisaria comparecer pessoalmente para assinar papéis e que o prazo para entrega poderia chegar a 30 dias, após assinatura médica.

No sábado, segundo Danielle, ela pediu um laudo ao médico que acompanhava a criança, mas ouviu que ele não poderia fazer o documento por falta de tempo. No domingo, uma médica entregou relatórios referentes ao plantão dela, mas a mãe afirma que ainda não tem acesso ao quadro evolutivo completo da filha desde a entrada na unidade.

“Hoje pela manhã, pedi novamente um laudo, mas a médica disse que eu não precisava, porque o relatório entregue pela médica do plantão anterior já serviria”, contou.

A nutricionista procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira para intervir no caso e ajuizar uma ação judicial, caso a bebê não seja transferida para o CTI em breve.

Segundo a mãe, o prazo dado para o Santa Casa Saúde se manifestar e transferir a menina é até esta quarta-feira (3), mesmo que seja para o CTI de outro hospital particular.

Danielle também pretende entrar com uma ação por entender que a demora e a falta de providências ferem o Direito do Consumidor.

“Como mãe, eu fico revoltada. A impressão que dá é que minha filha está definhando na área vermelha do pronto atendimento, sem ser encaminhada para o local adequado. Ninguém toma providência”, afirmou.

Apesar das críticas, Danielle reconhece que a filha está sendo assistida no pronto atendimento e com suporte respiratório. A reclamação é que, segundo ela, o local não seria adequado para a gravidade do caso.

“Graças a Deus, ela está sendo assistida e está com o aparelho de suporte respiratório. Mas ela não está recebendo o tratamento a que tem direito. Ela deveria estar em uma UTI, onde teria supervisão 24 horas e uma equipe multidisciplinar adequada ao caso dela”, disse.

A mãe afirma estar “revoltada e desesperada” com a indefinição. “Minha filha está aqui, sem previsão de vaga no CTI. O quadro dela está estável agora, mas pode se agravar. Ela tem direito ao melhor tratamento, e esse tratamento não está sendo garantido. Aqui ela está sendo assistida, mas este não é o local apropriado para a situação dela. O caso dela exige um CTI infantil, para que ela tenha tudo o que precisa”, completou.

Ao Campo Grande News, a Santa Casa de Campo Grande informa que, conforme comunicado pelo Núcleo Interno de Regulação, a paciente Aurora Couto Loureiro já está sendo remanejada para leito de UTI, garantindo a continuidade do tratamento necessário.


Matéria editada às 15h para acréscimo da resposta da Santa Casa.


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