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Cidades

Família promete cumprir último sonho de homem que ficou milionário em MS

Por Lidiane Kober | 12/12/2013 16:48
Filha manterá vivo o legado de ajudar deixado pelo pai (Foto: Marcos Ermínio)
Filha manterá vivo o legado de ajudar deixado pelo pai (Foto: Marcos Ermínio)
Antônio Moraes se destacou pela perspicácia nos negócios e pela visão humanitária (Foto: Arquivo)
Antônio Moraes se destacou pela perspicácia nos negócios e pela visão humanitária (Foto: Arquivo)

Conhecido pela perspicácia nos negócios e pela visão humanitária, o pecuarista Antônio Moraes dos Santos terá o legado de doações continuado pela família em Mato Grosso do Sul, após sua morte nessa quarta-feira (11).

Hoje (12), no velório, a filha mais velha, Janete Moraes, 63 anos, disse que será honrado o compromisso de custear por um ano a metade das despesas do Hospital do Câncer de Barretos, inaugurado em agosto, na Capital.

O pecuarista, que também foi prefeito de Dourados e deputado, desembolsou R$ 12 milhões para construir a instituição de saúde e prometeu repassar R$ 150 mil mensais para manter a unidade no primeiro ano de existência. “A família irá doar o dinheiro todo o mês como foi prometido por ele”, adiantou Janete.

Segundo o advogado e amigo de Morais, Sérgio Muritiba, 39 anos, esse é o único compromisso do pecuarista que ele deixou para trás. “Tudo o que ele prometeu, ele cumpriu”, disse.

Além dos R$ 12 milhões repassados ao Hospital do Câncer de Barretos, ele ajudou a bancar a ampliação dos leitos da Santa Casa e contribuía com doações mensais a instituições, como o Asilo São João Bosco, o Instituto de Prevenção ao Câncer e a AACC (Associação dos Amigos das Crianças com Câncer).

Da pobreza a riqueza - O espírito humanitário de Moraes, segundo a filha, veio junto com as dificuldades que ele enfrentou até se transformar em um dos homens mais ricos de Mato Grosso do Sul. Aos 25 anos, ele veio de Minas Gerais ao Estado apenas com um “Fordizinho”, lotado de tecidos para comercializar.

“Logo ele percebeu que vender tecido por aqui não era bom negócio, então trocou o material por gado, arrendou uma fazenda e começou a construir o patrimônio da família, com muito trabalho”, contou Janete.

Depois de rico, ele sempre lembrava que um dia foi pobre, por isso, repetia aos filhos, “ajudem quem não teve a mesma sorte que nós tivemos”. Outra frase bem conhecida do pecuarista era de que “caixão não tem gaveta”.

O recado está vivo na vida dos filhos. Janete, por exemplo, abriu a instituição Veredas da Fé “para levar a palavra de Deus” a famílias carentes. “Sempre ajudamos com doações, mas percebemos que não adianta dar e dar, é preciso ajudar as pessoas a mudar de vida”, comentou.

Nem por isso, a instituição deixou de doar cestas básicas. “Não adianta falar de Deus a alguém com a barriga vazia”, observou. Neste sentido, sábado (14), ela comandará a entrega de mil cestas a famílias do Bairro Cidade de Deus. “Estamos focados em mudar a história do lixão”, disse Janete.

Perfil – Além da visão humanitária, Antônio Moraes será lembrado pela vontade de trabalhar. “Ele acordava quatro horas da manhã”, contou a filha. “Cinco e meia ele já estava no escritório”, contou Muritiba. “Ele não aproveitou a vida, só trabalhava”, completou Janete.

Segundo ela, o que o pai mais odiava era “vagabundo”. “Ele tinha pavor de gente que não trabalhava, falava que não existia trabalho inferior, o importante era arregaçar as mangas”, acrescentou. Nas poucas horas de lazer, o pecuarista gostava de jogar baralho, receber os amigos mais próximos e contar suas histórias.

Ele morreu por volta das 17h30 de ontem, por conta de embolia pulmonar. Moraes estava há 22 dias internado. “Levamos ele ao hospital porque se negava a comer”, relatou Janete. “No final descobrimos que ele aspirava e o alimento ia para o pulmão”, completou.

“Até na hora de morrer ele me poupou para não vê-lo, insisti para fazer uma aspiração da secreção, mas ele se negou , fui tomar um café, dei cinco passos e ele morreu. Ainda bem que nos 22 dias que ficou internado o beijei muito”, finalizou a filha. Moraes morreu aos 91 anos e deixou a mulher, seis filhos e 11 netos. No ano que vem, um livro será lançado com sua história.

Familiares e amigos foram dizer adeus a Antonio Morais, que morreu ontem aos 91 anos (Foto: Marcos Ermínio)
Familiares e amigos foram dizer adeus a Antonio Morais, que morreu ontem aos 91 anos (Foto: Marcos Ermínio)
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