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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

08/04/2010 21:17

Guarda Municipal não intimida invasores de casas da Emha

Redação

Mesmo com a informação de que o diretor-presidente da Emha (Empresa Municipal de Habitação) pretendia acionar a Justiça para pedir mandado de reintegração de posse de casas do Residencial Gabura, no bairro Otávio Pécora, as famílias que invadiram 36 residências na noite de ontem fazem vigília no local e não se intimidam com a presença de três viaturas da Guarda Municipal que fazem ronda no lugar.

A auxiliar de serviços gerais, Maria Luiza, de 37 anos, disse que entrou na casa, pois está numa situação caótica. Ela recebe menos de R$ 300 mensais, tem três filhos, sendo uma adolescente de 15 anos que está grávida.

Maria esclareceu que há dez anos cumpre a via crucis de fazer cadastro na Emha. "Nunca fui chamada para tentar uma casa ou ao menos receber para ir pagando", destaca.

Com a promessa de que receberia uma casa da prefeitura para abandonar a sua, no bairro São João Bosco, quando vários moradores de lá foram removidos por conta de obras relacionadas à construção e prolongamento de avenidas, Claudiney Alves da Silva, 41, foi obrigado a se mudar para um barraco à beira do Córrego Segredo.

Ele conta que já fez sua inscrição e como, atualmente, morava de favor em uma casa perto do córrego e ficou sabendo da invasão, decidiu se juntar aos outros invasores. "Estou aqui há quatro dias".

Viviane Alves, 31 anos, foi ajudar o cunhado que morava em um barraco no bairro São Benedito a se estabelecer no Residencial Gabura. Como o parente não tinha lugar decente para morar e tomou conhecimento da ocupação, foi para o local.

"Eu e meu marido viemos ajudar meu cunhado. Da mesma forma que tem lei para bandido, tem lei para pai de família. O que essa população quer é casa para morar", enfatizou Viviane, questionado se achava a invasão ilegal.

Aproximadamente 50 pessoas ocupam parte das casas do residencial, que já tem uma outra parte ocupada por moradores que foram contemplados.

Além das três viaturas da Guarda Municipal, um veículo Gol descaracterizando efetua rondas pelo lugar. Aproximadamente 12 guardas vigiam o residencial.

Um dos guardas, identificado apenas como Paulo, informou ao Campo Grande News que ele e os colegas de trabalho estão ali para evitar que outras pessoas invadam as casas e que entrem com colchões, comida. Ele não revelou de quem partiu a ordem para vigiar o residencial.

No local existem 107 casas, mas a maioria foi entregue em agosto do ano passado, data da inauguração da primeira fase do projeto.

A prefeitura alega que o residencial foi criado para atender o Programa Moradia Digna, e já foram sorteados os nomes dos futuros moradores. As famílias que vão para o local são oriundas de áreas de risco, na região do córrego Segredo.

As pessoas que entraram nas casas ontem reclamam que há meses as casas estão desocupadas. Já Paulo Matos garante que os imóveis foram entregues em 12 de fevereiro e só dependem de ligação das redes de água e energia para que as chaves sejam entregues.

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