Terreno no Nova Lima vira “lixão” e moradores alertam para risco de doenças
Dois pontos foram encontrados hoje tomados por lixo no cruzamento das ruas Abda Nasser e Alberto da Veiga

Galhos de árvores, garrafas de vidro e até o corpo de um cachorro morto foram descartados em um terreno abandonado no bairro Nova Lima, em Campo Grande. O caso ocorre no cruzamento das ruas Abda Nasser e Alberto da Veiga e tem incomodado moradores devido ao acúmulo de lixo e ao risco de contrair doenças. A situação tem levado até mesmo alguns vizinhos a atear fogo nos resíduos, prática que configura crime ambiental.
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Terrenos abandonados no bairro Nova Lima, em Campo Grande, acumulam garrafas, galhos e até o corpo de um cachorro morto, preocupando moradores com riscos à saúde e proliferação de ratos e gambás. Moradores relatam que já notificaram a Prefeitura, sem resposta. Um vizinho admite atear fogo no lixo, prática que configura crime ambiental com multa de até R$ 9,6 mil. O descarte irregular também pode gerar multas de R$ 2.944,50 a R$ 11.778,00.
Na manhã desta segunda-feira (4), a reportagem esteve no local e constatou que ambos os espaços apresentam descarte irregular de resíduos, sendo que um deles está em situação mais crítica.
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No terreno mais afetado, há grande quantidade de garrafas de vidro, galhos de poda de árvores e mato alto. O lixo já avança sobre a calçada e alcança o meio-fio. No outro lote, também há descarte de galhos, ocupando a área onde deveria haver passagem para pedestres.

Próximo ao local, na Rua Abda Nasser, a reportagem identificou ainda dois grandes sacos de ráfia cheios de roupas abandonados sobre a calçada. Entretanto, é importante mencionar que a região é asfaltada e conta com coleta regular de lixo.

Morador da região há anos, Adomiro Alves, de 85 anos, afirma que o problema é antigo e recorrente. “Sempre foi assim. Direto jogam colchão velho, cama velha, e isso já faz tempo que está desse jeito. Minha neta já notificou isso aí. Telefonou para a prefeitura, que disse que iria procurar o dono. Mas quanto tempo irá demorar para procurar esse dono?”, questiona.
Segundo Adomiro , o acúmulo de resíduos tem favorecido a proliferação de animais, vetores de doenças. “Tem juntado ratos e até gambás. Outro dia jogaram no terreno um cachorro que foi atropelado na rua. Minha guria e meu genro que foram lá e enterraram ele, mas o carro pegou ele na rua, e o cara pegou o cachorro e deixou na beirada do muro”, relata.

A moradora Maria Joana, de 72 anos, também demonstra preocupação com a situação, principalmente pelos riscos à saúde, especialmente às crianças e aos idosos. “Aqui tem muita criança, tem bebê, não pode ficar assim. Tá surgindo muito pernilongo. A gente que é mais de idade fica preocupado porque é muito lixo”, explica.
Maria também aponta que a prática é recorrente. “Eles vêm, jogam lixo a qualquer hora. Ali na frente há um monte de saco de roupas. Eu não sei de onde sai tanto lixo e roupa. Se for contar, já deve ter umas 200 garrafas que jogaram ali”, afirma.
Ambos os moradores vivem ao lado do terreno mais sujo e relatam ainda que não sabem quem é o proprietário. Também relatam que a última limpeza teria sido realizada há cerca de dois anos.
Outro morador, que preferiu não se identificar, afirmou que costuma atear fogo no lixo quando o acúmulo aumenta. “Pra mim não incomoda em nada. Quando jogam lixo já tacam fogo e mata todos os animais que possa ter ali”, disse. A prática, no entanto, é considerada crime ambiental.
Em Campo Grande, atear fogo em terrenos baldios ou áreas de vegetação pode gerar multa de até R$ 9,6 mil. Em casos de flagrante, a denúncia pode ser feita à Guarda Civil Metropolitana pelo telefone 153.
O descarte irregular de lixo também é passível de penalidades. Conforme a Lei Municipal nº 2.909/92, as multas variam de R$ 2.944,50 a R$ 11.778,00. Além disso, o responsável pode responder criminalmente com base na Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998).
A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura para saber se os proprietários de ambos os terrenos já foram notificados para realizar a limpeza. No entanto, até o momento da publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto.
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