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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

08/03/2012 17:05

Desde 2009, MS tem um assassinato de mulher a cada mês, mostra levantamento

Nadyenka Castro

A maioria delas foi vítima da brutalidade e vingança de homens com quem já tinham tido ou estavam tendo relacionamento amoroso

Eliane Nogueira foi morta pelo marido. Luiz Afonso foi condenado a 20 anos de prisão. (Foto: Arquivo Pessoal)Eliane Nogueira foi morta pelo marido. Luiz Afonso foi condenado a 20 anos de prisão. (Foto: Arquivo Pessoal)

Eliane Nogueira, de 39 anos, morta em julho de 2010. Marielly Barbosa Rodrigues, 19 anos, morta em maio do ano passado. Crimes que aconteceram em datas distantes, com envolvidos que não se conheciam, mas, que se assemelham por dois motivos: ambas vítimas são mulheres e morreram ‘pelas mãos’ de pessoas que conviviam diariamente com elas.

Os dois casos são apenas exemplos de um universo muito maior de mulheres que são assassinadas em Mato Grosso do Sul. Levantamento feito pela equipe do deputado estadual Pedro Kemp (PT) com base em notícias do Campo Grande News aponta que desde 2009, 33 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso do Sul.

O trabalho não cita apenas números, mas registra o nome de cada uma das mulheres, das mais diferentes idades e cidades. A maioria delas foi vítima da brutalidade e vingança de homens com quem já tinham tido ou estavam tendo relacionamento amoroso.

“Com os nomes a indignação é maior. Mostra que são pessoas. Mães da famílias, mulheres que vieram a óbito em função da violência dentro de casa. Só com números fica distante e vago”, explica o deputado.

O levantamento aponta que desde 2009, até esta quinta-feira, pelo menos uma mulher foi assassinada por mês no Estado. O trabalho não leva em consideração quem morreu no hospital.

Somente na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher do

fórum de Campo Grande há 5.867 processos em andamentos. A Capital é a

única cidade de Mato Grosso do Sul que conta com juiz e promotores que

atuam nessa área. Em outros municípios, os casos se misturam nas varas

criminais.

Vitória - Com objetivo de barrar, ou pelo menos reduzir a violência contra a mulher, no dia 9 de fevereiro deste ano o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que as ações penais fundamentadas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) podem ser

processadas mesmo que a mulher não denuncie, ou que retire a queixa

por medo, a polícia e a Justiça têm o dever atuar.

“Havia uma má vontade por parte do Judiciário e hoje, graças a essa decisão final do

STF, as mulheres ganham mais proteção e o direito de viver em um novo

País que respeita seu povo!”, diz o deputado estadual Pedro Kemp (PT).

Lei Maria da Penha - Em apenas 48 horas, o agressor pode ser afastado de casa, ser proibido de chegar perto da vítima e de seus filhos.

A Lei 11.340, de 2006, ficou conhecida por homenagear uma vítima, que depois de sofrer duas tentativas de homicídio por parte do então marido, lutou junto à sociedade e órgãos políticos para mudar a situação precária das vítimas de violência doméstica no Brasil.

MULHERES QUE FORAM ASSASSINADAS

Alzira Antônia Farias, 61. Três Lagoas. (Morta em 23/02/2012)

Josiane Ribeiro Gonçalves, 32. Miranda. (27/12/2011)

Maria Aparecida Mendes, 66. Campo Grande (29/10/2011)

Antônia Rosa de Souza, 60. Campo Grande. (13/10/2011)

Adriele Camacho de Almeida, 16. Cassilândia. (13/03/2011)

Elis Cristina Lopes, 26. Ivinhema. (24/12/2011)

Carolina Rodrigues de Aquino, 19. Ladário. (25/12/2011)

Leyciane Ribeiro Dias, 17. Campo Grande. (16/11/2011)

Bruna Caroline Pereira Silva, 15. Campo Grande. (27/01/2011)

Gláucia Campos Ferreira, 37. Aparecida do Taboado. (13/09/2011)

Taline Aquino Gomes, 19. Fátima do Sul. (9/03/2011)

Dandara Silva de Souza, 21. Campo Grande. (15/02/20110

Marielly Barbosa Rodrigues, 19. Sidrolândia. (21/05/2011)

Creuzina Alves Gomes, 59. Campo Grande. (16/05/2011)

Laura Cristina Simões, 32. Campo Grande. (12/10/2011)

Rosana Camargo de Assis, 29. Campo Grande. (8/10/2011)

Maiza de Oliveira, 46. Campo Grande. (15/08/2011)

Creuza dos Santos Correa, 34. Terenos. (10/01/2011)

Rosilene Cavalcante Sampaio, 28. Campo Grande. (4/01/2011)

Jamile Letícia de Souza Santos, 29. Dourados. (31/10/2011)

Laura Cristina Simões, 32. Campo Grande. (12/10/2011)

Luciana Chaves Farias, 35. Campo Grande. (30/01/2011)

Maria Elizabete Brezolin, 45. Maracaju. (15/05/2010)

Keli Viera da Silva, 28. Itaporã. (22/12/2010)

Lucilene Cosma Martins, 35. Dourados. (14/11/2010)

Oscalina Pereira, 41. Camapuã. (22/08/2010)

Eliza Ramos Pedroso, 29. Ponta Porã. (19/05/2010)

Maria Irene de Souza, 43. Rio Brilhante. (17/06/2010)

Eliane Aparecida Nogueira, 39. Campo Grande. (7/02/2010)

Matir Carvalho Scardin, 58. Jardim. (28/01/2010)

Márcia Soares Isnarde, 23. Dourados/Aldeia Bororó (12/01/2010)

Claudinéia Rodrigues Mendes, 35. Campo Grande. (8/05/2009)

Elaine Orlando Viana Yamasake, 35 . Campo Grande. (13/03/20

09)

Fonte de pesquisa: Campo Grande News



Matéria com análise. Muito bom encontrar isso no jornalismo on line.
 
Ana Carla Barbosa em 09/03/2012 08:39:20
Parabéns pela matéria. Uma ótima ideia relembrar o nome dessas vítimas. Talvez nós, mulheres, não tenhamos mto realmente oq comemorar neste dia.
 
Juliana Silva em 08/03/2012 07:28:13
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