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Capital

Sensação de impunidade fez Victor Hugo matar jovem carbonizado, rebate defesa

Advogados de sentenciado por homicídio dizem que cliente agiu por descontrole emocional, mas aceita pena

Por Natália Olliver | 26/04/2024 13:20
Victor Hugo durante julgamento nesta terça-feira em Campo Grande (Foto: Geniffer Valeriano)
Victor Hugo durante julgamento nesta terça-feira em Campo Grande (Foto: Geniffer Valeriano)

Os advogados de Victor Hugo de Matos Rech, 24 anos - condenado a 10 anos de prisão nesta terça-feira (23), por matar o jovem Mikael Douglas Sobrinho, também de 24 anos, queimado em 2022 - dizem que a sensação de impunidade, diante do crime de estupro do qual Mikael foi acusado em 2015, fez com que o cliente matasse o jovem.

Fernando Henrique Delgado Dias, Thiago da Costa Rech e Evellyn Raiane de Souza explicam que Victor agiu por descontrole emocional e que aceitou a condição de culpado, dada em Tribunal do Júri, e a pena calculada pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida. Segundo os representantes, ficou comprovado, por meio de exames médicos, que houve de fato crime de estupro de vulnerável contra uma criança de 3 anos. Ela seria filha de um colega de Victor.

“O laudo demonstrou a prática de conjunção carnal ou de outro ato libidinoso. Entendemos toda a dor da família. Não queremos, de forma alguma, invalidar ou relativizar essa dor. Mas é de suma importância analisarmos que nesse caso, três famílias foram afetadas: a família do sr. Victor Hugo, que por um momento de descontrole emocional e sensação de impunidade quanto ao Mikael, acabou cometendo esse crime; a família do sr. Mikael; e a família dessa criança que foi brutalmente violentada, carregando cicatrizes pro resto da vida, também. Vendo esse sofrimento, o júri entendeu que a condenação seria justa”.

Victor era réu confesso e, segundo os advogados, aceitou inteiramente a sua condenação e não vai recorrer da pena. “Ele disse em depoimento na sessão do plenário: 'Se eu sou um monstro, por matar ele, o que ele é, por ter estuprado a criança?'. Victor Hugo tinha uma criança de quase 2 anos, quando matou o Mikael”.

Segundo apurado pelo Campo Grande News, Mikael confessou o crime em 2015, durante depoimento à polícia. “Quando o sr. Victor Hugo, sabendo do crime cometido pelo Mikael e sabendo de seu histórico comportamental (por terem crescido na mesma comunidade), encontrou o Mikael, foi tomado por uma sensação que fugiu de seu controle, vindo a cometer o homicídio ora julgado”.

Caixão não pôde ser fechado por funerária e foi transportado sem tampa para Imol (Foto: Marcos Maluf)
Caixão não pôde ser fechado por funerária e foi transportado sem tampa para Imol (Foto: Marcos Maluf)

Corpo queimado - A defesa de Victor acrescenta que não houve crueldade quanto à queima do corpo, pois Mikael já estaria morto no momento. “A intenção foi apenas se livrar de vestígios. "Não estamos fazendo juízo de valores sobre um estar certo e outro errado. Não, todos erraram. O resultado foi trágico para todos".

Mikael foi encontrado morto na manhã do dia 5 de outubro de 2022. Na ocasião, a polícia suspeitava que a execução estivesse relacionada a julgamento clandestino em “tribunal do crime”. A defesa de Victor nega, contudo, que o cliente seja faccionado.

Ele foi preso em novembro daquele mesmo ano e disse ter matado a vítima asfixiada e em seguida ateou fogo enquanto o rapaz ainda estava vivo.

Local onde estava corpo de homem que morreu carbonizado (Foto: Marcos Maluf)
Local onde estava corpo de homem que morreu carbonizado (Foto: Marcos Maluf)

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