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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

08/02/2015 08:24

Evangélica demitida por usar saia pretende denunciar caso à Justiça

Ricardo Campos Jr.
A saia da discórdia que, segundo a evangélica, motivou a demissão.A saia "da discórdia" que, segundo a evangélica, motivou a demissão.

Vítima de preconceito religioso, a jovem evangélica de 20 anos que teve emprego recusado por usar saia comprida quer ir além da denúncia feita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e agendou audiência no Ministério do Trabalho na próxima segunda-feira (9) para tratar sobre o caso. Ela, que pediu para ter a identidade preservada e preferiu não revelar o nome das empresas, conta que em pelo menos sete lojas e mercados de Campo Grande ficou claro que a vestimenta era o motivo de não ter sido contratada.

A peregrinação em busca de trabalho foi no final do ano passado. “As pessoas pegavam meu currículo e me olhavam de cima a baixo e perguntavam: você pode usar calça? Eu respondia que não por conta da minha religião. Então diziam que eu não poderia trabalhar porque não era o padrão”, relata.

Em um dos casos ela chegou a ir para o serviço e foi demitida ao fim do dia. “No final do expediente a gerente me chamou e falou ‘olha, eu não vou poder ficar com você porque achei que você fosse chegar aqui e colocar calça’”, conta.

“No dia seguinte, quando fui buscar meu acerto, citei para a mesma gerente a constituição, onde nela está garantido meu direito no artigo 5º inciso sexto e oitavo, e ela me respondeu da seguinte forma: ‘eu sou formada em direito e administração e conheço muito bem a constituição, só que eu não posso fazer nada’ e ainda falou que eu estava faltando com respeito”.

Essa conversa, segundo a vítima, foi ouvida pelos colegas e clientes que estavam no local. “Foi constrangedor. Todos ficaram olhando”, conta.

Para a vendedora Luciene Feitosa, 28 anos, a restrição quanto ao sábado a ajudou a conseguir trabalho. Para a vendedora Luciene Feitosa, 28 anos, a restrição quanto ao sábado a ajudou a conseguir trabalho.

Constrangimento - A estudante não é a única a ser vítima do preconceito religioso e a roupa tampouco é o único motivo para a discriminação motivada pela crença da pessoa. A secretária Lady Rodrigues, 32 anos, é adventista e guarda o sábado. Ela já teve trabalhos recusados muitas vezes porque os patrões não aceitavam em dispensá-la do ofício nesse dia do fim de semana.

“Era uma loja no comércio, foi mais ou menos em 2008. Tentei arrumar alguns empregos e infelizmente não conseguia não por falta de experiência, mas pela questão do sábado. O dono explicou que precisaria de alguém que estivesse no sábado e que por esse motivo ele não poderia me contratar. Você se sente constrangido e desvalorizado e acaba ficando desanimado, porque você pensa que não vai conseguir se colocar no mercado de trabalho”, diz.

Os problemas vão além. Quando conseguiu arrumar trabalho, houve rejeição por parte dos colegas que não entendem que a guarda do sábado é em função religiosa. “Eles ficam chateados porque trabalham em um horário x e eu não. Acaba pesando. Nós tentamos explicar que a gente não fica em casa descansando, a gente procura estar em comunhão com Deus, que é na igreja, fazendo atividades sociais. A gente usa o sábado para ajudar o próximo”, conta.

Vantagem - Para a vendedora Luciene Feitosa, 28 anos, a restrição quanto ao sábado a ajudou a conseguir trabalho. Ela trabalha em um dos shoppings da Capital e como o local funciona todos os dias, a folga semanal dela é fixa no sétimo dia da semana.

"O dono da loja me surpreendeu. Ele disse que precisava de gente que trabalhasse aos domingos, dia em que ninguém quer trabalhar”, conta. "O contratante nunca teve nenhum tipo de preconceito. Ele está aberto a negociação, a ver em que pode ajudar nessas possibilidades dele. Todo mundo já sabe que sexta eu entro mais cedo e saio mais cedo. Como todos têm direito a uma folga por semana, a minha rigorosamente é sábado. Não tem como mudar".

Ela chegou, inclusive, a virar exemplo entre as colegas. "Teve uma vez que uma menina questionou. Disse que era evangélica e queria sair mais cedo. Usou a minha questão para beneficiar ela também. No caso, nessas cinrcunstâncias, todo caso é negociável", relata.

Emblemático – O bispo Antonio Toneti, presidente do Conselho de Pastores de Campo Grande, entidade vinculada à AEB (Aliança Evangélica Brasileira), disse ao Campo Grande News que ficou surpreso com o caso da estudante.

“Nós não temos visto esse tipo de preconceito ser uma coisa constante. EU me choquei um pouco porque hoje é raro termos esse tipo de problema. Foi a primeira vez que eu vi nos últimos anos”, relata.

Segundo ele, casos de adventistas passarem por situações constrangedoras no mercado de trabalho são mais comuns do que rejeição por conta da roupa, situação que ele, em nome da entidade, repudia totalmente. “É um preconceito absoluto, não pode acontecer. A nossa posição é extremamente contaria a isso. Uniforme pode ser calça e pode ser vestido, na mesma proporção”

 

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A questão nestes casos se resume simplesmente no seguinte: "O mercado é que deve se adaptar às religiões, ou as religiões é que devem se adaptar ao mercado". O mercado tem suas regras, as religiões tem as suas, o ideal seria que houvesse um consenso entre ambos.
 
juvenil marques do vale em 09/02/2015 10:47:02
Muito não me espanta , casos como este na sociedade atual , Campo Grande , por mais aspectos urbanísticos das grandes cidades que aparenta , ainda pensa e tem atitudes de interior . A normalidade para mim é a pessoa ter a total liberdade de vestir e praticar o que bem entender , claro que com pudor , sem ser alvo de chacotas na sociedade . Nós muitas vezes invertemos a realidade , onde roupas obscenas , atos ilícitos , e valores desprezíveis são comuns , e a religião passa ser algo apenas para complementação , desencargo de consciência , A LEI deve ser cumprida , quando somos prejudicados , devemos sim buscar nossos direitos , só uma mente muito arrogante e abastada de conhecimentos , poderia questionar o fato da moça buscar seus direitos legais.
 
LBS em 09/02/2015 08:22:41
Enquanto isso, em alguns ambientes de trabalho, em que se espera seriedade, mulheres trajam mini-saia, short, blusinha com alcinha ou decote.
 
Roma em 08/02/2015 21:04:25
Nada contra a moda evangélica, mas praticar em ambientes que exigem a "normalidade" é complicado. O empresario, não é obrigado a contratar pessoas que destoam dos demais funcionários. Gera um pré conceito e discriminação em geral, por parte dos clientes, dos companheiros da equipe o que acaba tornando um mal estar. A rega é simples: vc quer trabalhar (e precisa), abra mão de coisas que impedem vc disso. A religião deve ser um complemento para o ser humano e não a prioridade. Até porque quem enche a barriga ($$) com a religião nunca são os frequentadores. Outro ponto, as igrejas deveriam criar um banco de dados social na própria igreja compartilhando com as afiliadas, para empregar os fieis. Essa moça sera que nao esta sendo manipulada por algum advogado oportunista?
 
LUCIANO MARQUES em 08/02/2015 13:30:52
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