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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

15/02/2017 19:23

Família presa não ficava com todo o dinheiro de bolsas, alega advogado

Ao contrário do que a PF divulgou, cinco pessoas foram presas em MS, garante outro defensor

Anahi Zurutuza
PF cumpriu mandado de busca e apreensão na UFPR antes do dia raiar (Foto: PF/Divulgação)PF cumpriu mandado de busca e apreensão na UFPR antes do dia raiar (Foto: PF/Divulgação)

A família de Campo Grande que foi alvo da Operação Research por envolvimento em esquema de desvio de recursos destinado a bolsas de pesquisa da UFPR (Universidade Federal do Paraná) não ficava com todo o dinheiro. Mãe e dois filhos foram presos na manhã desta quarta-feira (15) pela Polícia Federal.

A suspeita é que a família tenha se beneficiado com R$ 1,6 milhão em bolsas de estudos entre 2013 e 2016 – período investigado –, mas sequer têm ensino superior completo.

De acordo com o advogado destes três suspeitos, Nedson Bueno Barbosa, os clientes disseram em depoimento à PF na Capital que não ficavam com o dinheiro. Eles recebiam o depósito e “tiravam uma comissão e devolviam no mesmo dia ou no dia seguinte para alguém”, disse a reportagem.

Barbosa prepara habeas corpus para os clientes, que ainda estão presos. Ele confirma que a família não tem direito a cela especial, mas não sabe onde a mulher e os filhos ficarão presos temporariamente.

 

Advogado  Danilo Cristofaro em entrevista ao Campo Grande News na sede da PF na Capital (Foto: André Bittar)Advogado Danilo Cristofaro em entrevista ao Campo Grande News na sede da PF na Capital (Foto: André Bittar)

Outros envolvidos – Ao contrário do que a PF do Paraná havia divulgado pela manhã e no início da tarde desta quarta-feira, cinco pessoas foram presas em Mato Grosso do Sul, quatro na Capital e uma em Maracaju, garante o advogado Danilo Cristofaro, que representa um homem detido na Capital.

Ele não deu detalhes sobre o envolvimento do cliente no esquema, mas disse que “se ele eventualmente se beneficiou”, o valor recebido “não passou de R$ 20 mil”.

Cristofaro afirma que o homem defendido por ele tem ensino superior e por isso, direito a cela especial. “Já pedimos o relaxamento da prisão, que foi decretada para evitar que os suspeitos se comunicassem. Todos foram ouvidos em separado, então não há mais motivo para ele ficar preso”, explicou.

Boa parte dos beneficiários do esquema, conforme a PF do Paraná, era do “círculo de amizades” da secretária da Pró-Reitoria de Planejamento e Orçamento da UFPR, Tânia Márcia Catapan, e da chefe do setor de Orçamento e Finanças do mesmo setor, Conceição Abadia de Abreu Mendonça.

No caso dos presos em Mato Grosso do Sul, o vínculo seria com Conceição.

A PF não divulgou os nomes dos detidos e nem qual era o envolvimento da mulher, presa em Maracaju – a 160 km da Capital – com as líderes do esquema. Ela, entretanto, teria recebido R$ 158 mil em recursos destinados a bolsa de pesquisas da UFPR mesmo sendo beneficiária do Bolsa Família.

Tânia e Conceição também foram presas na manhã desta quarta-feira (15), durante a Operação Research. Elas foram afastadas dos cargos.

Investigação – A fraude ocorria na seção de controle e execução orçamentária da UFPR, chefiada por Conceição Mendonça. Conforme divulgou o Jornal Hoje, ela foi a responsável por assinar 234 processos de pagamento, que somaram os R$ 7 milhões. Segundo a investigação, esses valores foram pagos entre os anos de 2013 e 2016 a 27 pessoas que não tinham vínculo com a universidade.

A investigação conduzida pela Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União e Tribunal de Contas da União, apurou que alguns dos beneficiários do esquema sequer tinham nível superior.

“Estamos chocados com a forma grosseira em que a fraude era aplicada no âmbito da universidade. Os beneficiários eram pessoas que exerciam profissão de autônomo como cabeleireiro, artesão, taxista, pizzaiolo, assistente administrativo e atendente de loja, entre outras”, disse pela manhã o delegado da PF do Paraná, Felipe Hayashi.

A universidade divulgou nota afirmando que abriu sindicância para apurar internamente a situação.



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