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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

27/06/2018 16:21

Sequestrado e torturado, homem consegue fugir de “tribunal do crime”

Mandante do crime seria um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro da Penitenciaria Máxima de Campo Grande e um dos alvos da Operação Paiol

Geisy Garnes

Quatro suspeitos foram presos após um homem de 30 anos conseguir escapar de uma execução decidida no “Tribunal do Crime” em Campo Grande. A vítima foi sequestrada e agredida pelos autores na noite de segunda-feira (25), no Jardim Nhanha e mesmo ferido conseguiu fugir e procurar a polícia.

As investigações levaram a polícia ao nome de quatro suspeitos, que acabaram presos nesta terça-feira (26). Eles foram identificados como, Willian Fernando Guimarães dos Santos, de 31 anos, Lucian Helan Miranda, de 25 anos, William Douglas Silva Guimarães, de 23 anos e Helton Duarte Luz, de 21 anos.

A vítima contou à polícia que na noite de segunda-feira (25) estava em casa - no Jardim Nhanha - quando seis suspeitos chegaram ao local. Os homens, identificados apenas como Playboy, Gordinho, Frango, Bodão, Marlon e Eltinho, estavam em dois carros, um Golf prata e um veículo escuro, aparentemente um Prisma.

Armados com facas e um revólver, o grupo ordenou que a vítima fosse com eles, caso ao contrário o mataria na frente da esposa e da filha de 3 anos, “pois sabiam que ele era o informante da polícia há muito tempo”.

Os suspeitos então cobriram o rosto da vítima com um capuz e o levaram de carro para uma casa do Jardim Noroeste. Lá, o homem foi torturado, ferido com golpes de faca, socos, coronhadas e pauladas por todo o corpo. Para a polícia, ele reconheceu os agressores como Playboy, Bodão e Marlon.

No depoimento, a vítima contou que na casa em que foi agredido haviam pelo menos 10 pessoas e que ao fim da “sessão de tortura”, foi deixada com quatro suspeitos que não conhecia. O grupo passou a usar droga e aproveitando da distração, pegou uma barra de ferro e atingiu um dos “cuidadores”.

Com a confusão, o homem conseguiu pular a janela e saiu correndo pela rua, mas acabou colidindo com um carro. O acidente chamou atenção de convidados de uma festa que acontecia na região, que saíram para socorrer a vítima. Com o movimento, os autores acabaram desistindo de recapturar o “foragido”.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e socorreu a vítima ao UBS (Unidade Básica de Saúde) do Tiradentes. Na manhã desta terça-feira (26), o homem saiu sem ser visto da unidade, pegou um mototáxi e foi para casa, mas ao chegar encontrou Playboy e outros três suspeitos que não conhecia, o esperando.

Ele foi novamente agredido pelos suspeitos, mas ainda assim conseguiu fugir até uma unidade policial. Lá denunciou o caso. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima chegou a delegacia com lesões no rosto, cortes no braço e um corte na nuca, resultado de um golpe de facão desferido por Playboy. Após a denúncia, quatro suspeitos envolvidos na tentativa de homicídio foram presos.

Para a polícia, a vítima contou que já foi integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) e que sua execução foi encomendada por um dos líderes da facção, conhecido como “Carlinhos do Skate”. Conforme apurado pelo Campo Grande News, o mandante do crime é Carlos Ney dos Santos Ribeiro, interno do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande.

Carlos Ney, também conhecido como “Aleijadinho do Skate” é alvo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) na Operação Paiol do Mal, que teve como alvo o setor responsável pela aquisição, guarda, comercialização e empréstimo de armas de fogo para crimes do PCC.

O caso foi registrado como sequestro e cárcere privado, associação criminosa e homicídio na forma tentada.

Paiol – Equipes da Polícia Militar e do Gaeco foram às ruas no dia 12 de junho e cumpriaram 27 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão durante a Operação Paiol. O nome da operação faz alusão à nomenclatura utilizada pelo PCC para o setor de armas.

A operação cumpriu mandados de prisão contra internos no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, na PED (Penitenciária Estadual de Dourados), no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” e em endereços de Campo Grande e Nova Andradina.



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