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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

20/06/2016 13:24

Com escolta da PM, bois são retirados, mas 11 áreas continuam ocupadas

Remoção de animais ocorreu no sábado e domingo; acesso a local de conflito continua bloqueado por índios da aldeia Tey Kuê

Helio de Freitas, de Dourados
Caminhões deixam fazenda onde ocorreu o confronto levando bois (Foto: Divulgação/PM)Caminhões deixam fazenda onde ocorreu o confronto levando bois (Foto: Divulgação/PM)

Pelo menos 250 bois foram retirados entre sábado (18) e domingo (19) da fazenda Yvu, ocupada por índios há oito dias no município de Caarapó, a 283 km de Campo Grande. A ocupação desencadeou um conflito que terminou em morte, na terça-feira (14).

A retirada dos bois, feita por funcionários da propriedade, foi acompanhada por policiais militares, homens da Força Nacional e do COT, grupo de elite da Polícia Federal, que estão no local para evitar novos confrontos entre índios e produtores rurais.

“Ficamos no meio, de um lado os índios e do outro os fazendeiros”, afirmou ao Campo Grande News um oficial da Polícia Militar logo depois de chegar do local, no domingo à noite.

Na manhã de terça, um grupo formado por fazendeiros e seguranças atacou os índios que montavam acampamento na fazenda. O agente de saúde indígena Clodioudo Aguile Rodrigues dos Santos, 26, morreu e seis índios ficaram feridos a tiros.

O Campo Grande News esteve no local do confronto na terça e quarta-feira e ouviu relatos de índios de que pelo menos 70 caminhonetes foram usadas no ataque. “Colocavam a arma embaixo do foguete e disparavam fogos e tiros ao mesmo tempo. Nos chamavam de bugres safados e vagabundos”, disse o cacique Nardo.

De acordo com policiais que foram ao local no fim de semana, os índios mantêm o bloqueio da estrada de terra que liga Caarapó a Laguna Carapã e passa em frente à reserva Tey Kuê, onde moram pelo menos sete mil guarani-kaiowá.

Além da Yvu, onde ocorreu o ataque, os índios ocupam a fazenda Novilho e Santa Maria e pelo menos oito sítios menores, todos nos arredores da reserva. Os índios afirmam que as propriedades foram identificadas através do estudo da Funai, publicado no dia 13 de maio deste ano.

“Nessas pequenas propriedades fizemos o apoio para que os proprietários fizessem a retirada de materiais e animais. Pelo que percebemos, muita coisa foi destruída ou furtada nessas propriedades”, afirmou o policial.

Inicialmente, ficou constatada a falta de pelo menos 80 bois da fazenda Yvu, mas de acordo com o presidente interino do Sindicato Rural de Caarapó, Carlos Eduardo, o Cacá, os animais foram encontrados em uma plantação de milho.

Segurança – Nesta segunda, o secretário-adjunto de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, disse que em reunião realizada em Dourados na sexta-feira com a presença do procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, ficou definido que pelo menos no prazo de 60 dias as ocupações não vão aumentar e os índios permanecerão nas que já estão.

Segundo ele, a Força Nacional deve permanecer para evitar novos confrontos e os pequenos produtores foram orientados para fazerem levantamento de danos causados e objetos furtados.

Índios ocupam três fazendas e oito sítios nos arredores da aldeia Tey Kuê (Foto: Helio de Freitas)Índios ocupam três fazendas e oito sítios nos arredores da aldeia Tey Kuê (Foto: Helio de Freitas)


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