Mulheres do Pantanal apostam em abelhas sem ferrão para gerar renda
Projeto oferece formação às assentadas com a instalação de 116 colmeias
No Assentamento Tupã Bae, na zona rural de Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, 20 mulheres passaram a criar abelhas nativas como alternativa de renda e preservação ambiental. A ação integra o projeto Poliniza Pantanal Sul, que já instalou 116 colmeias nas casas das próprias produtoras e aposta na força da meliponicultura para transformar a realidade local.
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No Assentamento Tupã Bae, em Miranda (MS), 20 mulheres passaram a criar abelhas nativas pelo projeto Poliniza Pantanal Sul, que instalou 116 colmeias nas propriedades das produtoras. Com investimento de R$ 100 mil do Fundo Casa Socioambiental, o projeto une geração de renda e preservação ambiental, incluindo oficinas técnicas e um livreto educativo. A iniciativa também integra a escola local, com colmeias didáticas para crianças.
A ideia do projeto surgiu a partir do diálogo direto entre a educadora ambiental Taynara Martins de Moraes e as lideranças do assentamento. “Pensei junto com as mulheres lideranças, nesse encontro do Cerrado com o Pantanal de Mato Grosso do Sul”, explica. Desde o início, a proposta teve um duplo objetivo de inserir as mulheres no universo da criação de abelhas sem ferrão e, ao mesmo tempo, ampliar a população desses insetos nativos na região cerropantaneira.
O projeto foi construído em parceria com a Associação das Mulheres do assentamento e aprovado no edital Teia da Sociobiodiversidade de 2025, do Fundo Casa Socioambiental, que destinou R$ 100 mil para a execução. Segundo Taynara, o recurso foi dividido de forma estratégica. “Metade ficou nas caixas de abelhas já com os enxames, com espécies que variam entre R$ 300 e R$ 600. A outra metade foi para custos de instalação, mão de obra, compra de mais de 100 postes, além dos ônibus que levaram as mulheres para cursos fora do assentamento”, detalha.
Ao todo, foram instaladas 116 colmeias em uma força-tarefa que durou uma semana. Vinte mulheres participam diretamente da ação, cada uma responsável por 6 colmeias instaladas em suas próprias chácaras. Como as abelhas atuam em um raio maior de polinização, a estimativa é que cerca de 80 pessoas sejam impactadas indiretamente.
“A meta nesse primeiro momento é a instalação das colmeias e o domínio da meliponicultura”, afirma Taynara. As participantes já passaram por três oficinas com a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), onde conheceram os diferentes produtos que podem ser obtidos a partir das abelhas nativas, e devem participar de um curso intensivo de 3 dias com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) de Bodoquena/Miranda, voltado ao aprofundamento técnico.
Taynara explica que o projeto também investe em educação ambiental como estratégia de longo prazo. Um livreto paradidático sobre as abelhas nativas e a experiência no assentamento está em fase de produção, com tiragem de 250 exemplares. O material será distribuído na escola rural e para a comunidade, ampliando o alcance da iniciativa.
Na escola - Para a liderança local Sonia Bezerra Nogueira, um dos diferenciais está no tipo de abelha utilizado. “São abelhas nativas, sem ferrão, que podem ser manipuladas até por crianças”, destaca. Essa característica permitiu integrar a escola ao projeto. A proximidade física entre a associação e a unidade de ensino facilitou a criação de um espaço de aprendizado prático, atualmente com 12 colmeias que estão disponíveis na associação e outras cinco estão sendo preparadas em caixas didáticas, com visor de acrílico.
“Nessas caixas, as crianças vão poder ver todo o processo, desde o ninho, a rainha, até os filhotes nascendo”, explica Sonia. O espaço será aberto tanto para os alunos quanto para a comunidade, fortalecendo o vínculo entre educação e preservação ambiental.
No campo, os efeitos já começam a ser percebidos. De acordo com a liderança, houve aumento na produtividade das culturas hortifrutícolas após a instalação das colmeias. “Sem contar o alimento significativo produzido pelas abelhas e uma fonte de renda que pode ser explorada pelas mulheres e suas famílias”, afirma.
A expectativa agora é avançar na comercialização. Há demanda crescente por mel, própolis e até por caixas com abelhas, além da possibilidade de diversificação com produtos derivados. “Algumas mulheres já participaram de cursos para produção de sabonetes artesanais utilizando esses produtos”, acrescenta Sonia. A líder está confiante na produção de abelhas. “São animais que, além de belos, nos proporcionam uma expectativa de renda num futuro bem próximo”.
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