Com greve na Receita, cerca de 200 caminhões estão parados em pátios
Mobilização protesta contra baixo orçamento para o órgão e dura quase 10 dias
Em greve há quase 10 dias, desde segunda-feira (20), auditores da Receita Federal protestam trabalhando em contingente mínimo em todo o Brasil. Em Corumbá, na fronteira do Brasil com a Bolívia, os impactos começam a ser sentidos com a lotação de caminhões parados nos pátios de transportadoras.
"De alfinete a turbina de avião", passa todo tipo de produto pelo Porto Seco de Corumbá, segundo o presidente do Setlog (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Mato Grosso do Sul) Pantanal, Lourival Pereira. Ele estima U$ 5 mil dólares por dia de prejuízo quando os veículos deixam de sair dos pátios das transportadoras, entregar suas mercadorias e, assim, elas não chegarem ao consumidor final.
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Neste momento, há cerca de 200 caminhões com cargas diversas aguardando passarem pela operação-padrão, que é uma vistoria minuciosa feita na alfândega como sinal de greve pela categoria.
No caso de Corumbá, Lourival aponta que há lentidão nessa etapa, o que afeta 35 empresas apenas em Corumbá. "É um prejuízo que acaba recaindo para as empresas privadas. É um custo muito alto manter caminhão e carga parados", pontua.
Os auditores - Com a greve, eles chamam atenção para o baixo orçamento reservado para a Receita Federal, situação que perpetua desmonte sofrido ao longo dos últimos anos.
Outro ponto de reivindicação é a necessidade do cumprimento integral do Plano de Aplicação do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização para o ano de 2024, criado há mais de 40 anos para garantir a manutenção dos mecanismos arrecadatórios que viabilizam o orçamento público.
Segundo o presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) em Mato Grosso do Sul, Anderson Novaes, apenas um auditor fiscal está trabalhando no Porto Seco de Corumbá. Ele não pode aderir à greve diante da obrigação de manter 30% do efetivo para prestar o serviço essencial.
"A estação alfandegária tem problema crônico de pessoal e como um todo", complementa. Ele confirma que há lentidão de algumas horas nos trabalhos desde o início da greve, e que isso tem provocado espera pela operação-padrão.
Também há impacto com as operações-padrão realizadas em aeroportos, para liberação de bens e mercadorias. Além de Corumbá, Uruguaiana (RS) registra grande fila de veículos à espera de passar no porto.
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