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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

07/10/2019 10:50

Acusado de corrupção, vereador é xingado em eleição de conselheiros

Reconduzido ao cargo há duas semanas, Cirilo Ramão foi hostilizado em escola onde acontecia votação para conselheiros tutelares

Helio de Freitas, de Dourados
Vereador Cirilo Ramão (camiseta vermelha) e seus familiares no momento em que era xingado por eleitores (Foto: Reprodução)Vereador Cirilo Ramão (camiseta vermelha) e seus familiares no momento em que era xingado por eleitores (Foto: Reprodução)

Preso em dezembro do ano passado no âmbito da Operação Cifra Negra e afastado do cargo por oito meses, o vereador Cirilo Ramão (MDB) foi hostilizado na tarde de ontem (6) em Dourados, a 233 km de Campo Grande.

Eleitores que estavam na Escola Estadual Castro Alves, onde ocorreu a votação para eleger os conselheiros tutelares, xingaram o vereador emedebista, como mostra vídeo gravado por uma pessoa que estava no local.

Nas imagens é possível ver a mulher e a filha de Cirilo chorando enquanto ele é ofendido. “Sai daqui, respeita meu dinheiro”, grita uma mulher, não identificada.

O episódio provocou princípio de confusão e foi preciso intervenção de guardas municipais que estavam na escola. Há relatos de que a mulher de Cirilo teria sido agredida fisicamente no local, mas até agora o caso não foi denunciado à polícia.

Ao Campo Grande News, Cirilo disse que uma das pessoas que o ofenderam estaria embriagada e ainda vai analisar se denuncia o caso à polícia. “Eu sou homem público, até compreendo, mas meus filhos, minha esposa, não. Eles ficaram muito nervosos com aquilo e tive que retirá-los do local”.

Cirilo disse que não teve agressão física de nenhuma parte. “Teve bate-boca, apenas. Certeza que alguém deve ter mandado ele ir lá tumultuar”, afirmou o vereador. Perguntado sobre a mulher que também xingava, ele disse que no momento não percebeu, pois ficou preocupado com a família.

Acusação – Cirilo Ramão, o ex-vereador Dirceu Longhi (PT), dois ex-funcionários da Câmara, cinco empresários de Campo Grande e os também vereadores Pedro Pepa (DEM) e Idenor Machado (PSDB) foram presos no dia 5 de dezembro na operação comandada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

A Cifra Negra investiga suposto pagamento de propina aos vereadores por empresas de tecnologia contratadas pelo Legislativo em processos de licitação fraudulentos e com preços superfaturados, segundo a denúncia.

Os três vereadores foram afastados dos mandatos e substituídos por suplentes. No dia 19 do mês passado, após longo embate jurídico, que incluiu outras duas prisões de Cirilo e outra de Pepa e Idenor, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu, por 2 a 1, suspender o afastamento dos dois vereadores. Na semana passada, o TJ estendeu o habeas corpus a Idenor Machado.

Cirilo e Pepa foram reconduzidos aos mandatos pela Mesa Diretora da Câmara, mas apenas o emedebista foi a uma das duas sessões realizadas depois do retorno deles ao Legislativo.

Os advogados de defesa esperam o Tribunal detalhar o habeas corpus, já que entre as medidas cautelares está a proibição de manter contato com os demais investigados. Participando da sessão semanal do Legislativo, Pepa e Cirilo obrigatoriamente estarão no mesmo ambiente e manterão contato entre si.

O Campo Grande News perguntou ao advogado Fernando Baraúna Recalde, que defende os dois, para saber se eles irão à sessão de hoje à noite, mas ainda não obteve resposta. Idenor Machado ainda não foi convocado para reassumir o mandato. A Câmara aguarda receber a determinação da Justiça.

Veja abaixo o vídeo do momento em que o vereador era xingado por eleitores:

 

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