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Capital

Todo mundo nota o "marketing" dos ipês, mas flores da vez são as das sibipirunas

Elas são a terceira espécie mais abundante em Campo Grande e forram ruas com tapete amarelo

Por Anahi Zurutuza | 27/09/2020 08:25
Tapete amarelo efeita a Rua Goiás, no Jardim dos Estados (Foto: Henrique Kawaminami)
Tapete amarelo efeita a Rua Goiás, no Jardim dos Estados (Foto: Henrique Kawaminami)

Elas são a terceira espécie mais abundante no universo das mais de 150 mil árvores existentes nas ruas de Campo Grande, mas quando florescem, depois da temporada das cores iniciada pelos ipês, “ninguém liga”. É só olhar um pouquinho para fora da janela do carro e vai dar para notar que a Capital está das cores da bandeira brasileira nos últimos dias.

Além do azul do céu ter tomado seu lugar de volta, depois que a chuva de segunda para terça-feira limpou a atmosfera e tirou o aspecto cinza, as sibipirunas, árvores de copas altas e “recheadas”, são as responsáveis por pintar o alto de verde e transformar o chão em tapete amarelo. Já notou?

Setembro também é o mês dos ipês amarelos, os últimos a dar flor. Não é à toa que várias ruas da Capital estão forradas das florezinhas, de uma ou de outro, mas que não deixam dúvida: é a primavera que chegou.

Sabiá do peito amarelo quase desaparece no meio das flores. Reparou a pintura das cores da bandeira? (Foto: Henrique Kawaminami)
Sabiá do peito amarelo quase desaparece no meio das flores. Reparou a pintura das cores da bandeira? (Foto: Henrique Kawaminami)

Mais qualidades que defeitos – Defensor das sibipirunas, o doutor em botânica e paisagista, Eduardo Gomes Gonçalves, afirma que a espécie é uma ótima opção para o plantio na área urbana. Ele explica que se plantadas de forma correta, dificilmente, elas destruirão muros e calçadas.

“É uma árvore relativamente comportada e tem estrutura muito interessante. Raramente ultrapassa mais de 15 metros e, geralmente, mede muito menos que isso. Não provoca medo”, detalha um dos pontos positivos.

Outra vantagem, segundo o botânico, é a espécie ser nativa do Brasil e comum do Pantanal até a Mata Atlântica. “Tem uma distribuição ampla”.

Mas, para as cidades, a maior qualidade das sibipirunas é ser uma árvore capaz de gerar sombra o ano todo. “Uma sombra suficiente, não tão fechada como as das mangueiras. Clara, porém fresca”.

Na coluna dos defeitos está o tal do entupimento de bueiros e calhas. Para esse probleminha, segundo o botânico, não há solução. “Não tem saída mesmo. Vai ter um período que ela perde muitas folhas. Mas, é o único ponto negativo. Ela tem mais qualidade do que defeitos”.

No Jardim dos Estados, corredores de sibipirunas estão todos floridos (Foto: Henrique Kawaminami)
No Jardim dos Estados, corredores de sibipirunas estão todos floridos (Foto: Henrique Kawaminami)

Florada – As flores das sibipirunas são mais duráveis que as dos ipês, explica Eduardo Gomes. “Normalmente, começam a florescer no finalzinho de agosto e a gente ainda vê flor, no meio de novembro”.

Os ipês são conhecidos entre os especialistas como “as árvores mais marqueteiras que existem”.

“Eles concentram todos os esforços para mostrar toda a sua beleza de uma vez só. Já reparou que os ipês ‘desaparecem’ quando perdem as flores? Eles são mais desajeitados. Já a sibipiruna não. Elas têm a copa muito bem feitinha”.

Os números – As sibipirunas são a maioria na região central de Campo Grande, de acordo com o último Plano Diretor da Arborização Urbana da cidade, de 2010. No Jardim dos Estados, por exemplo, onde 2 mil árvores fazem sombra nas ruas, é só dar uma voltinha para perceber que elas realmente dominam.

São ao menos 13 mil exemplares da espécie plantados na Capital, 9% das 153.122 árvores cadastradas na cidade há 10 anos. Por terem sido plantadas há décadas, também são as árvores com mais problemas, 34% estava em condição ruim e 16% estavam mortas, quando foi feito o levantamento pela Prefeitura naquele ano.

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