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Capital

Advogado diz que perdeu dinheiro dos 15 anos da filha para “João Mentira”

Homem é mais uma das vítimas de quadrilha alvo de operação que tentou prender herdeiro do Grupo Zahran

Por Anahi Zurutuza | 11/03/2026 08:20
Advogado diz que perdeu dinheiro dos 15 anos da filha para “João Mentira”
oão Augusto de Almeida de Mendonça, de 44 anos, em foto na ficha da Polícia Civil de São Paulo (Foto: Reprodução)

Uma das vítimas de esquema que usava o nome dos Zahran para atrair investidores, advogado de 51 anos afirma ter perdido R$ 204 mil que havia economizado para a comemoração dos 15 anos da filha em golpe.

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Um advogado de 51 anos perdeu R$ 204 mil em um golpe envolvendo criptomoedas. O dinheiro, que seria usado para a festa de 15 anos da filha, foi transferido para João Augusto de Almeida de Mendonça, conhecido como "João Mentira", que prometia multiplicar o valor através de investimentos. A fraude faz parte de um esquema maior investigado pela Operação Castelo de Cartas, que aponta prejuízo de R$ 10 milhões a pelo menos 4 vítimas. O grupo, liderado por João Mentira e pelo herdeiro Camillo Gandi Zahran Georges, usava o nome da família Zahran para dar credibilidade aos golpes.

Ele acusa João Augusto de Almeida de Mendonça, de 44 anos, apontado como liderança de grupo que praticou série de estelionatos, de lhe “vender” investimento em criptomoedas que nunca deu retorno.

O depoimento do homem, que procurou a Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de São José do Rio Preto em outubro do ano passado, faz parte do conjunto de denúncias apuradas na Operação Castelo de Cartas, que aponta prejuízo de R$ 10 milhões a pelo menos 4 vítimas da quadrilha encabeçada por João Augusto, também conhecido como “João Mentira”, e pelo herdeiro sul-mato-grossense do Grupo Zahran, Camillo Gandi Zahran Georges, de 36 anos.

O advogado narra que em junho de 2024 planejava uma viagem internacional com a ex-esposa para celebrar o aniversário de 15 anos da filha. O casal teria então decidido investir o dinheiro guardado em criptomoedas para tentar multiplicar o valor antes da comemoração. Foi então que um amigo indicou ao advogado um homem chamado João Augusto, frequentador de clubes de pôquer em Rio Preto e que se apresentava como empresário com negócios no exterior.

Segundo a vítima, João Augusto afirmou ter sócios em Campo Grande, mencionando empresa que pertence à tradicional família que vive em Mato Grosso do Sul. Após alguns dias de conversas por telefone e mensagens, o suposto intermediário informou que conseguiria viabilizar a compra das criptomoedas.

O advogado fez então transferência via Pix de R$ 204.783,75, em 18 de junho de 2024, para uma conta vinculada à empresa Next Security do Brasil Ltda., empresa com sede na capital sul-mato-grossense indicada por Mendonça, a mesma que segundo a investigação era fachada para outros falsos negócios.

O combinado era que as moedas virtuais fossem enviadas para uma carteira digital habilitada para a operação, mas as criptomoedas nunca chegaram.

Horas depois da transferência, ainda conforme o depoente, João Augusto alegou que a operação só seria possível com um aporte maior, que deveria totalizar 100 mil dólares, o equivalente a cerca de R$ 500 mil. Para isso, o advogado precisaria transferir mais R$ 300 mil.

Sem ter o valor e desconfiado da situação, a vítima passou a exigir a devolução do dinheiro. Foi então que o investigado passou a evitar as cobranças, dizendo estar constantemente viajando pela Europa a negócios.

Depois de cerca de uma semana de insistência, o advogado afirmou que procuraria a polícia. A resposta do suspeito, segundo o relato, foi debochada: “Quem procura a polícia é gente boa. Pode fazer BO que não vira nada. Você não vai fazer nada comigo”. Logo depois, a vítima teve foi bloqueada.

Advogado diz que perdeu dinheiro dos 15 anos da filha para “João Mentira”
Dinheiro, armas, relógios e joias foram apreendidos durante buscas em um dos endereços dos investigados (Foto: Relatório do inquérito/Reprodução)

Golpes milionários – Casos como o do fazem parte de investigação mais ampla conduzida pela Deic paulista. A polícia suspeita que o grupo utilizava empresas de fachada e promessas de investimentos lucrativos para convencer vítimas a transferirem dinheiro. Camillo Zahran é apontado nas apurações como um dos responsáveis por atrair investidores para negócios inexistentes.

No dia 28 de janeiro deste ano, durante as buscas da Operação Castelo de Cartas, foram apreendidos dinheiro, veículos de luxo, joias e relógios de alto valor, além de documentos e equipamentos eletrônicos.

João Augusto chegou a ser preso no dia da operação, mas ganhou a liberdade provisória no dia 4 de fevereiro. Ele é monitorado por tornozeleira e tem de cumprir outras medidas impostas pela Justiça.

Conforme relatório da Deic, na casa do investigado, que fica no condomínio Dahma V, policiais apreenderam cinco relógios da marca Rolex, celulares, joias, folhas de cheque, cartões bancários e nota promissória. Também foram confiscados dois veículos, uma BMW X1 e uma Toyota Hilux. No imóvel ainda foram encontradas armas de fogo e várias munições.

Outro lado – A defesa de Camillo Zahran sustenta que ele não conduziu as negociações com as vítimas e que João Augusto seria o responsável direto pelas tratativas. Ao pedir a revogação da prisão do cliente à Justiça, os advogados do herdeiro, Luciano Salles Chiapp e Marcio de Ávila Martins Filho, afirmaram que “talvez até mesmo Camillo seja uma vítima, já que o Sr. João deve dinheiro até os dias atuais aos seus familiares”.

Interrogado pela polícia, no dia 2 de fevereiro deste ano, João Augusto confirmou que manteve relação financeira com Camillo Zahran, entre 2019 e 2024, mas porque pegava dinheiro emprestado mediante juros de 2% ao mês. Ele diz atuar na compra e venda de veículos e imóveis, nega ter usado o sobrenome Zahran para dar credibilidade a negócios e afirma que suas atividades eram de sua exclusiva responsabilidade.

Ele negou conhecer o advogado que relata ter sofrido golpe e disse não se recordar dos fatos narrados pela vítima à polícia.

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