ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, TERÇA  02    CAMPO GRANDE 20º

Capital

Transporte coletivo já acumula 12 mil autuações por descumprir horário

Audiência apresenta relatório sobre Consórcio Guaicurus; comissão entrega parecer à prefeita na próxima semana

Por Jhefferson Gamarra e Ketlen Gomes | 02/06/2026 16:55
Transporte coletivo já acumula 12 mil autuações por descumprir horário
Usuários aguardando coletivo em ponto na região central (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A análise do contrato do transporte coletivo de Campo Grande entrou em sua fase decisiva nesta terça-feira (2), durante audiência pública promovida pela Prefeitura para apresentar os levantamentos realizados pela comissão instituída pela PGM (Procuradoria-Geral do Município). Entre os dados apresentados, chamaram atenção os números de autuações aplicadas ao Consórcio Guaicurus por descumprimentos operacionais e falhas na prestação do serviço.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Prefeitura de Campo Grande realizou audiência pública para analisar o contrato do transporte coletivo, revelando 12.279 autuações por descumprimento de horários e 3.444 por omissão de viagens entre 2021 e 2025. O Consórcio Guaicurus contestou os dados, alegando que representam 0,0015% das viagens realizadas. O relatório final será entregue à prefeita Adriane Lopes na próxima semana, que decidirá sobre eventual intervenção na concessão.

Segundo relatório apresentado pelo diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Ciro Ferreira, o sistema registrou, entre 2021 e 2025, um total de 12.279 autuações por descumprimento de horários. Também foram contabilizadas 3.444 autuações por omissão de viagens, quando o início, o fim ou todo o percurso previsto não foi registrado pelos sistemas de monitoramento.

Os números fazem parte de um levantamento elaborado pela Agetran com base em sistemas administrativos, documentos internos, processos de fiscalização, dados públicos e informações produzidas em investigações anteriores, como a CPI do Transporte Coletivo.

Transporte coletivo já acumula 12 mil autuações por descumprir horário
Diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Ciro Ferreira (Foto: Maya Severino)

“A Agetran realizou diversos levantamentos e utilizou como fonte de consulta todos os sistemas administrativos disponíveis, além de documentos e controles internos. Também fizemos o cruzamento de dados públicos apresentados em CPI e outras fontes, de forma que os dados pudessem ser validados, conferidos e auditados”, afirmou Ciro Ferreira.

A análise da agência foi dividida em três pilares: dinâmica operacional, condições de segurança da frota e cumprimento dos marcos contratuais.

Ainda no eixo operacional, a fiscalização registrou 996 autuações por insuficiência de motoristas reservas e outras 882 por falta de veículos reservas para garantir a continuidade da operação.

Também foram identificadas falhas relacionadas à execução dos serviços, incluindo:

  • 826 autuações por atraso no início das operações;
  • 643 autuações por ausência de veículos articulados exigidos;
  • 276 autuações por descumprimento de ordens de serviço;
  • 127 autuações por descumprimento de determinações da Agetran;
  • 117 autuações por descumprimento de itinerários previstos.

No segundo pilar da análise, relacionado às condições de segurança e operação dos veículos, a agência registrou 1.385 autuações por ausência, defeito ou inoperância de equipamentos obrigatórios.

Também foram contabilizadas:

  • 198 autuações por falhas nos sistemas de controle, como GPS, contadores de passageiros e equipamentos de imagem;
  • 247 autuações por veículos em circulação sem identificação adequada das linhas;
  • 108 autuações por ausência de informações obrigatórias aos usuários.

Em relação às inspeções veiculares, a Agetran informou que foram realizadas 2.771 vistorias entre agosto de 2020 e março de 2026. A partir de junho de 2025, 82 autuações foram aplicadas em razão de irregularidades identificadas durante as inspeções de segurança.

A Agetran também apontou ausência de instrumentos considerados fundamentais para o planejamento do transporte coletivo.

Segundo o relatório, não foram apresentados estudos atualizados da matriz origem-destino dos passageiros nem informações sobre coeficientes de integração física do sistema.

“Essas duas fontes são necessárias para o planejamento e gestão do sistema de transporte coletivo. A ausência delas prejudica o planejamento de toda a operação”, afirmou Ciro Ferreira.

Transporte coletivo já acumula 12 mil autuações por descumprir horário
Chefe do setor jurídico da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados), Rodrigo Koei (Foto: Maya Severino)

Durante a audiência, o advogado e chefe do setor jurídico da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados), Rodrigo Koei, ressaltou que o trabalho desenvolvido pela autarquia tem caráter exclusivamente técnico e regulatório.

“A agência tem como missão garantir a adequada prestação dos serviços públicos delegados, proteger os interesses dos usuários e fiscalizar o cumprimento das obrigações assumidas pela concessionária”, afirmou.

Segundo ele, os levantamentos realizados identificaram problemas relacionados à regularidade das viagens, condições operacionais da frota, acessibilidade, tempo de espera dos usuários, disponibilidade de veículos reserva e aderência da operação à programação estabelecida.

Rodrigo também relembrou que a agência notificou o Consórcio Guaicurus quando houve ameaças de paralisação do transporte coletivo durante a greve dos motoristas, ressaltando que o serviço público está submetido ao princípio da continuidade.

“O transporte público é um serviço público essencial, submetido aos princípios da continuidade, eficiência, regularidade, segurança, modicidade tarifária e adequação da prestação do serviço”, declarou.

Consórcio contesta - Representando o Consórcio Guaicurus, o diretor operacional Paulo Vitor Brito de Oliveira afirmou que os dados apresentados pela fiscalização precisam ser analisados proporcionalmente ao volume de viagens realizadas pelo sistema.

“Quando falamos nas autuações, a Agetran registrou 12 mil autuações entre 2020 e 2026. Pode parecer muito, mas nesse período realizamos 7.248.000 viagens. Dessas mais de sete milhões de viagens, cerca de 0,0015% tiveram algum tipo de descumprimento ou atraso”, argumentou.

O representante também afirmou que fatores externos, como congestionamentos e acidentes de trânsito, contribuem para os atrasos registrados.

Segundo ele, o principal problema enfrentado atualmente pelo consórcio está relacionado à renovação da frota.

“Nós precisamos renovar a frota e trazer ônibus novos. Isso já estava previsto na proposta apresentada durante a licitação. O que é necessário hoje é uma remuneração mais adequada para que possamos cumprir aquilo que foi planejado no contrato”, afirmou.

Paulo Vitor sustentou ainda que o único descumprimento contratual atualmente existente seria justamente a questão da idade da frota.

“Hoje, o único descumprimento contratual que temos é a questão da frota. E a questão da frota depende da remuneração”, disse.

Sobre a ausência de seguro, outro ponto questionado durante o processo administrativo, o diretor afirmou que a situação já foi regularizada.

“O seguro já foi contratado e está em vigor há algum tempo”, declarou.

Relatório final será entregue à prefeita na próxima semana

A procuradora-geral do Município e coordenadora da comissão responsável pela análise do contrato, Cecília Rizkallah, informou que todas as manifestações feitas durante a audiência pública serão incorporadas ao processo administrativo.

“Todo o conteúdo da audiência será anexado ao processo administrativo e todas as ponderações serão consideradas. Inclusive os vereadores destacaram o relatório final da CPI. Tudo será analisado para a conclusão que será apresentada à prefeita na próxima semana”, afirmou.

Transporte coletivo já acumula 12 mil autuações por descumprir horário
Procuradora-geral do Município e coordenadora da comissão responsável pela análise do contrato, Cecília Rizkallah (Foto: Maya Severino)

Segundo Cecília, encerrada a fase de audiências e coleta de informações, a comissão passa agora à elaboração do relatório final.

“Agora a comissão vai se reunir para consolidar as informações técnicas e jurídicas. Vamos concluir o procedimento administrativo prévio conforme a decisão judicial. O próximo passo é a entrega do relatório final para que a prefeita se manifeste sobre a nossa conclusão. A decisão passa a ser um ato discricionário dela”, explicou.

A expectativa é que o documento seja concluído nos próximos dias. Com o relatório em mãos, a prefeita Adriane Lopes decidirá se haverá ou não intervenção na concessão do transporte coletivo da Capital, medida que vem sendo discutida diante das sucessivas reclamações dos usuários e dos apontamentos feitos pelos órgãos de fiscalização.