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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

31/03/2010 11:04

Fala de promotor provoca choro e indignação em júri

Redação

Choro na platéia e palavras de indignação marcaram a fala do promotor Douglas Santos, responsável pela acusação de José Aparecido Bispo da Silva, o Cido, que está sendo julgado nesta manhã pela morte do menino Luiz Eduardo Gonçalves, o Dudu, que desapareceu em 22 de dezembro de 2007.

Segundo a acusação, o garoto foi torturado, morto e teve o corpo retalhado e incendiado, por Cido e por mais quatro pessoas, entre elas três adolescentes.

Em sua argumentação, o promotor buscou convencer o júri, formado por 4 mulheres e 3 homens, de que os ossos encontrados em um terreno próximo ao Museu José Antônio Pereira, e que foram levados ao plenário, são realmente de Dudu.

Como não houve comprovação científica da identificação e a defesa tenta usar esse fato para tentar colocar os jurados em dúvida sobre a autoria do crime atribuído a Cido.

O promotor começou a exposição lembrando a "saga" da família para saber o que aconteceu com o filho, a dificuldade da Polícia Civil em encontrar respostas, e o fato de o caso só ter avançado em razão de uma denúncia anônima, que levou a Polícia a aprender um dos adolescentes envolvidos no crime, por porte de arma ilegal de arma.

O promotor, que se declarou cristão, citou a necessidade de se dar um fim ao caso para que a família possa enfim dar um sepultamento digno a Dudu. "Não são ossos de cachorro, é o seu filho", afirmou, em direção aos pais do menino, que assistiam, consternados e visivelmente emocionados.

Ele lembrou do dia em que a ossada que diz ser de Dudu foi encontrada, dizendo que assim que a retroescaveira encontrou os primeiros pedaços de ossos, caiu uma forte chuva na cidadade. "Era o Dudu pedindo para ser libertado".

Douglas Santos afirmou que as provas testemunhais do caso permitem concluir que os pedaços de ossos encontrados em duas covas rasas são mesmo do menino Dudu. As testemunhas,oito ao todo, só começaram a falar o que viram quando puderam ser ouvidas sem identificação. "O medo petrificou os moradores".

Durante mais de um ano, a comunidade silenciou sobre o caso.

Crueldade - Frente a um júri que se mostrava assombrado com os detalhes, o promotor foi relatando passo a passo a versão da acusação para o crime que chamou de o mais "bestial" já visto.

Segundo ele, a bestialidade se dividiu em cinco etapas. Primeiro, conforme relatou, o garoto foi pego de surpresa, enquanto brincava na rua, pelos três jovens envolvidos no crime, e lá mesmo começou a ser espancado. Nesse momento é que a principal testemunha do caso, a vizinha Maria de Fátima, teria presenciado as agressões.

Depois disso, Dudu foi levado no colo para a Casa de Cido. Lá, foi colocado numa cadeira e sofreu mais agressões.

Nesse momento é que a principal testemunha do caso, a vizinha Maria de Fátima, que chegou a ser presa, teria presenciado as agressões.

Os adolescentes, então, teriam perguntado a Cido se deveriam levar o menino para o "mangal", um terreno baldio na região, ou para o "cemitério dos cachorros", em frente a casa de José Benedito.

Nesse momento é que a principal testemunha do caso, a vizinha Maria de Fátima, teria presenciado as agressões. Ele chegou a ser presa, depois de assumir que viu Dudu ser levado para a casa de Cido.

A decisão foi levá-lo para o Mangal, conforme a fala do promotor. No terreno, foi amarrado a uma árvore e novamente espancado, até que um dos garotos percebesse que estava morto.

Cido, então, teria sido chamado, por telefone, e levado ao local dois sacos "de carregar bosta de vaca", nas palavras do promotor.

O quarto momento da "bestialidade", segundo o promotor, foi o transporte do corpo do menino para o terreno próximo ao Museu José Antônio Pereira. Lá, foi enterrado em uma cova rasa.

Ainda de acordo com a versão da acusação relatada pelo promotor, um mês depois, veio o quinto momento de crueldade. Cido, Holly Lee de Souza, que aguarda julgamento pelo crime, e um dos adolescentes envolvidos, voltaram ao local, desenterram o corpo, e, usando velas, galinha e um "garfo do diabo", fizeram um ritual.

Nesse ritual, Cido e Holly Lee teriam incorporado espíritos maus, e, nesse estado, retalharam o corpo em mais de 700 pedaços, usando machados. Depois disso, ainda incendiaram o que sobrou, e enterram em duas valas, próximas.

O promotor apelou ao júri para não esperar por uma confissão de Cido.

Ele falou ainda de situações que deporiam contra o acusado. Cido diz que no dia que Dudu desapareceu, estava em um bar da região. O promotor afirmou aos jurados que de fato ele foi ao bar, mas não há confirmação de que horário deixou o local.

Houve também, disse o promotor, a tentativa de "comprar" um álibi, usando droga como moeda de troca. Isso teria ocorrido com o filho de uma vizinha, no dia seguinte ao desaparecimento de Dudu, e com um casal de adolescentes, a quem Cido teria chamado para queimar os vestígios do crime, mediante o pagamento com pasta-base de cocaína.

Por todos esses motivos, o promotor considera que Cido deve ser declarado culpado. Ele defende uma pena que pode chegar a 43 anos, por homicídio triplamente qualificado e ocultação e destruição de cadáver.

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